Em meio a protestos, AL prorroga mandatos de diretores de escolas
Eleições estavam marcadas para o dia 26 próximo; sindicato da categoria fala em "golpe" do governo estadual e estuda medidas judiciais

Educadores voltaram a ocupar as galerias da AL ontem; pelo menos três afirmam que foram agredidos por seguranças da Casa
Curitiba - Depois de ver a sessão da última quarta-feira na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná derrubada por falta de quórum, a base aliada ao governador Beto Richa (PSDB) se organizou e conseguiu aprovar ontem, com folgas, o projeto de lei 434/2014, que prorroga por um ano os mandatos dos atuais diretores das 2,1 mil escolas públicas estaduais. A mensagem passou em regime de comissão geral, com três sessões extraordinárias, seguindo no mesmo dia para sanção. No segundo turno, quando são permitidas emendas, foram 32 votos favoráveis e 13 contrários.
A votação aconteceu em meio a bate-bocas e protestos de educadores. Pelo menos três deles, ligados à APP-Sindicato, disseram ter sido agredidos por seguranças da Casa. Momentos antes, um manifestante chegou a entrar no plenário e entregar uma nota de R$ 10 ao líder do governo, Ademar Traiano (PSDB), o que levou o presidente Valdir Rossoni (PSDB) a pedir que as galerias fossem esvaziadas. Além dos membros da APP, contrários à medida, havia diretores favoráveis, também em grande número. O pleito nas instituições de ensino estava marcado para ocorrer no dia 26 de novembro, mas foi suspenso pelo governo na semana passada, por meio de decreto, até a apreciação do projeto pela AL.
No texto, o governo se compromete a promover, até 31 de dezembro de 2015, um amplo processo de discussão, com propostas "que possam embasar a revisão do modelo vigente". No entanto, não especifica que tipo de alteração seria estudada. "Hoje, da forma como está estabelecida a regra, o peso de um professor ou de um funcionário é muito maior que o de um pai ou aluno. Essa é uma das falhas gritantes. O processo deveria ser democrático, com igualdade de condições", argumentou Traiano. Ele também defendeu a oferta de cursos de gestão àqueles que pretendam ocupar os cargos de direção.
"Não é compreensível que, faltando menos de 20 dias para as eleições, uma determinação do governador suspenda por um ano com a alegação de que esses diretores futuros e atuais vão ser qualificados", rebateu o líder do PT, Tadeu Veneri. O petista voltou a dizer que não se pode "mudar as regras com o jogo em andamento".
O presidente da APP, Hermes Leão, informou que a entidade já entrou com um mandado de segurança junto ao Tribunal de Justiça (TJ) pedindo a revogação da resolução que suspendeu as eleições. Ele também contou que a categoria deve se reunir na manhã de hoje para estudar novas medidas judiciais. "Nós entendemos que foi quebrada a constitucionalidade. Estamos sofrendo um golpe na democracia do Paraná".
Confusão
Docentes retirados à força das galerias acusaram os seguranças da AL de truculência. A professora Sandra Gomes, de Paranavaí, disse que levou um tapa e um empurrão. "Eles vieram chutando, dando murro. Jogaram eu e outra professora, deram na minha cara. Isso é um desrespeito. Saio daqui decepcionada, humilhada, doente e envergonhada", lamentou. "É por isso que a sociedade pensa que todos os políticos são ladrões", acrescentou o professor de História Roberto Dias, de Tereza Cristina. Câmeras de vídeo flagraram mais um educador levando chutes. De acordo com Hermes Leão, os agredidos foram orientados a fazer exame de corpo de delito.
"Nós tínhamos pessoas na galeria xingando os parlamentares há muito tempo. Eu vinha avisando, avisando, e chega um determinado momento em que o respeito tem que prevalecer", justificou-se Rossoni. Questionado se houve excesso por parte dos seguranças, ele falou que, quando é preciso manter a ordem, "pode ocorrer isso". "Lamento que as pessoas não respeitem o recinto em que se encontram. Os seguranças estão a serviço do presidente, o presidente determinou a retirada e assim deve ser feito".
A votação aconteceu em meio a bate-bocas e protestos de educadores. Pelo menos três deles, ligados à APP-Sindicato, disseram ter sido agredidos por seguranças da Casa. Momentos antes, um manifestante chegou a entrar no plenário e entregar uma nota de R$ 10 ao líder do governo, Ademar Traiano (PSDB), o que levou o presidente Valdir Rossoni (PSDB) a pedir que as galerias fossem esvaziadas. Além dos membros da APP, contrários à medida, havia diretores favoráveis, também em grande número. O pleito nas instituições de ensino estava marcado para ocorrer no dia 26 de novembro, mas foi suspenso pelo governo na semana passada, por meio de decreto, até a apreciação do projeto pela AL.
No texto, o governo se compromete a promover, até 31 de dezembro de 2015, um amplo processo de discussão, com propostas "que possam embasar a revisão do modelo vigente". No entanto, não especifica que tipo de alteração seria estudada. "Hoje, da forma como está estabelecida a regra, o peso de um professor ou de um funcionário é muito maior que o de um pai ou aluno. Essa é uma das falhas gritantes. O processo deveria ser democrático, com igualdade de condições", argumentou Traiano. Ele também defendeu a oferta de cursos de gestão àqueles que pretendam ocupar os cargos de direção.
"Não é compreensível que, faltando menos de 20 dias para as eleições, uma determinação do governador suspenda por um ano com a alegação de que esses diretores futuros e atuais vão ser qualificados", rebateu o líder do PT, Tadeu Veneri. O petista voltou a dizer que não se pode "mudar as regras com o jogo em andamento".
O presidente da APP, Hermes Leão, informou que a entidade já entrou com um mandado de segurança junto ao Tribunal de Justiça (TJ) pedindo a revogação da resolução que suspendeu as eleições. Ele também contou que a categoria deve se reunir na manhã de hoje para estudar novas medidas judiciais. "Nós entendemos que foi quebrada a constitucionalidade. Estamos sofrendo um golpe na democracia do Paraná".
Confusão
Docentes retirados à força das galerias acusaram os seguranças da AL de truculência. A professora Sandra Gomes, de Paranavaí, disse que levou um tapa e um empurrão. "Eles vieram chutando, dando murro. Jogaram eu e outra professora, deram na minha cara. Isso é um desrespeito. Saio daqui decepcionada, humilhada, doente e envergonhada", lamentou. "É por isso que a sociedade pensa que todos os políticos são ladrões", acrescentou o professor de História Roberto Dias, de Tereza Cristina. Câmeras de vídeo flagraram mais um educador levando chutes. De acordo com Hermes Leão, os agredidos foram orientados a fazer exame de corpo de delito.
"Nós tínhamos pessoas na galeria xingando os parlamentares há muito tempo. Eu vinha avisando, avisando, e chega um determinado momento em que o respeito tem que prevalecer", justificou-se Rossoni. Questionado se houve excesso por parte dos seguranças, ele falou que, quando é preciso manter a ordem, "pode ocorrer isso". "Lamento que as pessoas não respeitem o recinto em que se encontram. Os seguranças estão a serviço do presidente, o presidente determinou a retirada e assim deve ser feito".
Mariana Franco Ramos
Reportagem Local-folha de londrina
Reportagem Local-folha de londrina

