Queda do poder de consumo reduz classes mais altas




Estudo aponta que houve diminuição de domicílios que se enquadram nas faixas A, B1, B2 e C1 em Londrina


O poder de consumo dos londrinenses tem caído e retraído as classes mais altas, aponta levantamento do IPC Marketing em seu estudo IPC Maps, que analisa o potencial de consumo no Brasil. De acordo com o estudo, houve redução de domicílios que se enquadram nas classes sociais A, B1, B2 e C1, as de maior rendimento mensal, ou seja, a queda de rendimentos das famílias modificou as bases de cada categoria. Isso derrubou Londrina da 33ª para a 35ª colocação no ranking nacional de potencialidade de consumo.
O IPC Maps levanta o potencial de consumo desde 2005, estimando os gastos por setor e dividido por classes sociais. Com os dados, elenca rankings de estados e municípios do ponto de vista deste potencial.
De acordo com o levantamento, o potencial de consumo de Londrina será de R$ 13,4 bilhões em 2016, dos quais R$ 164,2 milhões virão dos lares rurais. Na área urbana, os domicílios da classe B representam 26,7% do total – 45,6% dos domicílios são da classe C e 24,6% da D e E.
Entretanto, o potencial de consumo da B, estimado em R$ 5,8 bilhões, representa 43,9% do total londrinense, enquanto à C cabem 34,9% (R$ 4,6 bilhões) e à D, 8,4% (R$ 1,1 bilhão). Os domicílios da classe A são apenas 3,1%, mas o potencial de consumo (quase R$ 1,7 bilhão) corresponde a 12,8% do total.
Segundo o diretor da IPC Marketing Marcos Pazzini, a ascensão social das classes mais baixas levou à segmentação das classes C em C1 e C2 e da B em B1 e B2, o que as levou, principalmente a B, a "uma fatia interessante de participação no potencial de consumo brasileiro". Por outro lado, ele ressalta a queda do poder de consumo das classes mais altas – a B, por exemplo, detinha, no ano passado, 50,3% do potencial de consumo de todas as classes sociais em Londrina no IPC Maps.
O professor do departamento de Economia da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Carlos Roberto Ferreira faz uma ressalva: o potencial de consumo da classe B é preservado por aqueles ainda empregados. "No consumo de primeira necessidade, as outras classes entram. Mas, de uma forma geral, é a B que ainda está empregada, que tem um pouco mais de renda e que ainda faz um certo consumo", avalia o professor, que estuda distribuição de renda.
Ainda de acordo com ele, em períodos de crise, a concentração de renda fica mais evidente. "Alguns que estavam na classe ‘A-’ passaram para a B, então foi afunilando mais. Há menos pessoas que se enquadram na classe A, a B ainda é mais numerosa (que a A) e tem mais recursos que as mais baixas", explica.
Sobre a queda no número de domicílios, o professor avalia que pode ser reflexo de desemprego em parte da família ou, nos casos de cargos de alto escalão, da ausência de reajustes e aumentos salariais num período de inflação alta. Isso afeta mais os profissionais que atuam em locais onde predomina o setor de serviços, como Londrina.
"Quando não há vendas, isso afeta cargos mais elevados, como os de gerentes. Alguns perdem o emprego, outros têm de manter o salário e não têm reajuste, isso não é uma coisa boa. É necessário ter uma diversificação maior e uma industrialização maior, porque a indústria traz mais retornos, empregos melhores", diz.

Luís Fernando Wiltemburg
Reportagem Local
FOLHA DE LONDRINA
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