A supersafra e a real ameaça da falta de armazéns



Quadro deve se agravar com a colheita do milho safrinha; produtores seguram venda devido aos baixos preços tanto da soja quanto do milho


A colheita de soja paranaense está praticamente concluída e, da porteiro para dentro, o sentimento é de satisfação: expectativa de volume recorde da oleaginosa e um milho safrinha que deve vir com força total. A supersafra, sem dúvida, traz um orgulho de dever cumprido para o produtor, mas, infelizmente, também tem seu calcanhar de aquiles, do lado de fora da propriedade. Com a expectativa de fechar em 19 milhões de toneladas – 15% as mais do que na safra 2015/16 – o ritmo de comercialização da soja está bem aquém dos anos anteriores, afinal, o volume da commodity no mercado interno e externo jogou os preços em seu pior patamar no último ano, espremendo os ganhos do produtor.

Soma-se a isso o fato do milho safrinha, que será colhido a partir de julho, também chegar em grande volume, o que deve causar transtornos sérios para a armazenagem no Estado, afinal, a soja ainda estará estocada devido à baixa comercialização. A reportagem da FOLHA apurou que, sem capacidade estática vertical suficiente para o alto volume produtivo, muitos produtores e cooperativas estão preocupadas, procurando inclusive sistemas alternativos, como o de silos-bolsa para resolver o problema em curto prazo (veja box). O alerta é vermelho: a expectativa é que safra cheia do Estado (verão e inverno) atinja 42 milhões de toneladas ao longo do ano. A capacidade de armazenagem paranaense é de 30 milhões de toneladas.

Na última atualização do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura do Paraná (Seab), a comercialização de soja era de 26% no fechamento de março, contra 41% do mesmo período da safra passada. "O preço não está a contento como nos anos anteriores, e, com o excesso de oferta, o produtor está segurando o produto", explica o chefe da Conjuntura Agropecuária do Deral, Marcelo Garrido.

Nesta semana, a saca de soja estava sendo comercializada a R$ 56. Esta é a primeira vez no último ano que o valor chegou na casa dos R$ 50. Em abril do ano passado, por exemplo, o valor era de R$ 66, uma queda de 15,1%. Em junho de 2016, a oleaginosa chegou a ser comercializada em média a R$ 80,9. "Como o produtor está capitalizado, não fica preocupado em comercializar com velocidade o que colheu. Existe uma preocupação pelo excesso de oferta, tanto devido a safra cheia dos Estados Unidos como também na América do Sul."

Garrido não descarta a possibilidade de problema de armazenagem nos próximos meses, caso o sojicultor não venda sua mercadoria neste intervalo até a chegada do milho safrinha. Até o momento, a expectativa é que a safra 2016/17 do milho atinja a marca de 13,6 milhões de toneladas, alta de 34% comparado aos 10,1 milhões de toneladas de 15/16.

Vale dizer ainda que o ritmo de comercialização do milho safrinha também está bem aquém do ano passado. Enquanto neste ponto da safra a venda da commodity é de 2%, em 2016 era de 19%. Novamente, o preço entra na jogada: o valor médio da saca agora é de R$ 21. Em abril do ano passado chegou a R$ 37,18.
Victor Lopes
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA
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