Uso de ‘rebite’ é comum entre caminhoneiros
Profissionais do volante recorrem a substâncias psicoativas para cumprir jornadas extensas

Extensas jornadas de trabalho influenciam negativamente na saúde dos caminhoneiros
Londrina - Pressionados para chegar rápido ao destino das cargas que transportam, caminhoneiros dirigem com sono, abusam da velocidade nas rodovias e muitas vezes trabalham sob efeito de substâncias psicoativas, correndo maior risco de provocarem acidentes que podem ter consequências fatais. As extensas jornadas de trabalho também influenciam negativamente na saúde dos profissionais, que via de regra apresentam sobrepeso, dores, sedentarismo e doenças crônicas não transmissíveis como hipertensão e diabetes.
Em pesquisa realizada para o programa de doutorado em Saúde Coletiva da Universidade Estadual de Londrina (UEL), de autoria do farmacêutico e bioquímico Edmarlon Girotto, que também é professor da instituição, foram entrevistados 670 motoristas que frequentaram o pátio de triagem do Porto de Paranaguá em 2012. Segundo o levantamento, 50,7% dos entrevistados relataram ter feito uso de substâncias psicoativas como anfetaminas – mais conhecidas como "rebites" – e cocaína, cujo efeito é manter a pessoa acordada, em algum momento da vida. Além disso, 10,9% deles relataram o uso de substâncias nos 30 dias anteriores à pesquisa. O pesquisador realizou também um teste de urina com 10% dos caminhoneiros entrevistados. Entre esta amostra, 8% apresentaram positividade para o uso das substâncias. "Significa que fizeram uso nos últimos dias, possivelmente enquanto estavam dirigindo", alerta.
Outros riscos associados, com potencial de causar acidentes, foram identificados. Trinta por cento dos caminhoneiros relataram sentir sonolência, mais de 20% deles informaram ultrapassar o limite de 110 Km/h com certa frequência e 30% disseram passar pelo menos metade do tempo dirigindo durante a noite. Diante destas condições, 40% revelaram ter se envolvido em acidentes durante a vida e 7,3%, no último ano.
Sobre o uso de substâncias psicoativas, o pesquisador concluiu que são consumidas principalmente quando a distância a ser percorrida é muito longa, por motoristas que dirigem à noite e possuem maior renda. "Como quase 90% possuem salário baseado em produtividade, consomem para ficar mais tempo acordados para trabalhar", afirma. Motoristas que dirigem cansados e os mais jovens também apresentam tendência maior de consumo.
Outro fator associado que predispõe a acidentes, segundo o pesquisador, é o menor tempo de experiência no trabalho. "Não é um dado científico, mas observamos que faltam motoristas experientes no mercado", afirma Girotto, que foi motivado a realizar a pesquisa por ter vários caminhoneiros na família.
Ele constatou ainda que mais de 60% dos motoristas entrevistados apresentam problemas de saúde, como dores, hipertensão e diabetes. Além disso, 70% são sedentários e 80% têm sobrepeso ou obesidade. O resultado não surpreende o pesquisador. "Trabalhando 12 horas por dia, longe de casa, que horas o caminhoneiro vai se exercitar ou ir ao médico?", questiona.
Ao final do estudo, ele concluiu que as más condições de trabalho predispõem ao uso de drogas e acidentes de trânsito, o que torna essencial regulamentar a carga horária da categoria e promover a fiscalização efetiva do cumprimento das regras. "Para cumprir a Lei do Descanso, por exemplo, é preciso ter locais adequados ao longo das rodovias", comenta, referindo-se à lei que estabelece um mínimo de 11 horas de descanso para os motoristas e pausas de meia hora a cada quatro horas.
Em pesquisa realizada para o programa de doutorado em Saúde Coletiva da Universidade Estadual de Londrina (UEL), de autoria do farmacêutico e bioquímico Edmarlon Girotto, que também é professor da instituição, foram entrevistados 670 motoristas que frequentaram o pátio de triagem do Porto de Paranaguá em 2012. Segundo o levantamento, 50,7% dos entrevistados relataram ter feito uso de substâncias psicoativas como anfetaminas – mais conhecidas como "rebites" – e cocaína, cujo efeito é manter a pessoa acordada, em algum momento da vida. Além disso, 10,9% deles relataram o uso de substâncias nos 30 dias anteriores à pesquisa. O pesquisador realizou também um teste de urina com 10% dos caminhoneiros entrevistados. Entre esta amostra, 8% apresentaram positividade para o uso das substâncias. "Significa que fizeram uso nos últimos dias, possivelmente enquanto estavam dirigindo", alerta.
Outros riscos associados, com potencial de causar acidentes, foram identificados. Trinta por cento dos caminhoneiros relataram sentir sonolência, mais de 20% deles informaram ultrapassar o limite de 110 Km/h com certa frequência e 30% disseram passar pelo menos metade do tempo dirigindo durante a noite. Diante destas condições, 40% revelaram ter se envolvido em acidentes durante a vida e 7,3%, no último ano.
Sobre o uso de substâncias psicoativas, o pesquisador concluiu que são consumidas principalmente quando a distância a ser percorrida é muito longa, por motoristas que dirigem à noite e possuem maior renda. "Como quase 90% possuem salário baseado em produtividade, consomem para ficar mais tempo acordados para trabalhar", afirma. Motoristas que dirigem cansados e os mais jovens também apresentam tendência maior de consumo.
Outro fator associado que predispõe a acidentes, segundo o pesquisador, é o menor tempo de experiência no trabalho. "Não é um dado científico, mas observamos que faltam motoristas experientes no mercado", afirma Girotto, que foi motivado a realizar a pesquisa por ter vários caminhoneiros na família.
Ele constatou ainda que mais de 60% dos motoristas entrevistados apresentam problemas de saúde, como dores, hipertensão e diabetes. Além disso, 70% são sedentários e 80% têm sobrepeso ou obesidade. O resultado não surpreende o pesquisador. "Trabalhando 12 horas por dia, longe de casa, que horas o caminhoneiro vai se exercitar ou ir ao médico?", questiona.
Ao final do estudo, ele concluiu que as más condições de trabalho predispõem ao uso de drogas e acidentes de trânsito, o que torna essencial regulamentar a carga horária da categoria e promover a fiscalização efetiva do cumprimento das regras. "Para cumprir a Lei do Descanso, por exemplo, é preciso ter locais adequados ao longo das rodovias", comenta, referindo-se à lei que estabelece um mínimo de 11 horas de descanso para os motoristas e pausas de meia hora a cada quatro horas.
Carolina Avansini
Reportagem Local-FOLHA DE LONDRINA
Reportagem Local-FOLHA DE LONDRINA

