Chuvas deixam 170 mil desabrigados
Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai têm sido afetados pelos efeitos do El Niño; previsão é de mais chuva

No Paraguai, onde há 140 mil desabrigados, oito departamentos foram declarados em situação de emergência

O presidente argentino Mauricio Macri sobrevoou a cidade de Concórdia, na província de Entre Rios, atingida pela pior inundação desde 1959
Buenos Aires - A previsão de mais chuvas dá pouco espaço ao otimismo para os mais de 170.000 desabrigados das inundações no Brasil, Paraguai, Argentina, e Uruguai, levando as autoridades nacionais a apressar planos de ajuda.
No oeste do Rio Grande do Sul, 40 cidades sofrem com a cheia dos rios Uruguai e Quaraí, com mais de 2.200 famílias desabrigadas, segundo a Defesa Civil. Até sábado, 38 municípios gaúchos tinham sido afetados pelas fortes chuvas dos últimos dias, e 12 cidades estavam sob situação de emergência.
Ainda no Brasil, um deslizamento de terra matou quatro pessoas e feriu outras quatro em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo, na noite de sábado, como resultado das fortes chuvas, informou a secretaria de Segurança Pública.
No Paraguai, que vive uma das piores inundações em décadas, subiu para 140 mil o número de desabrigados, dos quais pelo menos 90 mil nas regiões ribeirinhas próximas a Assunção. "O rio está perto dos 8 metros. Nem as piores previsões indicavam que em dezembro poderíamos chegar a estes níveis no rio Paraguai", disse Julián Báez, titular da Direção de Meteorologia e Hidrologia paraguaia.
O governo determinou que os 7 mil moradores da cidade de Alberdi, 130 km ao sul, deixem a localidade devido a fissuras no muro de contenção, que poderiam provocar uma tragédia.
As inundações são acompanhadas de chuvas torrenciais, que neste fim de semana deixaram quatro mortos, esmagados na queda de árvores na região metropolitana de Assunção.
Além de Assunção, outros sete departamentos (estados) foram declarados em situação de emergência devido ao transbordamento de rios e riachos. Os especialistas esperam a normalização do nível do rio no final do mês de março.
‘Soluções definitivas’
Na Argentina, o presidente Mauricio Macri suspendeu as férias ontem para viajar à cidade de Concórdia, na província de Entre Rios, uma das três regiões mais afetadas pelas inundações que já deixaram 20 mil desabrigados em todo o país.
"Temos que nos comprometer com soluções definitivas", disse Macri em entrevista coletiva realizada em Concórdia, às margens do rio Uruguai, atingida pela pior inundação desde 1959 e onde há 10 mil desabrigados.
"Me comprometi que a Nação (governo federal) vai participar com 66% dos investimentos necessários para a construção de residências fora desta zona de cota baixa que hoje está inundada", destacou. O presidente também se comprometeu a elevar em um metro a barreira de contenção que protege Concórdia das cheias do rio Uruguai, chegando a 18 metros de altura.
Desde o início das enchentes, na semana passada, duas pessoas morreram e 20 mil foram evacuadas em três províncias do nordeste da Argentina, principalmente pela cheia dos rios Paraná e Uruguai.
Previsão de trégua
No Uruguai, o número de desabrigados nas inundações no norte do país aumentou de 9.083 a mais de 11.000, apesar da diminuição do nível do rio Cuareim, onde as cheias causaram o maior número de evacuações, informou ontem o Sistema Nacional de Emergência (Sinae).
Em seu último boletim, o Sinae revelou que do total de 11.357 desabrigados, 9.426 deixaram suas casas por vontade própria e 1.931 tiveram que ser evacuados.
Em Artigas, o departamento (estado) mais afetado, o nível do rio Cuareim, que provocou a evacuação de 6.005 pessoas, continuou caindo e está em 3,3 metros, bem abaixo da cota de segurança, que é de 10,2 metros. O órgão destacou, ainda, que "já retornaram às suas casas as pessoas que estavam desabrigadas no departamento de Rivera". Também foram afetados os departamentos de Paysandú, Salto (norte) e Río Negro e Durazno (centro).
As chuvas incessantes e as consequentes inundações provocadas pelas cheias de rios fronteiriços que banham países na bacia do rio Uruguai são provocadas em parte pelo fenômeno climático El Niño. Segundo a ONU, seus efeitos se acentuarão até o final do ano e o El Niño poderá manter seus efeitos até o terceiro trimestre de 2016.
France Presse-FOLHA DE LONDRINA


