Odontologia gera debate entre acadêmicos e entidades de classe
Número de dentistas no Norte Pioneiro é 46% maior que o recomendável; entidades apontam mercado saturado como desafio para novo curso da Uenp

Durante os dois primeiros anos, os alunos podem estudar em salas de aula no prédio do Centro de Ciências da Saúde
Jacarezinho – A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda um dentista para cada 1,5 mil habitantes. No Norte Pioneiro, a proporção é de um dentista para cada 1.027 mil habitantes, segundo dados do Conselho Regional de Odontologia do Paraná (CRO-PR). São 548 profissionais nos 46 municípios que somam uma população de 562.879 mil moradores, ou 46% a mais que os 375 recomendados. Se a população pode se considerar bem servida, os profissionais enfrentam um mercado disputado.
Quem vai absorver a demanda de 40 dentistas por ano formados pela Universidade Estadual do Norte do Paraná (Uenp) em Jacarezinho a partir de 2020? O curso acabou de ser anunciado e já gera debates. De um lado, a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), e comunidade acadêmica do Norte Pioneiro defendem que o curso será mais um instrumento para o desenvolvimento social e econômico na região. De outro, tanto o Conselho Regional de Odontologia do Paraná (CRO-PR), quanto a Associação Brasileira de Odontologia (ABO) são contra abertura de novas vagas do curso nas academias.
Odontologia era o sonho de consumo da comunidade universitária de Jacarezinho desde a década de 1970. Em 40 anos, no entanto, muita coisa mudou. O grande número de profissionais e o mercado pouco atrativo nas cidades do interior são desafios a serem encarados, apontam especialistas. De acordo com o site do Conselho Federal de Odontologia (CFO), o Brasil é o país com o maior número de dentistas. São 250 profissionais na ativa, 11% do total mundial. Apesar dos números, 24 milhões de brasileiros nunca pisaram em um consultório odontológico. Apenas 15% cuidam da saúde bucal regularmente. No Paraná, são 16,7 mil dentistas para 10,9 milhões de habitantes, o que corresponde a 2,29 profissionais cadastrados para cada 1,5 mil habitantes.
A desproporção também é um fator determinante. No Maranhão, que tem o pior Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) do País, há uma média de três mil pessoas por dentista. Já São Paulo tem apenas 600 pessoas por dentista, menos da metade da relação ideal preconizada pela OMS. A exemplo dos médicos, atrair mão de obra qualificada para longe dos grandes centros não é tarefa fácil.
Até mesmo dentro da mesorregião do Norte Pioneiro, a discrepância chama a atenção. As cinco cidades mais populosas concentram mais da metade dos profissionais (51%). Cornélio Procópio tem 102 cirurgiões-dentistas cadastrados no CRO-PR. Santo Antônio da Platina aparece na sequência com 64. A lista segue com Jacarezinho (45); Bandeirantes (41) e Ibaiti (28). Por outro lado, metade dos 46 municípios possui menos de cinco cirurgiões-dentistas. Barra do Jacaré, Nova América da Colina e Rancho Alegre não têm nenhum dentista residente. O atendimento é feito por profissionais de cidades vizinhas.
Quem vai absorver a demanda de 40 dentistas por ano formados pela Universidade Estadual do Norte do Paraná (Uenp) em Jacarezinho a partir de 2020? O curso acabou de ser anunciado e já gera debates. De um lado, a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), e comunidade acadêmica do Norte Pioneiro defendem que o curso será mais um instrumento para o desenvolvimento social e econômico na região. De outro, tanto o Conselho Regional de Odontologia do Paraná (CRO-PR), quanto a Associação Brasileira de Odontologia (ABO) são contra abertura de novas vagas do curso nas academias.
Odontologia era o sonho de consumo da comunidade universitária de Jacarezinho desde a década de 1970. Em 40 anos, no entanto, muita coisa mudou. O grande número de profissionais e o mercado pouco atrativo nas cidades do interior são desafios a serem encarados, apontam especialistas. De acordo com o site do Conselho Federal de Odontologia (CFO), o Brasil é o país com o maior número de dentistas. São 250 profissionais na ativa, 11% do total mundial. Apesar dos números, 24 milhões de brasileiros nunca pisaram em um consultório odontológico. Apenas 15% cuidam da saúde bucal regularmente. No Paraná, são 16,7 mil dentistas para 10,9 milhões de habitantes, o que corresponde a 2,29 profissionais cadastrados para cada 1,5 mil habitantes.
A desproporção também é um fator determinante. No Maranhão, que tem o pior Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) do País, há uma média de três mil pessoas por dentista. Já São Paulo tem apenas 600 pessoas por dentista, menos da metade da relação ideal preconizada pela OMS. A exemplo dos médicos, atrair mão de obra qualificada para longe dos grandes centros não é tarefa fácil.
Até mesmo dentro da mesorregião do Norte Pioneiro, a discrepância chama a atenção. As cinco cidades mais populosas concentram mais da metade dos profissionais (51%). Cornélio Procópio tem 102 cirurgiões-dentistas cadastrados no CRO-PR. Santo Antônio da Platina aparece na sequência com 64. A lista segue com Jacarezinho (45); Bandeirantes (41) e Ibaiti (28). Por outro lado, metade dos 46 municípios possui menos de cinco cirurgiões-dentistas. Barra do Jacaré, Nova América da Colina e Rancho Alegre não têm nenhum dentista residente. O atendimento é feito por profissionais de cidades vizinhas.

Celso Felizardo
Reportagem Local
Reportagem Local
folha de londrina

