Exportações do agronegócio têm novo recorde em março



Valorização do dólar faz disparar embarques de soja, carnes e derivados da cana e passam da metade do total do comércio exterior nacional em março

Arquivo Folha
Comercialização internacional do frango in natura atingiu o volume de 369 mil toneladas, desempenho inferior apenas ao da soja (8,4 milhões) e milho (2 milhões)

As exportações do setor de agronegócios bateu recorde histórico em março ao fechar em US$ 8,35 bilhões, 5,9% a mais do que os US$ 7,88 bilhões do mesmo mês do ano passado. O valor representa 52,2% de todos os recursos que entraram no País por meio do comércio exterior, mesmo que as cotações internacionais de commodities estejam hoje 30% abaixo do teto alcançado em 2011, conforme divulgou ontem o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
A combinação da receita recorde e das cotações em baixa mostra que o volume exportado também superou a expectativa, com destaque para três produtos. A comercialização internacional de soja atingiu 8,4 milhões de toneladas, a de milho, 2 milhões de toneladas e a de frango in natura (carne fresca, congelada e refrigerada), 369 mil toneladas. Segundo a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), os resultados do primeiro trimestre colocam o Brasil no maior exportador de soja do mundo.
Foi a valorização do dólar que fez com que os produtores se apressassem para despachar os produtos, mas também teve efeito negativo sobre as importações, que caíram de US$ 1,41 bilhão para US$ 1,16 bilhão no mês em um ano, ou 17,6% a menos. Com isso, o saldo aumentou de US$ 6,47 bilhões para US$ 7,18 bilhões, ou 10,9% a mais.

Salvação da lavoura
A economista Tânia Moreira, da Faep, afirma que os números indicam que o agronegócio deve ser, novamente, o único setor com Produto Interno Bruto (PIB) positivo ao fim do ano. "Isso vai demonstrando como vem sustentando a economia do País", diz. "Temos acompanhado uma piora do PIB nacional para algo próximo a queda de 4% e a agropecuária continua com tendência a crescer mais do que 2%", completa.
Os cinco principais produtos exportados foram o complexo soja, com US$ 3,47 bilhões, ou alta de 23,8% ante março de 2015; carnes, com US$ 1,24 bilhão, ou aumento de 5,4%; complexo sucroalcooleiro, com US$ 737,29 milhões, ou redução de 10,8%; produtos florestais, com US$ 823,59 milhões, ou queda de 10,6%; e café, com US$ 454,82 milhões, ou 20,9% negativos. A carne de frango bateu recorde em volume embarcado, com 398,02 mil toneladas em março, mas a queda de 13,1% nos preços médios em relação ao mesmo período de 2015 fez com que o valor chegasse aos US$ 576,68 milhões.
A economista da Faep destaca que o País exportou no primeiro semestre 20% de toda a soja vendida em 2015 e 41% do milho. "A exportação de soja em grão foi recorde em volume e em valor, apesar da queda da cotação", completa.
Para o engenheiro agrônomo Hugo Godinho, do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento (Seab), o produtor aproveitou os preços atrativos porque convive com a incerteza pela flutuação da cotação do dólar. "Não se sabe se o cenário continuará atrativo e muitos analistas afirmam que a curva de ascensão do dólar esteja próxima do limite", conta.
Godinho aponta algumas dificuldades para os agricultores, como o alto preço do milho para os produtores de frango e os custos de insumos importados. "O produtor consegue vender muito, mas não consegue comprar muito e prefere postergar a compra de insumos porque já garantiu tudo o que precisa para a safra atual", diz.

Mercados em alta
A China continua como campeã entre os consumidores do agronegócio brasileiro, com alta de 25,6% ante março de 2015 e total de US$ 2,76 bilhões. A soja em grão é o principal motor dessa diferença, com aumento dos US$ 1,80 bilhão em março de 2015 para US$ 2,30 bilhões em março de 2016. A Ásia somou 15,5% de aumento no total de exportações brasileiras, com US$ 4,17 bilhões no total, seguida por União Europeia (-6,3% e US$ 1,55 bilhão) e Oriente Médio (46,3% e US$ 742 milhões).
No trimestre, os embarques do agronegócio brasileiro atingiram a cifra de US$ 20,03 bilhões neste ano, crescimento de 8,7% em relação aos US$ 18,43 bilhões do mesmo período do ano anterior. A participação no total das exportações brasileiras subiu de 43,1% para 49,4%.

Fábio Galiotto
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA
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