Michel Temer diz que querem ‘desqualificá-lo’



Presidente da República em exercício, peemedebista critica "eventuais agressões" do governo e dos apoiadores de Dilma

Anderson Riedel/VPR
"O Brasil não merece desqualificação por meio de eventuais agressões à vice-presidência", disse Michel Temer, que se encontra hoje com Henrique Meirelles, ex-presidente do BC

Brasília - O vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), disse ontem que o governo e os apoiadores da presidente Dilma Rousseff querem "desqualificar" sua posição "por meio de eventuais agressões". Sem citar o nome de Dilma, que concedeu entrevista a jornalistas estrangeiros e classificou como "golpe" capitaneado por Temer o processo de impeachment, o vice, que desde quinta-feira é o presidente em exercício com a ida de Dilma a Nova York, justificou suas declarações à imprensa internacional na quinta-feira, nas quais rechaçou a tese defendida pelo Palácio do Planalto.

"Fui provocado para aquelas entrevistas. Achei que deveria dizer alguma coisa à imprensa internacional já que houve manifestação [da presidente Dilma] à imprensa internacional, especialmente pretendendo desqualificar a minha posição. Aí não é coisa de vice-presidente, é uma coisa do Brasil. O Brasil não merece desqualificação por meio de eventuais agressões à vice-presidência", declarou Temer.

Ele classificou como "adequado e nada mais do que isso" o discurso de Dilma ontem na sede da ONU, em Nova York. Durante cerimônia do Acordo de Clima de Paris, a presidente disse que o Brasil vive um momento "grave" e que os brasileiros saberão impedir "um retrocesso".
Aliados da petista defendiam um discurso mais duro da presidente na ONU, denunciando o que chamam de caráter "golpista" do processo de impeachment que corre no país. Assessores mais próximos, porém, avaliaram que ela deveria fazer um discurso de "chefe de Estado", com apenas uma "menção sutil" à crise política no Brasil.
A estratégia era endurecer a fala em entrevistas coletivas e declarações a jornalistas durante a viagem a Nova York.

ROTINA
Presidente da República em exercício, Temer voltou a Brasília na noite de quinta após uma manifestação em frente à sua casa, em São Paulo, que o chamava de "golpista" e logo depois de Dilma embarcar para os Estados Unidos.
O peemedebista passou a manhã de ontem no Palácio do Jaburu, residência oficial da vice-presidência, e chegou a seu gabinete logo após o almoço, por volta das 14h30.
Sem o habitual terno e gravata, o vice recebeu apenas o senador Helio José (PMDB), que anunciou nesta sexta seu voto pela admissibilidade no Senado do processo de impeachment de Dilma, e voltou ao Jaburu após poucos mais de duas horas.
Hoje, Temer deve receber o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles no Jaburu. Meirelles é cotado para o Ministério da Fazenda em um eventual governo do peemedebista. Segundo o peemedebista, ele tem sido procurado "por muita gente" mas, por enquanto, está "apenas ouvindo".
Marina Dias
Folhapress/FOLHA DE LONDRINA
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