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Campanha pretende castrar mil animais de rua

Meta é reduzir a superpopulação de cães e gatos abandonados em Londrina

Fotos: Lis Sayuri
ONG estima que Londrina tem hoje cerca de 55 mil animais abandonados; para prefeitura, são 30 mil
Moradora do Jardim União da Vitória 1, Angela Maria Gomes diz que está acostumada a recolher cães das ruas do bairro
Demorou, mas a administração municipal voltou as atenções para o problema da superpopulação de animais abandonados nas ruas de Londrina. Um chamamento público foi publicado para fazer parceria com clínicas e hospitais veterinários interessados na realização de procedimentos cirúrgicos de esterilização e castração de cães e gatos. O edital está disponível no portal www.londrina.pr.gov.br.

O secretário de Saúde, Mohamad El Kadri, explica que o objetivo da ação é promover o controle da população e, com isso, diminuir também o risco de transmissão de doenças. A campanha, com duração total de um ano, será dividida em três fases, de quatro meses cada. Na primeira, serão atendidos animais que possuem guardião cadastrado no programa Bolsa Família. Em seguida, o alvo serão os cuidadores de animais, e por fim, as organizações não governamentais que recolhem os bichos abandonados.

El Kadri admite que a medida pode ser um paliativo para a espera do Centro de Controle de Zoonoses, que ainda não saiu do papel. "Não é só uma medida paliativa. Sabemos que para controlar o problema será preciso várias medidas e a castração é uma delas", afirmou.

Acostumada a conviver com o problema, a presidente da Associação Defensora dos Animais (ADA), Anne Moraes, que atualmente cuida de 400 animais abandonados, não acredita na efetividade da iniciativa. "Isso aí não vai ter nenhum aspecto na vida dos animais de rua, somente dos que já têm proprietários. As pessoas que têm Bolsa Família têm casa e o animal tem um dono. A Prefeitura tinha que focar nos que estão na rua, pois são eles que transmitem as doenças e que procriam sem controle. Para a ONG, não vai surtir efeito algum", afirmou a representante da entidade, que todos os dias recebe 40 novos pedidos de resgate.

Segundo a Prefeitura, o programa poderá ser prorrogado após o término desta fase. Para este primeiro ano, serão investidos R$ 22,5 mil por mês, num total de R$ 270 mil. El Kadri acrescenta que será pago entre R$ 195 e R$ 420 por castração. "Isso vai depender muito se é macho ou fêmea e também do peso do animal", explicou.

A médica veterinária Ana Claudia Zini, de Londrina, diz que o valor está bem próximo do praticado no mercado, o que pode fazer com que a Prefeitura consiga candidatos a realizar o serviço. "Pode ser que haja, sim, clínicas interessadas. O problema maior é a compra do chip (para identificação), que é importado, e a medicação", apontou.

A campanha prevê, além da castração, a vermifugação, vacinação e a identificação permanente dos animais por meio da implantação de chip eletrônico. Desta forma, será possível colher dados que relacionam o animal ao seu dono, através de um número de identificação único. "A nossa ideia é manter o programa depois deste primeiro ano, pois acreditamos que num futuro bem próximo a gente já tenha uma diminuição do número de animais de rua", projetou El Kadri.

O objetivo neste primeiro ano é castrar mil animais. De acordo com a ADA, a cidade tem hoje cerca de 55 mil animais abandonados. Já a Prefeitura diz que são perto de 30 mil.

Moradora do Jardim União da Vitória 1 (zona sul), a vendedora Angela Maria Gomes diz que está acostumada a retirar cães das ruas do bairro. "Aqui tem bastante, sempre aparece. Muitas pessoas ainda ajudam, mas a gente não dá conta. Acho que é importante a ideia, pode diminuir esse sofrimento deles", elogiou. "Mas é preciso também que as pessoas se conscientizem. Tem muita gente que pega o cachorro e depois larga na rua quando fica doente. Aí fica difícil", cobrou a dona de casa Patricia Cristina da Silva, também moradora do União da Vitória.
Rafael Souza
Reportagem Local-folha de londrina
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