De olho nas rãs
Elas são simpáticas, podem ser produzidas em pequenos espaços e, se trabalhadas de forma profissional, têm uma rentabilidade excelente. A criação de rãs ainda é muito recente no País, com a cadeia iniciando na década de 1930, quando 300 rãs da espécie touro – ideal para o sistema de confinamento – chegaram ao Brasil oriundas do Canadá. Hoje, existem criadores espalhados pelo País, inclusive aqui Paraná, mas que ainda esbarram na falta de informações sobre o manejo, gerenciamento, mercado e, principalmente, abatedouros regularizados para o processamento.
Os números sobre a ranicultura nacional são bem imprecisos. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2006 o Brasil produziu 160 toneladas da carne do animal, o que já coloca na segunda colocação atrás apenas de Taiwan, mesmo com o pequeno volume. O fato é que no País toda a criação é realizada em cativeiro, por se tratar de um animal exótico. Na Ásia, a criação é semi-intensiva. A rã touro – nome explicado devido ao som característico feito pelo animalzinho – se desenvolve ao longo de aproximadamente 8 meses, dependendo do clima, e chega ao peso de 250 gramas para o abate. O principais mercados consumidores são as capitais e grandes centros, sendo no Estado a Região Metropolitana de Curitiba (RMC), onde o quilo pode ser vendido por até R$ 90.
O médico veterinário André Muniz é professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e atua com ranicultura desde 1998. Ele está alocado em Palotina, região Oeste do Estado, e trabalha com rã e processamento de pescado. Segundo Muniz, a maioria dos produtores da região não tem a ranicultura como atividade principal. "Isso é um pouco negativo, porque acaba se tornando uma produção menos profissional. Muitas vezes é apenas uma complementação de renda. Além da RMC, temos uma proximidade com São Paulo, maior consumidor da carne de rã do País, e teríamos uma facilidade de escoar o produto para lá".
O especialista explica que a rentabilidade da ranicultura não difere tanto dos peixes e varia entre 30% e 35%. O maior peso nos custos de produção, como em outras atividades que envolvem animais, está ligada à ração, que no caso é de peixe, porque não há alimento específico para rãs. "A ração vai pesar entre 65% e 70% dos custos. Se estimarmos que cada rã vai para o abate com 250 gramas, o ranicultor gastará entre R$ 8 e R$ 8,50 para produzir quatro rãs (um quilo)".
A grande dificuldade em estimular a produção no Estado, segundo Muniz, é porque os produtores vão esbarrar na falta de entrepostos para abater os animais. A legislação só permite que peixes e rãs sejam abatidos no mesmo local em turnos ou dias alternados. Com a retomada da piscicultura paranaense desde 2013, poucos abatedouros possuem espaço para a ranicultura. Ou seja, o produtor que tem uma rã para o abate acaba tendo que comercializar o animal vivo ou mesmo abatê-lo de forma clandestina. "Isso acabou sendo um desestímulo para os ranicultores. Estamos num momento em que diversos estados estão retomando a atividade, mas carecemos de um local para processamento. Ou seja, a maioria dos produtores aqui do Estado processam a rã artesanalmente e vendem desta forma. Isso acaba sendo uma forma clandestina de comercializar o produto carne", complementa.
Os números sobre a ranicultura nacional são bem imprecisos. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2006 o Brasil produziu 160 toneladas da carne do animal, o que já coloca na segunda colocação atrás apenas de Taiwan, mesmo com o pequeno volume. O fato é que no País toda a criação é realizada em cativeiro, por se tratar de um animal exótico. Na Ásia, a criação é semi-intensiva. A rã touro – nome explicado devido ao som característico feito pelo animalzinho – se desenvolve ao longo de aproximadamente 8 meses, dependendo do clima, e chega ao peso de 250 gramas para o abate. O principais mercados consumidores são as capitais e grandes centros, sendo no Estado a Região Metropolitana de Curitiba (RMC), onde o quilo pode ser vendido por até R$ 90.
O médico veterinário André Muniz é professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e atua com ranicultura desde 1998. Ele está alocado em Palotina, região Oeste do Estado, e trabalha com rã e processamento de pescado. Segundo Muniz, a maioria dos produtores da região não tem a ranicultura como atividade principal. "Isso é um pouco negativo, porque acaba se tornando uma produção menos profissional. Muitas vezes é apenas uma complementação de renda. Além da RMC, temos uma proximidade com São Paulo, maior consumidor da carne de rã do País, e teríamos uma facilidade de escoar o produto para lá".
O especialista explica que a rentabilidade da ranicultura não difere tanto dos peixes e varia entre 30% e 35%. O maior peso nos custos de produção, como em outras atividades que envolvem animais, está ligada à ração, que no caso é de peixe, porque não há alimento específico para rãs. "A ração vai pesar entre 65% e 70% dos custos. Se estimarmos que cada rã vai para o abate com 250 gramas, o ranicultor gastará entre R$ 8 e R$ 8,50 para produzir quatro rãs (um quilo)".
A grande dificuldade em estimular a produção no Estado, segundo Muniz, é porque os produtores vão esbarrar na falta de entrepostos para abater os animais. A legislação só permite que peixes e rãs sejam abatidos no mesmo local em turnos ou dias alternados. Com a retomada da piscicultura paranaense desde 2013, poucos abatedouros possuem espaço para a ranicultura. Ou seja, o produtor que tem uma rã para o abate acaba tendo que comercializar o animal vivo ou mesmo abatê-lo de forma clandestina. "Isso acabou sendo um desestímulo para os ranicultores. Estamos num momento em que diversos estados estão retomando a atividade, mas carecemos de um local para processamento. Ou seja, a maioria dos produtores aqui do Estado processam a rã artesanalmente e vendem desta forma. Isso acaba sendo uma forma clandestina de comercializar o produto carne", complementa.
Victor Lopes
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA


