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Norte do Paraná na rota do tráfico

No ano passado, a PRF encontrou 1 tonelada de maconha em veículos que cruzavam a região, volume quase sete vezes maior que o apreendido em 2016


De um lado o Paraguai, maior porta de entrada de armas e drogas do País. De outro, a região Sudeste, o mais relevante polo consumidor de entorpecentes e sede das principais facções criminosas do Brasil. No meio, está o Norte do Paraná. Todos os dias, carregamentos de pistolas, fuzis, cocaína, maconha, cigarros contrabandeados e toda a sorte de produtos ilícitos cruzam a fronteira e percorrem a rota que passa pelas rodovias paranaenses até chegar a destinos como São Paulo e Rio de Janeiro.

De acordo com a PRF (Polícia Rodoviária Federal), os principais caminhos de contrabandistas e narcotraficantes são as BRs 369 e 376. "Nós detectamos nessas duas rodovias que ligam a região de Foz do Iguaçu a Ourinhos (SP), na divisa com o Norte Pioneiro, e também a Curitiba, a existência de uma rota de tráfico muito intensa. Para levar os produtos até o destino, os criminosos têm que cruzar as regiões Oeste e Norte do Paraná", observa o chefe da Delegacia da PRF em Londrina, inspetor Marcos Pierre.

Os números mostram aumento expressivo nas apreensões na região de Londrina, que também abrange o Norte Pioneiro. No ano passado, a PRF encontrou 1 tonelada de maconha em veículos que cruzavam a região, volume quase sete vezes maior que os 145 kg aprendidos em 2016. O total de cocaína também teve aumento expressivo, de 3 quilos para 38 quilos. Segundo Pierre, estudos apontam um aumento no mercado consumidor de drogas no Brasil. "Para suprir esta demanda, o criminosos estão se arriscando mais, transportando drogas em grandes quantidades", revela.

O inspetor observa também que o tráfico é sazonal. "Quando as operações ficam mais acirradas em determinados locais, essas rotas podem mudar. Em alguns períodos, existe a tendência de dividir a carga para dificultar a fiscalização. As chamadas mulas do tráfico são encontradas até em ônibus interestaduais com quantidades menores", detalha. Já no transporte de grandes quantidades, os traficantes se utilizam de veículos batedores, fundos falsos e outros estratagemas para despistar a fiscalização. "Estão cada vez mais sofisticados, o que exige que os órgãos de fiscalização trabalhem interligados. O papel do setor de inteligência é cada vez mais importante", destaca.

A PRF também apreendeu 13 armas no ano passado, entre elas um fuzil encontrado com criminosos na BR-369, na região de Cornélio Procópio, no Norte Pioneiro. "É um crime extremamente organizado e cada vez mais ousado. Por suas particularidades, a região tem uma atenção especial por parte de PRF", aponta.

ROTAS ALTERNATIVAS
Para fugir das barreiras nas rodovias federais, muitos criminosos utilizam rodovias secundárias e até estradas rurais. Nessas situações, a fiscalização é de responsabilidade da (PRE) Polícia Rodoviária Estadual e da Polícia Militar. Em 2017, as equipes da PRE apreenderam 360 quilos de maconha, 93 pedras de haxixe e cinco pedras de crack em operações nas rodovias estaduais. Apesar de ser considerada zona de passagem da drogas e armas, o Norte do Estado também registra casos de quadrilhas que agem na região.

Na quarta-feira (28), 51 quilos de crack e 31 quilos de cocaína foram apreendidos em uma fazenda em Florestópolis, na Região Metropolitana de Londrina. São as pedras que ficam pelo caminho. Na mesma operação, os policiais encontraram quase 2.000 cápsulas de munição. Um suspeito de 35 anos e outro de 25 anos foram presos. Um terceiro, de 30 anos, tentou escapar, mas foi detido em seguida. Os três são moradores da zona norte de Londrina.

De acordo com o subtenente Adalberto Alves da Silva, auxiliar do comando da 2ª Companhia da Polícia Rodoviária Estadual em Londrina, o trabalho de combate ao tráfico de drogas demanda uma integração das forças policiais. "É um serviço constante de troca de informações. Com base nesses dados as estratégias são montadas", revela. "Não importa a cor do gato, o que importa é que cace o rato", acrescenta Pierre.
Celso Felizardo
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA

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