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Doador de menina com câncer que foi 'repórter por um dia' está indisponível

pessoa encontrada para doar medula óssea à adolescente Lara Cristina Lang, de 12 anos, em tratamento contra um câncer há nove, no Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba, está "indisponível", de acordo com o Hospital de Clínica (HC).
O HC não informou detalhes e disse que o sistema utilizado para o cadastro dos doadores não permite acesso às razões da indisponilidade, que podem ir de morte a desistência, por exemplo.
A mãe de Lara, Divone Alves Domingos, conta que, quando avisaram sobre a descoberta, os médicos foram claros ao dizer que o doador existia e já havia concordado com o procedimento - que, inclusive, já tinha data marcada para ocorrer.
"O doador existia. Elas [as médicas] foram muito claras. Disseram: 'É o melhor doador que pode existir. Pode gritar para todo o mundo que a Lara tem um doador'. Do nada, ele não existe. De repente, o milagre não existe mais. Foi a pior notícia que recebi desde a volta do câncer", lamenta.

Ao receber a notícia, Lara chorou muito e calou-se, afirma a mãe. A adolescente voltou com a família à cidade natal, São Bento do Sul, em Santa Catarina, e aconchegou-se em silêncio.
Os médicos não entraram em detalhes sobre o que ocorreu, mas, segundo Divone, ao que parece, na fala deles, o doador desistiu de doar.
"Ela está em silêncio, não que falar com ninguém. Está no canto dela. É muito frustrante para a gente, mas a luta vai continuar. Tem que continuar. Ela já venceu o câncer três vezes. Não vai ser isso que vai nos fazer desistir", fortalece-se a mãe.
A família ressalta que não há nenhum ressentimento em relação ao Hospital Pequeno Príncipe, a quem a mãe agradece e para onde Lara volta, na próxima segunda-feira, para seguir com o tratamento.
"O Pequeno Príncipe é uma mãe para a Lara. Nós sabemos que eles não têm culpa nenhuma e eu queria deixar isso claro. Na segunda, voltamos para lá. Vamos começar do zero e, com certeza, o final vai ser feliz. Isso vai nos fortalecer", diz Divone.
A mãe faz um apelo às pessoas que se cadastram para doar medula e ao doador que, provavelmente, desistiu, cuja identidade não foi revelada a ela.
"Gostaria de aproveitar este momento para conscientar as pessoas que se cadastram para doar medula. É algo muito sério. A vida da minha filha depende disso. Então, pelo que as pessoas que sentirem no coração que devem doar sigam até o fim. Vocês são iluminados e têm a missão de salvar vidas. Não desistam. A gente não vai desistir".

O Hospital Pequeno Príncipe lamentou o ocorrido. "O Hospital Pequeno Príncipe é solidário à paciente Lara Lang e sua família, e a todos os pacientes que aguardam por uma medula para realizar TMO [Transplante de Medula Óssea], na esperança de que um doador compatível seja encontrado o mais breve possível para restabelecimento o quanto antes de sua saúde", diz trecho da nota divulgada pelo hospital.
Como doar medula
O número de voluntários cadastrados para doar medula óssea em todo o Paraná atualmente é de mais de 700 mil. O cadastro pode ser feito em qualquer banco de sangue. Somente na rede do Centro de Hematologia e Hemoterapia do Paraná (Hemepar) são 22 postos.
O Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea foi criado em 1993, passando a funcionar no Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva - INCA, a partir 1998.
Para efetuar o cadastro, o candidato deverá apresentar um documento oficial de identidade com foto. O voluntário não pode ser usuário de drogas e não ter tido nenhum tipo de câncer ou doença hematológica, mesmo que já estejam curados. No momento do cadastro serão coletados de 5 ml a 10 ml de sangue. Não é necessário estar em jejum, porém, é preciso evitar alimentos gordurosos nas quatro horas que antecedem a coleta.
Se for verificada compatibilidade com algum paciente cadastrado o doador é, então, convocado para fazer testes confirmatórios e realizar o procedimento.
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Mãe desabafou nas redes sociais (Foto: Reprodução)Mãe desabafou nas redes sociais (Foto: Reprodução) FONTE - GLOBO.COM

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