Polícia deflagra a 2ª fase da Operação Quadro Negro em quatro estados
Ação investiga desvios de recursos públicos de obras em escolas.
Ao todo, serão cumpridos 11 mandados de busca e apreensão.
Policiais do Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce) cumprem, desde a madrugada desta terça-feira (22), a segunda etapa da Operação "Quadro Negro" no Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Bahia.
A ação conta com mais de 20 policiais dos quatro estados brasileiros e investiga supostos desvios de recursos públicos por meio de contratos com empresas para obras em escolas estaduais. Ao todo, serão cumpridos 11 mandados de busca e apreensão.
Conforme as investigações, o esquema funcionava a partir da fraude de relatórios produzidos por engenheiros subordinados ao chefe de fiscalização e obras da Secretaria de Educação. Até o momento, conforme a Polícia Civil, estão sendo analisados dez contratos firmados entre a empresa Valor e a Secretaria de Estado da Educação, entre os anos de 2011 e 2014.
Ainda de acordo com as invesigações, em muitos casos os fiscais assinavam relatórios de andamento das obras sem nunca terem ido aos locais onde elas ocorriam.
As obras investigadas são nas cidades de Santa Terezinha do Itaipu, Cornélio Procópio, Rio Negro, Campina Grande do Sul, Curitiba, Coronel Vivida, Joaquim Távora e Ponta Grossa.
Com isso, a Valor Construtora recebia pelos serviços, ainda que nunca os tivesse prestado. Segundo a polícia, a situação mais complexa é em Campina Grande do Sul, onde duas obras previstas estavam com apenas 1% realizado, enquanto constava 99% de conclusão nos documentos anotados.
Ao todo, a Valor recebeu, pelo menos, R$ 19 milhões do governo do estado para construir e reformar as 10 escolas paranaenses, segundo as investigações.
Existe ainda a suspeita de que o ex-diretor Maurício Fanini recebia 2% de cada fatura paga irregularmente à empresa. A fraude, conforme a polícia, também alterava o organograma para que os pagamentos fossem realizados.
Primeira fase
Em julho deste ano, na primeira fase da operação, cinco pessoas suspeitas de integrar o esquema foram presas. Entre os detidos estavam Fanini e a sócia-proprietária da Valor, Vanessa Domingues de Oliveira. Nesta fase, também foram apreendidos R$ 5 mil em dinheiro, computadores, celulares, pen-drives.
Em julho deste ano, na primeira fase da operação, cinco pessoas suspeitas de integrar o esquema foram presas. Entre os detidos estavam Fanini e a sócia-proprietária da Valor, Vanessa Domingues de Oliveira. Nesta fase, também foram apreendidos R$ 5 mil em dinheiro, computadores, celulares, pen-drives.
Um dia após as prisões, a empresa se ofereceu para terminar as obras, sem receber novos pagamentos do governo, numa tentativa de acordo, que não foi aceito.
Cinco dias depois, três suspeitos tiveram o prazo da prisão temporária expirado e deixaram a carceragem, em Piraquara. São eles: Vanessa Domingues de Oliveira, sócia proprietária da Construtora Valor, Viviane Lopes de Souza, engenheira da Valor e Tatiane Souza, ex-sócia da construtora.
Continuam presos
Eduardo Lopes de Souza, procurador da Valor
Maurício Fanini, ex-diretor de engenharia, projetos e orçamentos da Secretaria de Educação.
Eduardo Lopes de Souza, procurador da Valor
Maurício Fanini, ex-diretor de engenharia, projetos e orçamentos da Secretaria de Educação.
Em agosto deste ano, o Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) decidiu suspender contratos entre o governo do Paraná e a Valor Construtora.


