Gaeco prende 49 no esquema de propina na Receita
Apontado como "o verdadeiro gestor político" no Fisco estadual, o empresário Luiz Abi Antoun não foi encontrado

Apontado pelo Ministério Público (MP) como "o verdadeiro gestor político da Receita Estadual", o empresário Luiz Abi Antoun, parente distante do governador Beto Richa (PSDB) e figura com trânsito livre no Palácio do Iguaçu até ser preso em março por fraude em licitação, é um dos envolvidos na segunda fase da Operação Publicano, deflagrada ontem pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Londrina, que continua a apurar a existência e forma de atuação de uma organização criminosa na Receita Estadual de Londrina. A quadrilha achacava empresários e teria arrecadado, nos últimos anos, cerca de R$ 1 milhão mensal em propina.
Desta vez, 59 mandados de prisão foram expedidos pelo juiz da 3ª Vara Criminal de Londrina, Juliano Nanuncio – inclusive contra a Abi, que não foi localizado ontem – e 49 haviam sido cumpridos até às 19 horas. Os promotores do Gaeco não revelaram os indícios que pesam contra os detidos, mas Abi – responsável por indicar os cargos de chefia na Receita, inclusive Márcio de Albuquerque Lima, apontado, na primeira fase da operação, como líder da quarilha – teria participação importante na hierarquia da organização.
Segundo declarações do auditor Luiz Antonio de Souza, preso desde fevereiro por envolvimento também com um esquema de exploração sexual de adolescentes, e que há um mês fez acordo de delação premiada com o MP, Abi "dava ordens" no órgão de arrecadação e teria, inclusive, determinado que auditores arrecadassem dinheiro para a campanha de reeleição de Beto, em 2014. O acordo está sob sigilo judicial, mas o advogado do auditor, Eduardo Duarte Ferreira, concedeu entrevistas revelando parte das declarações do cliente.
Abi foi preso em 16 março, na Operação Voldemort, acusado de ser o líder de uma quadrilha que fraudou a contratação da oficina mecânica Providence para prestar serviços ao governo do Estado. A Providence, de fato, pertence a Abi, conforme denúncia que tramita na 3ª Vara Criminal, embora o mecânico Ismar Ieger se apresente como dono.
Abi não foi encontrado ontem em sua residência durante o cumprimento do mandado de prisão. Sua mulher, Eloíza Pinheiro Abi Antoun, diretora administrativa da Sercomtel, teria informado aos agentes do Gaeco que ele havia viajado na noite anterior e não soube informar o paradeiro do marido.
O auditor Márcio de Albuquerque Lima, que já foi delegado da Receita em Londrina e, até ter a prisão decretada pela Publicano 1, em 20 de março, era o inspetor-geral de Fiscalização da Receita do Paraná, foi preso novamente ontem. Em delação premiada, o auditor Luiz Antonio de Souza disse que foi Lima quem repassou as ordens de Abi para arrecadar dinheiro para a campanha de Beto.
A mulher de Lima, Ana Paula Pelizari Lima, também auditora da Receita de Londrina, teve a prisão decretada. Mas ela já está presa desde 21 de maio quando se entregou depois de passar semanas foragida. Dos 15 auditores acusados na primeira fase da Publicano, nove tiveram a prisão decretada ontem: além de Lima e sua mulher, estão no rol Marco Antonio Bueno, José Luiz Favoreto (que permanece preso em razão de envolvimento em esquema de exploração sexual), Miguel Arcanjo Dias, Ranulfo Dagmar Mendes, Ricardo de Freitas, Ademir de Andrade e Amadeu Serapião. (leia mais na página 4)
Desta vez, 59 mandados de prisão foram expedidos pelo juiz da 3ª Vara Criminal de Londrina, Juliano Nanuncio – inclusive contra a Abi, que não foi localizado ontem – e 49 haviam sido cumpridos até às 19 horas. Os promotores do Gaeco não revelaram os indícios que pesam contra os detidos, mas Abi – responsável por indicar os cargos de chefia na Receita, inclusive Márcio de Albuquerque Lima, apontado, na primeira fase da operação, como líder da quarilha – teria participação importante na hierarquia da organização.
Segundo declarações do auditor Luiz Antonio de Souza, preso desde fevereiro por envolvimento também com um esquema de exploração sexual de adolescentes, e que há um mês fez acordo de delação premiada com o MP, Abi "dava ordens" no órgão de arrecadação e teria, inclusive, determinado que auditores arrecadassem dinheiro para a campanha de reeleição de Beto, em 2014. O acordo está sob sigilo judicial, mas o advogado do auditor, Eduardo Duarte Ferreira, concedeu entrevistas revelando parte das declarações do cliente.
Abi foi preso em 16 março, na Operação Voldemort, acusado de ser o líder de uma quadrilha que fraudou a contratação da oficina mecânica Providence para prestar serviços ao governo do Estado. A Providence, de fato, pertence a Abi, conforme denúncia que tramita na 3ª Vara Criminal, embora o mecânico Ismar Ieger se apresente como dono.
Abi não foi encontrado ontem em sua residência durante o cumprimento do mandado de prisão. Sua mulher, Eloíza Pinheiro Abi Antoun, diretora administrativa da Sercomtel, teria informado aos agentes do Gaeco que ele havia viajado na noite anterior e não soube informar o paradeiro do marido.
O auditor Márcio de Albuquerque Lima, que já foi delegado da Receita em Londrina e, até ter a prisão decretada pela Publicano 1, em 20 de março, era o inspetor-geral de Fiscalização da Receita do Paraná, foi preso novamente ontem. Em delação premiada, o auditor Luiz Antonio de Souza disse que foi Lima quem repassou as ordens de Abi para arrecadar dinheiro para a campanha de Beto.
A mulher de Lima, Ana Paula Pelizari Lima, também auditora da Receita de Londrina, teve a prisão decretada. Mas ela já está presa desde 21 de maio quando se entregou depois de passar semanas foragida. Dos 15 auditores acusados na primeira fase da Publicano, nove tiveram a prisão decretada ontem: além de Lima e sua mulher, estão no rol Marco Antonio Bueno, José Luiz Favoreto (que permanece preso em razão de envolvimento em esquema de exploração sexual), Miguel Arcanjo Dias, Ranulfo Dagmar Mendes, Ricardo de Freitas, Ademir de Andrade e Amadeu Serapião. (leia mais na página 4)
Loriane Comeli
Reportagem Local-FOLHA DE LONDRINA
Reportagem Local-FOLHA DE LONDRINA


