Família de Londrina administrava rota do tráfico




12 suspeitos foram presos em três Estados durante operação da Polícia Federal

Fábio Alcover
De acordo com o delegado Elvis Secco, a operação foi realizada em parceria com a polícia boliviana

"Tinha padrasto, irmão, cunhado, sobrinho, a mulher sabia, a irmã sabia, a mãe sabia... A família toda sabia", ressaltou o delegado da Polícia Federal, Elvis Secco, responsável pela Operação Quijarro, realizada nas cidades de Londrina, Araucária (Região Metropolitana de Curitiba), Corumbá (MS), Martinópolis (SP), Presidente Prudente (SP) e São Paulo. Ao todo, 12 pessoas foram presas por suspeita de envolvimento no tráfico internacional de drogas, duas delas em Londrina, onde funcionava uma das bases para a quadrilha que distribuía cocaína da Bolívia (da cidade de Puerto Quijarro) para o Brasil e a Espanha.
Ao todo, foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão em imóveis, 43 de busca e apreensão de veículos e sete de condução coercitiva. Segundo as investigações, dois grupos faziam o transporte das drogas no Brasil. As pessoas que recebiam orientação da família de Londrina levavam cocaína da cidade de Corumbá (MS), na fronteira com a Bolívia, até o estado de São Paulo. No entreposto criado em Vinhedo (SP), a droga era descarregada e distribuída para todo o País em vários outros veículos para despistar a fiscalização. O outro grupo, sediado em Martinópolis, entregava a droga no Porto de Santos. De lá, o produto seguia para a Espanha. "A droga que chegava na Espanha tinha o valor de US$ 15 mil o quilo. A apreensão feita em Corumbá foi avaliada em U$ 21 milhões", destacou.
Em Londrina, foram presos o responsável pelo grupo transportador e outro integrante da quadrilha que organizava a distribuição e o transporte da droga. "A rede de parentes e amigos era utilizada para facilitar o registro de caminhões. Em um dos casos, um veículo de R$ 150 mil foi registrado em nome de um amigo com renda inferior a um salário mínimo", destacou. O grupo não possuía empresa jurídica e coordenava apenas os veículos. Conforme Elvis Secco, a Polícia Federal fez pedidos de prisão preventiva vinculados diretamente ao transporte de drogas. No entanto, outros integrantes devem ser presos em breve, incluindo membros da família que atuava em Londrina.
O delegado informou ainda que investiga a participação de servidores públicos na falsificação de documentos de caminhões e carretas utilizados pela quadrilha. Os documentos eram transferidos para o nome dos próprios caminhoneiros, que tinham conhecimento do transporte das drogas. Com isso, o grupo não chamava a atenção das polícias rodoviárias durante o trajeto. "Eles tinham um sistema de fundos falsos muito sofisticado. Esse fundo falso era feito até com sistema hidráulico acionado por botões. Ficava em partes de metal na carreta e não se conseguia ver a olho nu. Muitas dessas apreensões foram passadas em raio-X para identificar onde estava a cocaína", contou o delegado. Os caminhoneiros que transportavam a droga também levavam cargas lícitas como minério para não despertar suspeitas.
A operação foi realizada em parceria com a polícia boliviana. Por meio da troca de informações, foi detido o núcleo que atuava no país vizinho e era responsável pela entrada de duas toneladas de drogas por mês no Brasil. "Nós sabíamos o paradeiro dos traficantes aqui no Brasil. Eles já estavam foragidos da Bolívia. Nós informamos o paradeiro deles aqui, eles foram deportados e lá os policiais executaram as prisões. O casal estava entre os traficantes mais procurados da Bolívia", ressaltou o delegado. Cerca de 150 policiais participaram da ação. Pelo menos, US$ 10 milhões em bens foram sequestrados na Bolívia.
A investigação, iniciada há um ano e meio, já resultou na apreensão de aproximadamente quatro toneladas de drogas. Duas pessoas são consideradas foragidas. Um mandado seria cumprido em São Paulo, capital, e outro em Presidente Prudente. A troca de informações no Brasil e no exterior tem contribuído para o aumento da fiscalização. "Antes, você apreendia somente a droga e as investigações não tinham seguimento. Com a ampliação das investigações, você consegue trocar informações. A PF está com uma rede de informação muito grande Brasil afora", completou o delegado. Os presos devem responder pelos crimes de tráfico internacional de drogas, lavagem de dinheiro, associação para o tráfico e falsificação de documentos públicos e privados.
Viviani Costa
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA
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