Goiaba do Norte Pioneiro conquista selo de procedência



Produtores de Carlópolis e Ribeirão Claro recebem em junho a certificação de Indicação Geográfica; fruta é o terceiro produto paranaense a obter certificado

Fotos: Marcos Zanutto
Neusa e Noriaki Akamatsu seguem duas normas que foram fundamentais para a conquista do selo: o ensacamento da goiaba para redução de pragas e a poda total
Produtores de Carlópolis adotam o ensacamento manual, que além de prevenir pragas reduz o resíduo de agrotóxicos nos frutos, exigência do mercado europeu
"A certificação é para o grupo, ou seja, se alguém não cumprir com as normas todos são responsabilizados", explica Adhemar Martins, consultor do Sebrae

Carlópolis - Dois projetos de certificação pretendem impulsionar a produção de goiaba vermelha de Carlópolis e Ribeirão Claro, e colocar a fruta no mercado europeu. Com o apoio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-PR), a Associação dos Olericultores e Fruticultores de Carlópolis (APC) conquistou o selo de Indicação Geográfica (IG) de procedência. O lançamento da certificação, concedida pelo Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (Inpi), está marcado para o dia 23 de junho. A APC também trabalha para obter a certificação Globalgap, selo obrigatório para a exportação de frutas para a Europa.
A goiaba é o terceiro produto com indicação geográfica do Paraná. Os cafés especiais do Norte Pioneiro obtiveram em 2012 e o mel de Ortigueira em 2015. Ambos na categoria denominação de origem.
A indicação de procedência se refere ao nome do local em que o produto se tornou conhecido, seja pelo processo de produção ou história cultural. Já a denominação de origem está ligada as qualidades atribuídas por sua origem geográfica, como características de solo.
O projeto para a certificação começou em outubro do ano passado com 20 produtores de Carlópolis e Ribeirão Claro. Dois desistiram ao longo do processo. Para participar, os agricultores precisam seguir normas de produção e de manejo de pragas. Duas práticas agrícolas foram fundamentais para a conquista do selo: o ensacamento da goiaba para redução de pragas e a poda total.
Os produtores rurais certificados passarão por auditorias internas feitas pelos consultores do Sebrae e, uma vez por ano, serão auditados por uma consultoria externa. "A certificação é para o grupo, ou seja, se alguém não cumprir com as normas todos são responsabilizados", explica Adhemar Augusto Martins, consultor do Sebrae.
Com a IG, a goiaba ganha valor agregado, abre a possibilidade de conquista de novos mercados e permite a rastreabilidade do produto. O selo terá todas as informações sobre a produção.
A produção de Carlópolis gira em torno de 35 a 40 toneladas por hectare. A área plantada é de 500 hectares. A estimativa da associação é que de cerca de 50 hectares farão parte do projeto.
Hoje, a goiaba do Norte Pioneiro é comercializada em São Paulo, Santa Catarina e Paraná. "O nosso objetivo é produzir com qualidade e ter um produto diferenciado para abrir novos mercados", afirma Airton Capote, presidente da APC.
Os grande desafios dos produtores rurais serão a gestão da produção e a adoção de boas práticas agrícolas. "A conquista do IG é consideravelmente fácil. O difícil é a implementação. A associação, por exemplo, terá que adaptar a estrutura física, criar área de divisão de parte suja e limpa, demarcação do espaço da produção certificada, melhorar a sinalização", comenta Capote.

RENTABILIDADE
O produtor Noriaki Akamatsu, de 53 anos, e a mulher, Neusa Akamatsu, de 51, cultivam goiaba desde 1986. Começou com a goiaba branca e hoje investe na vermelha. Ele é um dos 18 agricultores certificados e está otimista que a certificação venha aumentar a lucratividade. "O IG não agrega apenas valor à fruta, mas ajuda na gestão e manejo. A propriedade acaba sendo mais eficiente e com uma maior produtividade", disse Akamatsu.
O agricultor tem experiência com a certificação. O café produzido por ele também tem o selo de indicação geográfica. E, na época, precisou adaptar as propriedades às exigências da certificação. Entre as mudanças adotadas, está a construção da ‘casa de veneno’, um lugar adequado para o manejo dos defensivos agrícolas.
Com o café a rentabilidade não empolgou o produtor, principalmente, por sua produção ser pequena. Mas com as goiabas, as expectativas estão altas. "A produção de goiaba está expandindo e o produtor precisa investir na diferenciação do produto para não ser mais um no mercado", enfatiza.
Ele aposta no sistema de poda total, o que permite que o agricultor organize a colheita durante o ano. Ele colhe entre abril e novembro. "Fujo da alta da safra que é em janeiro e fevereiro, quando a demanda é maior e o preço cai."
A sua produção anual é entre 20 e 25 toneladas e é comercializada em Curitiba e Santa Catarina. O ensacamento da fruta também faz parte das práticas da família desde o início.
Como Akamatsu não pretende ampliar a produção, para continuar com o negócio na família, o IG chega como oportunidade de agregar valor ao produto e aumentar os lucros. "Com menos, você consegue mais."
Para ele, a certificação, inclusive a Globalgap, é uma alternativa para uma maior rentabilidade de propriedade. "Com uma fruta de qualidade você não vai precisar ficar correndo atrás. O mercado vai querer a tua produção."
Aline Machado Parodi
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA
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