Contra o manejo inadequado da água e do solo






Descaso com recursos naturais resulta em erosão, assoreamento e contaminação de rios; consequências vão além dos limites das propriedades rurais

Marcos Zanutto/02-09-2013
Plantio direto não resolve problema de contaminação da água por um herbicida muito utilizado no cultivo do milho, diz pesquisador

A preservação da água e do solo foi tema de evento ontem no Instituto Agronômico do Paraná (Iapar). A atividade faz parte da programação da Semana do Meio Ambiente, que ocorre até o dia 11, por ocasião do Dia Mundial do Meio Ambiente (dia 5). Representantes do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) de Londrina, da Secretaria Municipal do Ambiente (Sema), do Iapar e da Promotoria do Meio Ambiente do Ministério Público do Estado do Paraná falaram sobre os principais problemas ambientais no campo, suas causas e medidas para minimizar os danos ao meio ambiente. O objetivo era conscientizar agricultores, lideranças, autoridades e profissionais sobre os cuidados com o meio ambiente.
De acordo com Paulo Roberto Mrtvi, responsável local da Emater Londrina, as erosões e o consequente assoreamento dos rios, bem como a aplicação inadequada dos agrotóxicos, são dois dos principais problemas enfrentados hoje. Ele comenta que muitos agricultores têm a percepção de que, por utilizarem a técnica do plantio direto – que auxilia no controle da erosão a partir da utilização de palha decomposta sobre o solo -, não é necessário aplicar medidas de conservação do solo - como as curvas de nível. O que não é verdade. "Em qualquer lugar a água vai cair e não conseguir se infiltrar no solo. O solo é um patrimônio da humanidade. Os produtores têm o direito de usufruir dele, mas eles também têm que pensar no que vão deixar para seus filhos, netos, bisnetos."
"A natureza leva de 100 a 400 anos para formar um centímetro de solo", observa ainda Cristina Célia Krawulski, engenheira agrônoma do Emater Londrina. Ontem, ela deu orientações aos presentes sobre o manejo adequado da água e do solo. A secretária municipal do Ambiente, Liane Aparecida Lima, também alertou para o período de chuvas em Londrina, que agrava o processo de erosão do solo. "De junho de 2015 a maio de 2016, choveu 90% mais que no ano passado. Como as áreas rurais não têm preparo do solo local, a água escorre e vai também para as estradas rurais."

Poluição tóxica
Paulo Guilherme Ribeiro, pesquisador da área de Fitorremediação do Iapar, alerta ainda sobre a poluição do leito de rios com substâncias tóxicas, como a atrazina, herbicida cuja ação sobre os seres vivos já foi comprovada por meio de pesquisas como altamente prejudicial. Por ser barato e eficiente, o seu uso ainda é muito difundido pelo mundo. Segundo Ribeiro, pesquisa realizada pela Embrapa Florestas já mostrou concentração da substância no rio Tibagi 35 vezes acima do máximo recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
Conforme expôs Ribeiro, pesquisas também mostram que a técnica do plantio direto evita que o solo vá para os rios, mas não impede que a atrazina contamine a água. "Esse sistema tem uma série de virtudes, mas não é capaz de fazer a filtragem dos herbicidas. Não existe filtro para a atrazina. É como jogar açúcar na água", explica. De acordo com o pesquisador, a atrazina é uma substância persistente e cumulativa no solo e a contaminação da água aumenta em períodos de chuva.
Na visão de Ribeiro, é muito difícil, senão impossível, impedir o uso do herbicida pelos agricultores devido ao preço e à sua alta eficiência. É preciso, portanto, pensar em outras alternativas de minimizar esse problema. Há alguns anos, o pesquisador estuda a eficiência da planta vetiver, cuja raiz é capaz de captar as moléculas de atrazina e modificá-las de maneira que elas fiquem inativas. "A água é um bem essencial fundamental."
O encontro foi promovido pelo Ministério Público do Estado do Paraná/Promotoria do Meio Ambiente e realizado pela Emater Londrina e pela Sema. Teve apoio do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural, Iapar e Sicredi. Conforme a secretária municipal do Ambiente, o evento foi também um pontapé inicial para uma série de ações que a Secretaria está planejando junto às demais entidades participantes para conscientizar os produtores rurais sobre o manejo adequado do solo e da água.
Mie Francine Chiba
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA
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