Vacinação contra dengue tem baixa adesão no Norte Pioneiro



Dos quatro municípios que receberam a vacina no Norte Pioneiro, São Sebastião da Amoreira registra o maior índice de imunização, com 48,2% da cobertura almejada




Itambaracá - A apenas quatro dias para terminar a primeira etapa da campanha de vacinação contra a dengue no Paraná, quatro municípios do Norte Pioneiro contemplados pela ação registram baixa adesão da população, situação que se repete nas demais 26 cidades paranaenses participantes da primeira fase da campanha.
Entre os três municípios da 18ª Regional de Saúde (RS) que receberam as vacinas do governo estadual, Itambaracá é a cidade que teve, até segunda-feira, o menor índice de vacinação do público-alvo, com pouco mais de 26,5% das vacinas realizadas. Leópolis está em segundo lugar, com 42,6% da meta, e São Sebastião da Amoreira, com 48,2%, maior índice de imunização no Norte Pioneiro. A 18ª RS, que tem sede em Cornélio Procópio, abrange 21 cidades.
A situação é similar em Cambará, única cidade contemplada dos 21 municípios integrantes da 19ª (RS) de Jacarezinho. Até terça-feira, apenas cerca de 30% da meta de imunização havia sido atingida.
Em 28 municípios, o público-alvo é formado por adolescentes e jovens de 15 a 27 anos. Em Assaí e Paranaguá estão sendo vacinados moradores entre 9 e 44 anos. Segundo Fabiana Olchaneski, diretora da 18ª RS de Cornélio Procópio, esta faixa etária de 15 a 27 anos é um pouco complicada de se vacinar, pois há muita rejeição, já que é uma vacina nova. Apesar da relutância dos jovens em aderir à campanha de imunização, ela frisa que até o momento não houve registro de casos de reação à vacina nos municípios participantes. "A vacinação é uma ferramenta. Somente ela não é suficiente para eliminar a dengue. A população tem que contribuir também", alerta.
Além dos postos de saúde, a ação também está sendo promovida em escolas e locais onde há concentração de jovens na faixa etária que é alvo da vacinação. De acordo com Fabiana, os agentes comunitários de saúde também estão fazendo visitas domiciliares para que, de fato, seja alcançada a meta de pessoas a serem vacinadas.
De acordo com Ronaldo Trevisan, o diretor da 19ª RS, além da divulgação, também estão sendo utilizadas outras estratégias para aumentar a meta de vacinação, como palestras em escolas, visitas em empresas e também ao comércio local. Ele afirma ainda que estão investindo na conscientização dos empresários, para que a dengue não venha a prejudicar a produtividade dos funcionários.
"Se a população não for vacinada, corremos o risco de enfrentarmos uma séria epidemia a partir de dezembro e durante todo o verão, ainda pior do que a epidemia de 2015/2016. Quanto mais pessoas vacinadas, menor será a circulação viral da doença", alerta o diretor geral da Secretaria Estadual da Saúde, Sezifredo Paz.
De agosto de 2015 a julho de 2016, aproximadamente 56 mil casos e 61 mortes por dengue foram registradas no Paraná. Os 30 municípios da campanha, juntos, concentraram 80% das ocorrências, além de 93% dos casos graves e 82% das mortes. "As estatísticas demonstram que era preciso fazer algo a mais para o controle da dengue no Estado. Mas a população precisa aderir à campanha", destaca Sezifredo.

CAMPANHA
A vacina que está sendo aplicada na população é a única aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no Brasil, até o momento. É produzida pela farmacêutica Sanofi Pasteur e protege contra os quatro tipos de vírus circulantes da dengue no País.
Ao todo, a vacina tem três doses, que devem ser aplicadas com intervalo de seis meses cada. Após a primeira dose, que será finalizada no próximo sábado, já há proteção, mas é essencial que a população complete o esquema vacinal para assegurar o equilíbrio e a durabilidade da proteção. As próximas duas fases estão previstas para serem realizadas em um intervalo de seis meses, o que corresponderia aos meses de fevereiro e agosto de 2017.
O Paraná investiu R$ 50 milhões na compra de 500 mil doses e é o primeiro a ofertar gratuitamente a vacina contra a dengue. Os 30 municípios selecionados para receber a vacina registraram as piores epidemias da doença nos últimos cinco anos. Em 2015, mais de 55 mil paranaenses foram atingidos pela doença. De agosto de 2015 a julho de 2016, aproximadamente 56 mil casos e 61 mortes por dengue foram registradas no Paraná.
A vacina da dengue passou por 20 anos de pesquisas. Os estudos mostram que ela proporciona proteção de 93% contra a dengue grave e reduz em 80% as internações pela doença. (Com Reportagem Local)
Carol Santos
Especial para a FOLHA DE LONDRINA
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