Cotação da soja cai 4,6% em uma semana



Brexit é responsável por baixa de quase 2%, mas redução interna da cotação do dólar e preocupação com clima nos EUA já haviam feito produtores segurarem estoques

Gina Mardones/09-02-2016
Com boa parte da safra comercializada, sojicultores não têm necessidade de fazer caixa

A cotação média da soja caiu 4,65% nos cinco dias úteis da semana passada no Paraná, pressionada pela desvalorização do dólar em relação ao real, que afastou os vendedores do mercado, e pela saída do Reino Unido da União Europeia (UE), que teve efeito concentrado na última sexta-feira. Os valores são do Indicador Cepea/Esalq, com a saca de 60 kg a R$ 87,84 no fechamento das vendas.
Tendência semelhante ocorreu sobre os preços de outras commodities, como o milho e o trigo. Os pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea) apontam que é comum que sojicultores domésticos segurem as vendas neste período do ano, porque estão com boa parte da safra comercializada e não têm necessidade de "fazer caixa". A proximidade da divulgação do relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês), na próxima quinta-feira, também interfere no mercado. Existia a previsão de seca que poderia gerar quebra de produção no segundo maior exportador de soja do mundo, atrás do Brasil, o que elevaria a cotação internacional do produto.
Assessora do Departamento Técnico Econômico da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Tânia Moreira afirma que a cotação da soja chegou a cair quase 2% na última sexta-feira sob influência do Brexit, como ficou conhecida a saída do Reino Unido da UE. "É muito elevado para um dia apenas", diz. Ela considera que o fato criou instabilidade no comércio exterior, o que interfere nas commodities em geral. "O dólar é um ativo de segurança no mercado internacional porque a produção de commodities envolve mais riscos, então o investidor parte para o ativo de segurança", explica, ao lembrar que, no início de ontem, a cotação já havia tido parte da recuperação das perdas.
Para o professor de economia rural Eugenio Stefanelo, da FAE e da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o efeito do Brexit tende a ser momentâneo nas cotações. "Essa saída gerou resultado para especuladores financeiros, que apostaram na saída e tiveram lucros, mas a queda das cotações de soja e milho começaram a ocorrer ainda antes, no início da semana", cita.
Tânia segue a mesma linha e diz que o que motivou a desvalorização da semana passada foi a expectativa de que não deve ocorrer problema climático nos Estados Unidos. "Claro que o produtor recua um pouco, embora os prêmios no Porto de Paranaguá continuem bons", diz. O Indicador da soja Paranaguá Esalq/BM&FBovespa a pronta entrega teve queda de 4,25% na semana passada, quando fechou a R$ 92,66 pela saca de 60 kg.
Stefanelo acredita que é possível que o Brexit gere prejuízos em médio e longo prazos para os acordos comerciais entre Brasil, Reino Unido e UE, mas lembra que a média do Produto Interno Bruto (PIB) do comércio internacional já vinha em queda. "Essa queda nos preços se deve mais ao clima dos Estados Unidos, à redução da taxa de câmbio no Brasil e à aceleração da colheita da segunda safra no caso do milho, porque os produtores querem aproveitar os preços em alta."
A expectativa do professor de economia é que não deve ocorrer fenômeno que eleve as cotações das commodities aos patamares dos últimos meses, quando a soja chegou a pagar R$ 100 no Porto de Paranaguá e o milho, R$ 60 pela saca. "O produtor sabe que esses valores não devem se repetir. Acho que o relatório da USDA vai mostrar que a área plantada de soja nos Estados Unidos aumentou um pouco e a de milho, caiu, o que vai diminuir um pouco a cotação de um e aumentar a do outro, mas nada muito significativo", diz Stefanelo.
Fábio Galiotto
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA
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