Bombardeio em hospital mata ao menos 27 em Aleppo, na Síria



Defesa Civil carrega vítima após ataque aéreo a um hospital em Aleppo (Foto: Abdalrhman Ismail / Reuters)
O bombardeio de origem desconhecida ocorrido matou pelo menos 27 pessoas em Aleppo, no Norte da Síria, na noite de quarta-feira (27). Entre os mortos estão três crianças e três médicos, de acordo com informações divulgadas pela rede americana CNN na manhã desta quinta-feira (28).

A emissora "Al Jazeera" e a ONU atribuíram o ataque contra o hospital de Al Quds às forças governamentais. Um primeiro balanço tinha apontado 16 mortes. Entre os mortos está "um dos últimos pediatras" que havia na região, o doutor Wasem Maaz, acrescentou a "Al Jazeera", segundo a agência Efe.
Voluntários da defesa civil retiram corpo de homem dos destroços após ataques aéreos que destruíram imóveis no norte de Aleppo, na Síria, na quarta-feira (27) (Foto: Ameer Alhalbi / AFP)
Voluntários da defesa civil retiram corpo de homem dos destroços após ataques aéreos que destruíram imóveis no norte de Aleppo, na Síria, na quarta-feira (27) (Foto: Ameer Alhalbi / AFP)

As equipes de resgate trabalham para retirar os corpos e resgatar os sobreviventes que estão sob os escombros do edifício e o número de mortos ainda pode aumentar, acrescentou a emissora com sede no Catar.

A informação sobre a morte do pediatra foi confirmada na madrugada desta quinta em Genebra, pelo mediador da ONU nas negociações de paz para a Síria, Staffan de Mistura, que afirmou que um bombardeio aéreo contra um hospital no leste de Aleppo "provavelmente acabou com a vida do último pediatra" na região.

O mediador da ONU citou esse caso para pedir a Rússia e Estados Unidos que unam seus esforços para dar novo vigor à trégua na Síria e salvá-la "do colapso total".

"Faço um pedido a Rússia e EUA para que tomem uma iniciativa urgente para relançar a trégua, que, por enquanto, está em perigo", disse Staddan após informar por teleconferência ao Conselho de Segurança da ONU sobre o resultado da terceira rodada de negociações de paz que terminou na quarta.

O aumento das hostilidades em Aleppo foi repercutido também pela agência oficial síria, "Sana", que reportou que sete civis morreram e outros 35 ficaram feridos em ações de organizações terroristas, no que a agência considerou como novas violações do cessar-fogo.

Uma fonte do comando da polícia de Aleppo disse em um comunicado citado pela "Sana" que o grupo terrorista Frente al Nusra e outros ligados a essa organização foram os responsáveis por esses ataques em várias áreas de Aleppo.

Pelo menos 107 civis morreram, entre eles 20 menores de idade, desde 22 de abril na onda de violência que assola a cidade de Aleppo, informou na quarta o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

A ONG afirmou que 61 das vítimas morreram em bombardeios de aviões de guerra em áreas como Al Mogair, Al Firdus, Al Sajur, Al Muasal, Bab al Neirab, Sukan Shababi e Al Ansari, na cidade de Aleppo.

Outras 38 pessoas morreram pelo impacto de dezenas de foguetes de fabricação local e pela explosão de bujões de gás lançados contra áreas controladas pelo regime, como Nova Aleppo, Al Manian, Al Mokambo, Al Ashrafie, Seif al Daula e Al Khalediya.
 

O OSDH acrescentou que oito civis morreram pelo disparo de projéteis por parte das forças governamentais nos distritos de Aqiud, Al Yazmati e Bustan al-Qaser al-Jarya.

Nos últimos dias, houve um aumento das hostilidades em Aleppo, que está dividida, com alguns bairros controlados pelas autoridades sírias e outros em poder de facções islâmicas, apesar do cessar-fogo que vigora na Síria desde 27 de fevereiro.

O acordo de trégua foi aceito pelo governo em Damasco e pela Comissão Suprema para as Negociações, a principal aliança de oposição ao regime no país, mas o cessar-fogo não inclui os grupos armados considerados terroristas como o Estado Islâmico e a Frente al-Nusra (al- Qaeda).
FONTE - GLOBO.COM
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