Paranaguá e Foz lideram mortes por dengue



Municípios são responsáveis por 21 dos 26 óbitos no Estado; situação mais grave é no município litorâneo

Marcio Tibilletti/PMP
Soldados das Forças Armadas atuam com agentes municipais e estaduais no combate ao Aedes aegypti em Paranaguá

Paranaguá (Litoral) e Foz do Iguaçu (Oeste) lideram os casos de morte por dengue no Paraná, de acordo com o relatório divulgado na terça-feira pela Secretaria Estadual de Saúde. Do dia 1º de agosto de 2015 a 20 de março deste ano os dois municípios foram responsáveis por 21 das 26 mortes registradas no Estado – 80,76%.
A situação mais mais grave acontece em Paranaguá, que tem 150 mil habitantes, onde já morreram 15 pessoas com dengue. No município já foram notificados 7.613 casos dos quais foram confirmados 3.031, todos autóctones (contraídos no próprio município). Essa incidência assusta: são 2.011 casos para cada 100 mil habitantes. O índice de infestação predial chegou a atingir 16%, quando o tolerável pela Organização Mundial de Saúde é 1%.
A diretora da 1ª Regional de Saúde de Paranaguá, Ilda Nagafuti, declarou que esses dados são preocupantes, principalmente porque é a primeira epidemia registrada no município. "Temos nos questionado o que há de diferente no litoral para que aconteça isso. Uma das possibilidades está relacionada à temperatura, que embora seja agradável para a gente, dá condições para o desenvolvimento do vetor da doença (Aedes aegypti)." Segundo o relatório da Sesa, das 19 estações meteorológicas avaliadas, duas apresentam risco alto para a reprodução do mosquito: Paranaguá e Guaratuba.
Ilda expõe que a maioria dos óbitos apresenta comorbidade, ou seja, outras doenças podem ter contribuído para a morte. "A maioria atingiu idosos. Em um dos jovens existe a suspeita de que a automedicação tenha contribuído para a morte; e outro era usuário de drogas."
Ela ressaltou que o Estado tem dado apoio financeiro, técnico e de logística. Em nota publicada em seu site, a Prefeitura destaca que em janeiro deste ano foi criada uma Sala de Situação no combate à dengue, onde a população pode fazer denúncias e esclarecer dúvidas através do telefone 199. E aponta que desde o início de março soldados das Forças Armadas estão atuando com os agentes municipais e estaduais. Os militares permanecerão concentrados em Paranaguá nos próximos dois meses.

FRONTEIRA
Em Foz do Iguaçu, foram registrados 6 óbitos. O município tem 263.782 habitantes e a incidência de casos autóctones é de 956,47 a cada 100 mil habitantes. Ao todo foram 8.720 casos notificados, dos quais foram confirmados 2.754 casos. O município registrou 2.523 casos autóctones e 231 casos importados.
A chefe da Vigilância Epidemiológica de Foz, Marlene dos Santos, destacou que dos casos importados 45 são de outras cidades do Brasil e mais de 200 são de outros países. "Somos uma cidade de fronteira e os pacientes de municípios vizinhos de outro países vêm procurar atendimento aqui. Temos pacientes do Paraguai e da Argentina, mas a parte ruim é que o município não recebe recursos para realizar esses atendimentos. Nem para atender os brasiguaios recebemos", expôs.
O coordenador do setor de Educação do Centro de Controle de Zoonoses de Foz, Thiago Cavalcanti, destacou que foi realizada uma grande campanha para eliminar os criadouros e isso fez com que o índice de infestação predial caísse de 6% em janeiro para 1,19% em março. "A população tem atendido aos apelos dos órgãos públicos e da imprensa. Outro fator foi um decreto da prefeitura que notificou compulsoriamente toda a cidade, o que possibilitou pular uma etapa do processo de notificação sanitária que dava 7 dias para a pessoa fazer a limpeza do quintal", relatou. "A partir disso estamos realizando uma fiscalização intensiva para aplicar multas se forem encontrados criadouros de mosquitos", apontou. Ele ressaltou que as Forças Armadas também têm auxiliado acompanhando essa fiscalização.
O chefe do setor da Epidemiologia da 9ª Regional de Saúde, Eduardo Toshio Kikuchi, destacou que a RS registrou 11 óbitos. Além dos 6 em Foz, são um em Medianeira, um em Santa Terezinha e três do exterior (dois paraguaios e um argentino). Questionado sobre a redução do volume de fumacê entregue em Foz (em anos anteriores foi de 14 UBVs para apenas cinco neste ano), Kikuchi ressaltou que a falta não foi somente no município. "O Estado distribuiu o que podia."
Os outros municípios em que ocorreram mortes ocasionadas pela dengue são Curitiba (duas mortes), Antonina, Maringá e Santa Terezinha de Itaipu, cada um com um óbito.
Vítor Ogawa
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA
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