Retomada dos grãos - A colheita de soja no Estado já passou dos 77% da área plantada



A colheita de soja no Estado já passou dos 77% da área plantada


A colheita de soja passou dos 77% da área plantada, no Paraná, com aumento das estimativas de desempenho a cada novo balanço divulgado pelo Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento (Seab). A produção esperada de soja, que já foi de 18,30 milhões de toneladas, está em 19,03 milhões de toneladas, com uma produtividade média de 3,6 mil quilos por hectare (kg/ha), que deve deixar os agricultores com os bolsos mais cheios do que no ciclo anterior.
O valor médio pago ao produtor para a soja neste ano está em R$ 64,67, ante R$ 69,59 em 2016 e R$ 61,50 em 2015, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no Paraná. No entanto, a produtividade subiu de 3,1 mil para 3,6 mil kg/ha da safra anterior para a atual, o que deve compensar os preços menores.
Técnico da Conab e professor de economia rural da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Eugenio Stefanelo afirma que o valor pago está mais baixo por conta da desvalorização do dólar e das menores cotações internacionais pela supersafra, tanto na América do Norte quanto na do Sul. "Mas tanto a soja quanto o milho estão lucrativos, porque o custo de produção da soja é de mais ou menos R$ 42 e do milho, de R$ 21", diz.
Economista do Deral, Marcelo Garrido afirma que o próximo balanço estadual deve apontar colheita acima de 80%. "Na média das últimas três safras, a colheita estava em 79% na comparação com 77% do último balanço, então tem um atraso, mas pequeno", diz.
Garrido cita que as primeiras regiões onde há plantio de soja, como Cascavel e Toledo, foram as que mais tiveram atraso. Porém, a qualidade dos grãos está alta, com 97% considerado bom. "Em setembro o clima estava um pouco mais chuvoso e atrasou o ciclo, o que não afeta a produção, mas contribui", completa.
Se aos poucos a colheita se equipara à anterior, a comercialização continua em baixa. Apenas 26% da soja foi vendida até o momento. "Os produtores fecharam muitos contratos no início e, quando o valor baixou, colocaram o pé no freio à espera de um valor melhor, mas a tendência futura não é de alta", cita Stefanelo, que lembra que houve aumento da área plantada nos Estados Unidos e há risco pequeno de quebra de safra.
Para o País, o último levantamento da Conab aponta para 107,6 milhões de toneladas. Porém, deve ser majorado no próximo balanço, porque a companhia ainda considera a estimativa de soja para o Paraná em 18,25 milhões de toneladas.



RECUPERAÇÃO
Se confirmada a produção de 19,03 milhões de toneladas da soja para a safra 2016/17, o número será recorde e 15% superior ao do ciclo anterior, no Paraná. O resultado é ainda mais expressivo quando considerada a redução de 1% na área plantada, de 5,287 milhões para 5,245 milhões de hectares. O menor interesse pela soja se deu devido aos bons preços pagos pelo milho, que teve aumento na área plantada da primeira safra neste ano.

Recorde à vista
A colheita da primeira safra de milho também se aproxima do fim, com 69% do total, no Paraná, de acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento (Seab). A segunda safra também está com 94% de plantio concluído. "O atraso da soja não atrapalhou o plantio, porque a área da soja é de mais de 5 milhões de hectares e a da segunda safra do milho, de 2,3 milhões. No sul do Estado, é maior a participação do trigo, que é plantado depois", diz o economista do Deral Marcelo Garrido.
Com o aumento de 21% da área plantada para a primeira safra e de 7% na segunda, o Deral prevê novo recorde de produção do grão. A perspectiva é de 4,6 milhões de toneladas com a colheita atual, ou 39% a mais do que os 3,3 milhões do mesmo período do ano passado. Para o ciclo de inverno, a estimativa é de 13,6 milhões de toneladas, ou 34% a mais do que os 10,1 milhões de 2015/16.
O resultado deve ser um valor por saca menor nos próximos meses. "O preço da soja caiu, mas continua bom, enquanto o do milho já começa a preocupar o produtor, mais perto de R$ 21", diz Garrido.
O técnico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no Paraná Eugenio Stefanelo diz que a média paga no Estado pelo milho está em R$ 26,37 neste ano, mas começou o ano mais alta do que o preço atual. O valor era de R$ 33,73 no ano passado e de R$ 21,78 em 2015. Ele estima o custo de produção em R$ 21, o que explica a preocupação com as cotações atuais. "Por enquanto está tudo bem, mas o problema mais sério deve ser com o trigo, porque o preço está abaixo do mínimo e deveremos ter redução da área plantada neste ano", diz. Ele acredita que muitos produtores devem migrar para o milho, feijão ou outros cereais de inverno, como a canola.
No País, a estima que a safra de milho também deve ser cheia, com 29,3 milhões de toneladas no ciclo de verão e 59,7 milhões no de inverno. (F.G.)
Fábio Galiotto
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA
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