Gaeco apura fraude em licitações para transporte público



Seis pessoas ligadas à empresa Logitrans, de Curitiba, foram presas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), braço do Ministério Público (MP) do Paraná, na deflagração da Operação Riquixá, que apura a atuação de organização criminosa em licitações para o transporte coletivo no Estado. Entre os presos está o advogado Sacha Reck, que também é assessor jurídico do Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp). Riquixá é o nome dado a uma carroça de duas rodas, com tração humana.
Segundo as investigações, sob o comando do Gaeco e do Grupo Especializado na Proteção do Patrimônio Público e no Combate à Improbidade Administrativa (Gepatria) de Guarapuava (Centro-Sul), as suspeitas são de fraudes em licitações, corrupção ativa e crimes contra a ordem econômica. O coordenador estadual do Gaeco, procurador de Justiça Leonir Batisti, explicou que a Logitrans é responsável por formatar editais de licitação a partir de estudos sobre a mobilidade urbana, usados pelas prefeituras para a realização de concorrências públicas e contratação de concessionárias de transporte. "Mas ela invertia essa lógica, violando a lei de licitações, porque fazia estudos e elaborava os editais de acordo com os interesses de grupos que atuam nesse setor como o Gulin e Constantino, que detêm diversas empresas de transporte." A família controla a maioria das empresas que operam o transporte em Curitiba. Entre as empresas controladas pelo Grupo Constantino está a Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL).

Indicações
Batisti informou, ainda, que mesmo nas cidades onde os grupos não atuavam, eles indicavam empresas com as quais possuem ligações. Foram cumpridos, além dos mandados de prisão, 29 conduções coercitivas (quando a pessoa é conduzida para ser ouvida na mesma data) e 53 ordens de busca e apreensão em empresas e residências em Guarapuava, Foz do Iguaçu, Maringá, Ponta Grossa, Curitiba e em cidades de Santa Catarina e São Paulo, além do Distrito Federal. Os mandados foram expedidos pela 1ª Vara Criminal de Guarapuava.
As investigações, iniciadas em 2013, indicam que integrantes da Logitrans, advogados e representantes das empresas de ônibus formariam o grupo criminoso com "laranjas" e formações societárias complexas para ocultar a existência do grupo econômico.
Conforme o Gaeco, a organização criminosa estaria agindo pelo menos desde 2009, cooptando agentes públicos para a prática dos crimes. "Com a participação dessas pessoas, o grupo obtém meios de remunerar ilicitamente, com dinheiro público, a organização das fraudes concorrenciais, contratando componentes do grupo criminoso para prestar assessorias simuladas ou substituir comissões de licitação", informou a assessoria do MP.
Procurado pela reportagem, o advogado Alessandro Silvério, que defende Reck, afirmou que vai se manisfestar "apenas nos autos". Sacha Reck já trabalhou com o advogado Guilherme Gonçalves, que está preso na Operação Custo Brasil, da Polícia Federal, mas não relação entre as duas investigações. Na Logitrans a atendente informou que não havia ninguém para falar sobre as prisões, ontem. A assessoria de imprensa do Setransp informou que o sindicato não se pronunciaria porque nenhuma das empresas representadas estava entre os alvos da Riquixá. A reportagem não conseguiu falar com representantes dos Grupos Constantino e Gulin.
Edson Ferreira
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA
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