Manejo para ter mais grãos Uso de boas práticas no plantio do milho safrinha pode garantir a produtividade



Foto - Marcos Zanutto
Em algumas semanas começa o plantio do milho safrinha e boas práticas de manejo no início da semeadura podem garantir uma boa rentabilidade da lavoura. A segunda safra de milho no Paraná supera a área plantada de milho verão. Hoje, o safrinha ocupa 2,3 milhões de hectares contra 500 mil do milho de primeira safra.
Mas a produtividade da safrinha é menor. "Em função da sua fisiologia, o milho de segunda safra não consegue exprimir todo o seu potencial produtivo", explica Fernando Aggio, engenheiro agrônomo da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep). A produtividade do milho verão gira em torno de 8,7 mil quilos por hectare, contra apenas 5,8 mil kg/ha do safrinha.
A previsão para a safra deste ano é em torno de 13,4 milhões de toneladas de grãos. De acordo com dados da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab), o produtor terá que obter uma produção de 86 sacas por hectares para pagar os custos operacionais da lavoura, e a estimativa é que a safra possa dar um lucro líquido mínimo de 10 sacas por hectare.
Adotar boas práticas de manejo pode representar incremento na produtividade e redução do custo de produção. Um olhar mais atento à qualidade do solo pode fazer a diferença. "Muitas vezes o agricultor só pensa na parte química e esquece a parte física do solo. É preciso ter uma boa cobertura de matéria orgânica e inserir o processo de rotação", ensina o engenheiro agrônomo Fernando Teixeira de Oliveira, da Emater de Andirá.
Ele também lembra que em torno de 50% a 60% da produtividade passam pela boa distribuição de sementes no solo. "Se você não faz uma boa distribuição de semente vai ter que usar paliativos para resolver esse problema e evitar a perda da produtividade. Com isso, vai aumentar o custo de produção", afirma. Outra dica é o respeito ao zoneamento agrícola. O milho deve ser plantado até 10 de março.

Enraizamento
O bom enraizamento da planta também colabora para o incremento da produtividade. O gerente técnico de grãos da Alltech Crop Science, Vinícius Abe, cita algumas técnicas que auxiliam no bom enraizamento do milho como a disponibilização de água no gradiente do solo; disponibilidade de nutrientes com uma boa adubação em profundidade; ausência de compactação do solo, que possa dificultar a penetração de água e manejo do solo; manejo de pragas e doenças; manejo que proporcione o aumento da matéria orgânica no solo; e tratamento de sementes.
De acordo com Abe, o manejo minimiza as perdas na lavoura. A produtividade pode ter um ganho de 6% a 12% na safrinha, caso essas práticas sejam adotadas na fase de plantio. A semente produzida pela Alltech Crop Science é tratada com aminoácidos que funcionam como um efeito anti-estressante para a raiz e estimulante da produção radicular. Também são utilizadas substâncias como precursoras hormonais, que segundo Abe, auxiliam no desenvolvimento do sistema radicular. "Estamos aprimorando o uso dessa tecnologia, que é recente", comenta o gerente.

CONTROLE DE PRAGAS
O monitoramento da lavoura para evitar a proliferação de lagarta e percevejo também se reflete no custo final de produção. A Emater e o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) desenvolvem há três anos uma pesquisa de monitoramento de pragas na cultura do milho.
Segundo o engenheiro agrônomo Fernando Teixeira de Oliveira, não adianta o agricultor fazer aplicações preventivas na lavoura. É mais eficaz fazer o monitoramento da área e as aplicações do defensivo agrícola. De acordo com ele, mesmo a semente tratada corre o risco de infestação de pragas, por isso o monitoramento é a melhor estratégia.
Um dos estudos em desenvolvimento é a avaliação da população de percevejo na área colhida de soja e análise de como isso se reflete no milho. "Temos dados que mostram que é possível reduzir em 50% o número de aplicações de inseticida com o monitoramento. Hoje, consegue-se resolver com uma ou 1,5 aplicações, quando anteriormente eram necessárias três ou quatro", comenta Oliveira.
No caso da lagarta de cartucho (Spodoptera frugiperda), o uso de inseticida é recomendado a partir da constatação de 15% da área com presença da lagarta. "Com o monitoramento o agricultor vai racionalizar o uso de defensivo, usando só quando necessário", afirma o agrônomo.
Aline Machado Parodi
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA
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