SUS perde 23 mil leitos hospitalares em 5 anos, diz Conselho de Medicina



Pesquisa aponta que o Paraná é o quinto Estado que mais fechou vagas em hospitais públicos no período

Theo Marques/30-4-2014
O Paraná e outros 18 Estados registraram queda no número de leitos entre 2010 e 2015

Curitiba – O Paraná é o quinto Estado que mais perdeu leitos hospitalares públicos nos últimos cinco anos, conforme apontou estudo do Conselho Federal de Medicina (CFM). Eram 21.027 vagas em 2010, caindo para 18.907 em 2015, totalizando uma queda de 2.120 leitos. A pesquisa mostra que, em todo o País, nesse período, houve a extinção de 23.565 vagas exclusivamente para o Sistema Único de Saúde (SUS). Fazendo as contas, são 13 leitos a menos por dia no Brasil. Em dezembro de 2010, eram 335.482 leitos. Já em dezembro de 2015, esse número diminuiu para 311.917 (-7,5%). Os dados foram levantados pelo conselho a partir do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), base de dados do Ministério da Saúde.
Ao todo, 19 Estados registraram queda de leitos neste período. O Rio de Janeiro foi o que mais perdeu vagas (-7.052), seguido de Minas Gerais (-3.241), São Paulo (-2.908), Bahia (-2.126). Em geral, o Sudeste teve a maior redução no período (-13.086). No Distrito Federal, 807 leitos foram desativados. O número representa cerca de 20% do total de leitos existente na rede. Mas o levantamento apontou que não está ruim para todos, pois oito Estados tiveram aumento. São eles: Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Rondônia, Santa Catarina, Espírito Santo, Amapá, Mato Grosso do Sul e Tocantins.
Segundo o estudo do CFM, as especialidades que tiveram maior redução de leitos foram obstetrícia, psiquiatria, pediatria cirúrgica e cirurgia geral. Só de obstetrícia, são 5.021 leitos a menos no período. O conselho constatou que a queda do número de leitos tem aumentado nos últimos anos. O levantamento anterior da pasta, realizado em 2014, apontava 14 mil leitos a menos nos cinco anos anteriores.
Por outro lado, a rede privada teve aumento de 2.210 leitos no mesmo período. No Paraná, os hospitais particulares criaram 117 leitos nos últimos cinco anos, passando de 8.142 para 8.259.
Enquanto houve queda nos leitos de internação entre 2010 e 2015, os leitos de observação – utilizados como suporte para o atendimento de urgência ou em consultas – e de UTI cresceram nesse mesmo período. No primeiro caso, o aumento é de 14%. Já os leitos de UTI cresceram 23% – passaram de 33.425 em dezembro de 2010 para 40.960 em 2015. Para o conselho, no entanto, a quantidade oferecida desses leitos ainda é insuficiente para atender a população.

CONSEQUÊNCIAS
Para o CFM, a redução no número de leitos acaba por trazer maior demora no atendimento de pacientes, além de atrasos no diagnóstico e início do tratamento. Nos últimos anos, o Ministério da Saúde tem dito que a diminuição no número de leitos segue uma tendência mundial, relacionada a mudanças no modelo de atenção em saúde, com o avanço das ações de prevenção, por exemplo.
Em alguns casos, a redução também faz parte de políticas de saúde. É o caso da lei da reforma psiquiátrica, que prevê o fechamento de hospitais psiquiátricos no País, o que leva à redução de leitos dessa especialidade.
Para o presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Paraná, Luiz Ernesto Pujol, esse levantamento mostra que a saúde pública aponta para o "caos". "Um número de leitos tão grande que diminui, para uma população que cresce e extrapola essa perda", comentou. Ele lembrou o drama enfrentando pelos médicos que trabalham nas unidades municipais de saúde e nos prontos atendimentos e que vivenciam a situação de pacientes que passam dias em macas, nos corredores, à espera de leitos para internação. "E para UTI (Unidades de Terapia Intensiva) é pior ainda", ressaltou.
Pujol observou que se para o governo a pesquisa do CFM é estatística, para a população é uma realidade muito triste. "O que dizer para uma pessoa que perde um filho, um pai, um familiar por falta de leito hospitalar?", questionou. O presidente do CRM/Paraná afirmou que a crise na saúde pública está relacionada à falta de recursos financeiros, mas também ao mau gerenciamento dos recursos disponíveis. "Temos novos dirigentes nesse País, mas não podemos ter expectativa que isso se resolva em pouco tempo. Foram anos e anos de má gestão, de desvios e de atendimento desumano com a nossa população", criticou. (Com Folhapress)



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Adriana De Cunto
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA
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