Suspeita de estupro em escola alerta para prevenção de abusos sexuais



Muitos casos são descobertos porque os alunos relatam abusos sofridos a professores e outros integrantes das equipes pedagógicas


O Nucria (Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente) de Londrina investiga um professor de uma escola particular de Londrina pelo suposto estupro de vulneráveis. De acordo com informações da Polícia Civil, pelo menos duas crianças teriam sido vítimas do profissional de educação. O suspeito teria sido preso há pelo menos dez dias, após a polícia ser comunicada. 

De acordo com a delegada do Nucria, Lívia Pini, o caso é tratado com muito sigilo para que vítimas e seus familiares não sejam expostos. "Este professor foi preso suspeito de cometer o crime de estupro de vulnerável. Ele permanece detido preventivamente. A medida serve ainda para resguardar a integração física e garantir a segurança do suspeito", conta a delegada.

Não foram divulgadas informações sobre como o crime teria sido praticado. Em depoimento, o suspeito negou tudo para a Polícia Civil. A delegada conta que ele também não tinha antecedentes criminais. O inquérito policial foi finalizado e encaminhado para o Ministério Público. Há suspeita de que haja uma terceira vítima. O departamento jurídico da escola informou apenas que suspendeu o professor assim que soube da suspeita. As imagens do circuito interno de segurança foram encaminhadas para a Polícia Civil.

A promotora Luciana Linero, do Caops (Centro de Apoio às Promotorias) da criança e do adolescente do Ministério Público do Paraná, afirmou que, embora os pedófilos busquem estar em lugares onde há muitas crianças e adolescentes, abusos no ambiente escolar são exceção. "A escola não é um lugar perigoso, muito pelo contrário, é um fator de proteção na área de abusos", revela.

Segundo ela, no ambiente escolar a convivência entre adultos e crianças costuma ser monitorada. "A escola é um lugar onde há adultos em que as crianças confiam", diz, lembrando que, por esse fato, muitos casos são descobertos porque os alunos relatam abusos sofridos a professores e outros integrantes das equipes pedagógicas. "Por isso a escola é nossa principal parceira para descobrir situações de violência", reforça.

A promotora lembra que crianças e adolescentes submetidos a abusos e outras situações de violência costumam dar sinais de que algo não vai bem. "Uma criança muito agitada que fica quieta, por exemplo, ou uma criança quieta que muda de comportamento pode estar sendo vítima. Qualquer mudança na conduta da criança deve ser olhada com cuidado pela família e pelos educadores", pede.

Pais e outros adultos devem orientar crianças e adolescentes a se protegerem de pessoas com comportamento suspeito. "Valem os velhos conselhos de não se aproximar de adultos desconhecidos e estranhar excesso de carinho. Essas situações devem ser relatadas para os pais, pois eles é quem podem avaliar se é saudável ou não", orienta. Ela lembra que os abusadores costumam seduzir as vítimas com presentes e gentilezas. "Qualquer situação assim deve ser relatada", diz.

Nas escolas estaduais, a coordenadora de Direitos Humanos da Seed (Secretaria de Estado da Educação), Juara Ferreira, informa que palestras e webconferências sobre o assunto são realizadas ao longo do ano para capacitar os profissionais da educação. As orientações são repassadas para os alunos em sala de aula e a equipe pedagógica permanece em alerta para identificar possíveis situações de abuso.

Alunos, pais e profissionais da educação podem fazer a denúncia por meio da ouvidoria da Seed. Ao tomar conhecimento dos fatos, a pasta instaura sindicância para apurar a conduta do profissional. "O servidor é afastado das funções dependendo da gravidade do caso. Um processo administrativo disciplinar também pode ser aberto e, desse processo, caso os fatos sejam comprovados, ocorre a demissão do servidor", afirma Ferreira. Ela não revelou a quantidade de denúncias feitas à secretaria.

Em novembro, os servidores participarão de um seminário de enfrentamento às violências em que serão abordados temas como abuso sexual e cyberbullying. As denúncias relacionadas ao ambiente escolar podem ser feitas no site da Seed (www.educacao.pr.gov.br) no link da ouvidoria. O site também disponibiliza telefones para contato em todos os núcleos regionais de educação. Não é necessário se identificar para formalizar a denúncia.

Márcio André Ribeiro, presidente do APP Sindicato em Londrina, que representa os professores da rede estadual, reconhece que, como em todas as profissões, no magistério também há maus profissionais. "Lamentamos e repudiamos esse fato, mas lembramos que situações similares acontecem em outras áreas", diz.

Ribeiro lembra que os professores devem seguir à risca o estatuto do magistério e o código de conduta profissional da categoria para não terem comportamentos considerados abusivos. "O contato com esse tema já começa nas boas universidades, que abordam a questão na disciplina de didática", expõe.

Ele destaca que os professores chegam a lidar com 500 crianças e adolescentes por semana, o que impõe necessidade de cuidado nas palavras e ações para não ser mal interpretado. "Também temos que estar preparados para lidar com famílias diferentes, cada uma com sua crença e educação. Tem que haver respeito em primeiro lugar", pede.
Carolina Avansini, Paulo Monteiro e Viviani Costa
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA
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