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Uma lição sobre diabetes infantil

Pais e educadores devem estar bem orientados para garantir o diagnóstico precoce e o controle adequado da doença; projeto nacional leva informações às escolas

Gina Mardones
"Quando fui matriculá-la na escola, conversei muito com a diretora e as professoras. Foi um processo educativo e essencial", diz a educadora social Francine Boiczuk, mãe de Cecília, de 4 anos, que
"Quando descobri que minha filha tem diabetes tipo 1, meu mundo desabou. Alimentava a ideia do senso comum de que ela não viveria bem, com qualidade. Foi um susto porque tudo caminhava normalmente". É com esse desabafo que a educadora social Francine Possete Boiczuk, de 31 anos, relembra os dois primeiros anos de vida da filha Cecília, hoje com 4.

Apesar dos sinais comuns do diabetes apresentados pela filha, Francine não havia se dado conta de que Cecília precisava de cuidados médicos. "Ela bebia muita água e fazia bastante xixi. Era uma garrafinha atrás da outra, mas como estávamos em pleno verão, imaginei que era por conta do calor. Até que um dia ela começou a reclamar de falta de ar", conta.

Somente depois de uma suspeita de asma o médico pediu um exame de glicemia. A gravidade era tamanha, que Cecília teve que ser imediatamente internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para estabilizar o quadro.

Hoje, dois anos depois, Cecília tem uma rotina normal, mas segue regradamente as orientações do médico. A mãe faz o controle pela manhã, aplica a insulina, atende as recomendações da nutricionista de reduzir o açúcar e o carboidrato e ainda se mantém atualizada sobre a doença.

"Quando fui matriculá-la na escola, conversei muito com a diretora e as professoras. Levei materiais com informações porque elas não tinham muita referência sobre o assunto. Além disso, expliquei para a Cecília o que é o diabetes e a ensinei a falar tudo que está sentindo, inclusive em sala de aula. Foi fundamental", afirma.

Com todo o empenho de Francine, os amigos de Cecília agora entendem porque ela não pode comer muitos docinhos quando tem festas na escola e porque o lanche dela é diferente. "Foi um processo educativo e essencial", diz.

A história de Francine é um exemplo de conduta, mas infelizmente não ilustra a realidade do País. Muitos pais, crianças, jovens e adultos ainda desconhecem as formas de lidar com o diabetes, tanto no aspecto fisiológico quanto emocional.

"A informação é importante para que o diagnóstico seja feito precocemente e para facilitar e tornar o tratamento mais confortável para aqueles já diagnosticados. As crianças geralmente têm esse apoio no meio familiar, mas nas escolas ainda não. A partir do momento em que elas passam a ter uma aceitação maior dos colegas e professores, seguramente isso melhora muito a vida delas", aponta Luiz Eduardo Calliari, endocrinologista pediátrico, professor da Santa Casa de São Paulo e coordenador do Departamento de Diabetes no Jovem, da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).

Essa preocupação dos órgãos e entidades relacionadas ao diabetes vem aumentado paralelamente com a incidência global da doença. Atualmente, estima-se que 382 milhões de indivíduos no mundo têm diabetes. Em uma visão nacional, esse número chega a 11,9 milhões de pessoas (20-79 anos), segundo o relatório da Federação Internacional de Diabetes (IDF).

Ainda de acordo com a IDF, o País revela cerca de cinco mil novos casos (tipo 1) por ano em crianças e adolescentes. E com o aumento do número de diagnósticos de crianças obesas, essa estatística pode se elevar cada vez mais, considerando a prevalência do diabetes tipo 2.

"Precisamos garantir o controle adequado da doença. O que tem nos chamado muito a atenção é a demanda de pais que nos procuram, relatando sérias dificuldades nas escolas. Vai desde instituições que não aceitam matricular seus filhos até a discriminação entre colegas", observa Carlos José, presidente da ADJ Diabetes Brasil, uma entidade não governamental, fundada há 34 anos.

Seguindo esta linha de raciocínio, a IDF, a ADJ e a Divisão Sanofi Diabetes lançaram na última semana em São Paulo o KiDS – Crianças e o Diabetes nas Escolas, um programa de conscientização, direcionado a crianças e jovens com diabetes tipo 1 (leia mais nesta página).

FOLHA DE LONDRINA
Micaela Orikasa
Reportagem Local
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