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Londrina tem mais de mil beneficiários do Bolsa Família sob suspeita




Dados divulgados nessa sexta-feira (11) pelo Ministério Público Federal (MPF) revelam que Londrina tem 1.115 recebedores do programa federal Bolsa Família suspeitos: entre ele, há empresários, servidores públicos, falecidos, doadores de campanha e servidores públicos doadores de campanha. Juntos, receberam, entre 2013 e maio de 2016, o montante de R$ 3,5 milhões, o que corresponde a 4,2% do que foi repassado a Londrina neste período – cerca de R$ 83,7 milhões. Os dados fazem parte do projeto Raio-X Bolsa Família, uma ação nacional do MPF coordenada pelas Câmaras Criminal e de Combate à Corrupção.
A secretária municipal de Assistência Social, Télcia Lamonica, disse que há alguns meses recebeu recomendação administrativa do MPF para fazer um levantamento completo dos casos suspeitos. Foi necessário solicitar prorrogação de prazo, disse ela, em razão do volume. "Acatamos integralmente a recomendação, mas, é um trabalho bastante extenso, que demanda pessoal e tempo. Solicitamos prorrogação por 60 dias."
A auditoria está na fase inicial, informou ela, afirmando que várias medidas foram adotadas, conforme o caso. Para servidores, foram enviadas correspondências e solicitadas informações às chefias. "Há casos de servidores municipais, de autarquias e de outras esferas, como servidores estaduais e federais", explicou. "Também fizemos bloqueios preventivos de pagamento." Segundo ela, antes mesmo da recomendação do MPF, o prefeito Alexandre Kireeff (PSD), já havia solicitado um levantamento sobre o benefício federal. "Por ser final de mandato, ele deu essa ordem."
No Paraná, o número de suspeitos alcança 28.654, o que corresponde a 3,86% dos 741.609 beneficiários do programa no Estado. No período da auditoria do MPF, esses suspeitos receberam R$ 90 milhões, sendo que empresários obtiveram a maior parte deste recursos (R$ 64 milhões); servidores públicos (R$ 24,9 milhões); falecidos (R$ 618 mil); doadores de campanha (R$ 159 mil); e servidores doadores de campanha (R$ 333 mil).
O maior percentual de recursos suspeitos no Paraná é no pequeno município de Nossa Senhora das Graças, que tem população de 3,8 mil, no Norte do Estado. O MPF detectou 34 beneficiários suspeitos, cujo montante pago a eles corresponde a 13% do valor repassado ao município. Entre as grandes cidades, Maringá tem o maior percentual de suspeitos (6,66%). Lá, 711 recebedores estão sob investigação. Na capital, 2.765 suspeitos, que receberam 5,2% do valor repassado para Curitiba.

DADOS
O projeto do MPF analisou todos os valores pagos pelo Bolsa Família no período de 2013 a maio de 2016. Nesse período, o programa pagou aos 21,4 milhões de beneficiários R$ 86,1 bilhões. Desse total de beneficiários, 874.115 foram considerados suspeitos e receberam cerca de R$ 3,3 bilhões, sendo R$ 2,03 bilhões a empresários; R$ 1,23 bilhões a servidores públicos com clã familiar de até quatro pessoas; R$ 25,97 milhões pagos a beneficiários falecidos; R$ 11,89 milhões a doadores de campanhas que doaram valores superiores ao benefício recebido; R$ 11,48 milhões a servidores públicos doadores de campanha (independentemente do valor da doação).
O estado com maior incidência percentual de perfis suspeitos foi Roraima, com 8,89% de recursos do programa pagos a perfis suspeitos. Já o estado do Pará apresentou o menor percentual de perfis suspeitos com relação ao total de recursos pagos pelo programa (1,62%). Ainda de acordo com a análise do MPF, apenas 31 cidades não apresentaram indícios de pagamento suspeito.
Loriane Comeli
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA
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