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Produção de abacaxi diversifica agricultura familiar

Projeto pioneiro em Jacarezinho já conta com oito produtores envolvidos na atividade; mudas e insumos foram ofertados gratuitamente

Fotos: Marcos Zanutto
Luiz Antônio Ferreira Pinto e a esposa Angela Maria apostam no bom desenvolvimento da plantação de abacaxi: "Estou animado e já prevendo até aumentar a área de plantio"
"O plantio das mudas foi bem tranquilo e decidi aproveitar o espaço que já tinha aqui no pomar", diz Maria Rosa Pereira que divide a área com os pés de laranjas
Jacarezinho – A expressão "descascar o abacaxi" pode ser considerada uma boa alternativa de renda para os pequenos produtores da região de Jacarezinho que dependem da agricultura familiar. No segundo semestre do ano passado, oito produtores foram pré-selecionados para participar de um projeto que visa à diversificação da agricultura familiar por meio da fruticultura. Em parceria entre a Secretaria de Agricultura de Jacarezinho e o Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), foram fornecidos gratuitamente 24 mil mudas de abacaxi (da variedade Havaí), sendo três mil mudas para cada um dos agricultores participantes, além dos insumos necessários nessa etapa inicial. O projeto inclui também assistência técnica gratuita.

A ideia do projeto surgiu em julho do ano passado, na Fetexas 2014, após a realização de um seminário de diversificação sobre as culturas de maracujá e abacaxi, com o engenheiro agrônomo Aloísio Costa Sampaio, professor-adjunto do departamento de Ciências Biológicas da Universidade Estadual Paulista (Unesp/Campus Bauru), a produtora Marilda Aparecida Baggio Victor, que falou sobre a produção orgânica de hortaliças da Associação de Produtores Orgânicos, de Ribeirão Claro, e o engenheiro agrônomo Roberto Simões, da Emater de Cambará, que falou sobre o incentivo à olericultura.

"Durante o evento, houve um grande interesse pela produção de abacaxi e um outro fator que nos incentivou foi conhecer a produção bem-sucedida de abacaxi no município de Barra do Jacaré, que desde 2010 está investindo na produção dessa cultura e se manteve bem mesmo depois de enfrentar duas geadas", destacou o secretário municipal de Agricultura, José Rubens Rocha. "E a nossa intenção é que os produtos sejam destinados aos programas de merenda escolar e agricultura familiar, sendo que Jacarezinho e Telêmaco Borba são os dois municípios paranaenses que possuem armazéns de recebimento para produtos desse tipo de origem", informa.

Em média, o município oferta merenda para aproximadamente 5.700 alunos da educação básica. O quilo do abacaxi gira em torno de R$ 1,90, conforme tabela da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Para a venda direta ao consumidor, a unidade pode ser comercializada a R$ 3,00. De acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), o Brasil é o maior produtor mundial de abacaxi, uma das frutas favoritas da população brasileira. Em 2013, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o País produziu 1,5 milhão de toneladas da fruta.

BOA VONTADE E MANEJO CERTO
Mesmo cultivado em solo de textura média, não sendo considerado o mais ideal para a produção de abacaxi - que tende a se desenvolver melhor em terreno arenoso -, a plantação de abacaxi na propriedade do agricultor Luiz Antônio Ferreira Pinto, 52 anos, no bairro de Pinhalzinho, está viçosa e deve render bons frutos até o final do ano, já que em média leva-se um ano e quatro meses para a muda produzir. "Estou animado e já estou prevendo até aumentar a área de plantio", comenta o agricultor, que conta com a ajuda da esposa Angela Maria Jacob Ferreira Pinto, 56 anos. Na propriedade (localizada em meio a 30 mil hectares de cana-de-açúcar) também são cultivados mandioca, maracujá, milho e hortaliças. "Cada pé de abacaxi, rende de quatro a seis mudas e pretendo reaproveitar do que já tenho para o ano que vem, plantando de forma escalonada", adianta Ferreira.

O engenheiro agrônomo Thiago Alves de Souza, da Secretaria Municipal da Agricultura e do Meio Ambiente, acompanha a produção e cita que no local o cuidado maior é apenas com a correção do calcário pelo fato do terreno não ser arenoso. "O abacaxi gosta de solo mais ácido, e com boa vontade e o manejo certo é possível ter uma produção de qualidade como essa aqui", exemplifica. Sobre a necessidade de haver um período de descanso do solo antes de um novo plantio, ele observa que se o solo estiver em boa qualidade não é necessário esse período de pousio. A assistência técnica também conta com o trabalho da técnica em agropecuária Thais Maria Coccia, da Emater.

REAPROVEITANDO O POMAR
Já na propriedade da agricultora Maria Rosa Gonçalves Pereira, 49 anos, no bairro Ouro Grande, que integra uma associação de produtores com 18 famílias em 54 alqueires, o abacaxi está plantado entre pés de laranja e poncã, em solo mais arenoso. "O plantio das mudas foi bem tranquilo e decidi aproveitar o espaço que já tinha aqui no pomar", conta. As mudas estão bem desenvolvidas, mas ela chegou a enfrentar um problema de bactéria do solo que atacou o miolo do abacaxi, após duas semanas de chuvas. "Percebi rapidamente o problema, avisei o engenheiro agrônomo, e em pouco tempo controlamos o problema com o uso de bactericida", lembra. "Sempre estou atenta com o abacaxi, fico ‘chocando’ ele com os olhos", brinca. Satisfeita com a oportunidade de ampliar os negócios em sua pequena propriedade, onde ainda cultiva 130 pés de mamão formosa, sua família também está se organizando para plantar amora para atender a demanda de uma empresa de fiação que utiliza o bicho da seda. "O meu marido e o meu filho ainda trabalham na cidade para complementar a renda, mas o nosso sonho é viver exclusivamente do que produzimos aqui. Estamos animados", afirma.

Diante dos bons resultados do projeto-piloto pioneiro da produção de abacaxi, a Secretaria de Agricultura de Jacarezinho e a Emater agora estão se planejando para incentivar a produção local de bananas. No dia 9 de julho, dentro da programação da Fetexas 2015, que acontece de 8 a 12 de julho, em Jacarezinho, serão realizadas duas palestras técnicas: "Cultura da Banana", das 8h30 às 10h30, com o engenheiro agrônomo Fernando Teixeira de Oliveira (Emater/Andirá), e "Diversificação da Fruticultura", das 10h30 às 12 horas, com o engenheiro agrônomo Edson Roberto Vaz Ronque (Emater/Pinhalão).
Ana Paula Nascimento
Reportagem Local-FOLHA DE LONDRINA
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