Após geada, produtores de milho começam a acionar Proagro



Quebra do grão ultrapassa facilmente 50% em algumas áreas de Londrina e região; nível de perdas ainda é nebuloso, diz Emater

Marcos Zanutto
Retrato da queima do milho em Irerê, distrito de Londrina; na vizinha Paiquerê tem produtor estimando perdas de 70% na área plantada

Um milho queimado e completamente perdido. É o que se vê claramente por diversos distritos de Londrina numa breve passagem pelas lavouras da região. Ainda é difícil prever o que a terrível combinação climática de estiagem em abril e geada em junho trouxe aos produtores da commodity na atual safra, mas a reportagem da FOLHA apurou que a quebra do grão ultrapassa facilmente 50% em algumas áreas da região Norte. Ontem à tarde, o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura (Seab) divulgou um primeiro levantamento de safra após a geada, com quebra de 1% para o milho, com 11,4 milhões de toneladas. Mas vale dizer: apenas 10% da segunda safra foram colhidos até agora, ou seja, o estrago será bem maior.

Não por acaso, pequenos e médios produtores da região já estão acionando o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), que garante a exoneração de obrigações financeiras relativas à operação de crédito rural de custeio caso haja perdas pela ocorrência de fenômenos naturais (o caso da safra atual), pragas ou doenças que atinjam as plantações. "Nós recomendamos que aqueles produtores que estão prevendo um percentual considerável de perda já acionem a visita do perito, por se tratar de um programa burocrático. Caso o pedido seja indeferido, é preciso entrar com um processo administrativo em até 30 dias para tentar reverter a negativa", explica o economista do Departamento Técnico Econômico (DTE) da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Pedro Loyola.

O coordenador regional do Instituto Emater, Ildefonso José Haas, relata que o nível de perdas na região ainda é "nebuloso", mas confirma que algumas áreas nos distritos de Guaravera, Paiquerê, Irerê e no município de Tamarana sofreram mais com as geadas de junho. "Mesmo queimando boa parte das folhas, se a espiga se manteve verde, ainda pode acontecer o enchimento dos grãos. Mas isso vai depender do estágio que a lavoura foi atingida".

Seca e geada
Os agricultores que conversaram com a FOLHA não tiveram essa sorte. Produtor numa área de 165 alqueires no distrito de Paiquerê, Adão de Pauli plantou milho no dia 10 de fevereiro em 40% da sua área. A expectativa era de uma produtividade entre 270 e 280 sacas por alqueire, mas com a seca de abril e a geada de junho, a perda deve chegar a 50%. O frio atingiu violentamente sua lavoura na madrugada do dia 12 para 13 de junho. "A região que planto é bastante fria e de altitude. Nesta safra pegamos seca e geada, então ficou bastante complicado. Se a queda de temperatura tivesse ocorrido na segunda quinzena de julho, teríamos escapado, mas quando a geada ocorre em maio ou junho, aí atinge a lavoura num período crítico". A expectativa de Pauli é colher pelo menos 140 sacas por alqueire, para pelo menos cobrir os custos de produção. "Já acionei o Proagro, mas com a burocracia, sei que a novela vai longe".

A situação também é bastante complicada para João Sérgio Blanco, que apostou numa área de 27 alqueires de milho no distrito de Paiquerê. Em sete alqueires, ele perdeu toda a produção, e nos outros 20, estima uma violenta retração de 70%. "Plantei no início de março e minha expectativa era de 230 a 250 sacas por alqueire. Ano passado, apostei no trigo e este ano achei que teria melhor rentabilidade no milho. Uma troca que, infelizmente, me gerou grande prejuízo", finaliza.

Victor Lopes
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA
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