Vinte e dois mil professores no País já foram ameaçados por estudantes



74% dos professores entrevistados disseram ter ocorrido violência entre alunos dentro da escola em que lecionam


Dados do questionário da Prova Brasil 2015, divulgados nesta segunda-feira (20), revelam que 22,6 mil professores de todo o País já foram ameaçados por estudantes e que outros 4,7 mil já sofreram atentados à vida nas escolas. As informações organizadas na plataforma Qedu mostram também que, no Paraná, 1,2 mil professores – 9% do total que respondeu o questionário – já foram ameaçados por alunos e que 213 (2%) já foram vítimas de atentado. O questionário da Prova Brasil é aplicado a diretores, alunos e professores 5º e do 9º ano do ensino fundamental.
As respostas mostram que há um cenário de violência nas escolas. As agressões não ocorrem apenas com professores e funcionários, mas também entre estudantes. A maioria dos professores (71%), o que equivale a 183,9 mil, disse ter ocorrido agressão física ou verbal de alunos a outros estudantes da escola. No Paraná, o percentual é ainda maior. Do total de professores entrevistados, 74% deles, ou 10.375, disseram ter ocorrido violência entre alunos dentro da escola em que lecionam.
A 4º Companhia da Patrulha Escolar, que tem sede em Londrina, é responsável por outros 83 municípios das regiões Norte Central e todo o Norte Pioneiro, registrou 146 casos de agressão em 2016, sendo 41 deles em Londrina. De acordo com o comandante da unidade, capitão Josmar Francisco Moreira, o maior número de ocorrências atendidas dentro das escolas se refere a brigas entre alunos ou ameaças a professores. "A Patrulha Escolar tem um forte serviço preventivo, com ações educativas, mas quando é necessário, temos que intervir em situações de violência", comentou o capitão.
O questionário também traz respostas de diretores. No Paraná, 354 disseram já ter sido ameaçados e 82 já se viram em situação de risco à vida por conta da violência. As situações continuaram no ano passado. Em junho de 2016, a diretora de uma escola de Arapoti, nos Campos Gerais, levou uma facada na nuca. O aluno agressor havia se revoltado porque a diretora havia ligado para os pais dele para relatar situações de desrespeito dentro da escola. A diretora foi hospitalizada e sobreviveu ao atentado.
De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP-Sindicato), no entanto, os dados podem estar subnotificados. A secretária de Comunicação da APP em Londrina, Paola Gollner, informou que o sindicato tem informações de vários casos de professores e educadores agredidos verbal e fisicamente, mas, segundo ela, poucos fazem a denúncia ou registro por meio de boletim de ocorrência. Ela considera que, diferente dos demais servidores, os educadores têm, em sua maioria, uma relação mais humana com relação aos seus agressores, geralmente menores e de família carente, e não registram boletim de ocorrência de desacato ao funcionário público.
"São educadores que são ameaçados e possuem receio em fazer a denúncia. Outros acabam ficando com pena desses alunos por eles não possuírem estrutura em suas casas. E, ainda, temos casos que a própria escola solicitar ao profissional para não relevar a situação. Realmente são inúmeros casos. Infelizmente, chega até ser corriqueiro dentro das escolas", lamenta Paola.
A Secretaria Estadual de Educação (Seed) informa não ter dados sobre ameaças a professores. Por meio de nota, a pasta orienta que o professor deve levar o caso de ameaça ao Conselho Escolar para se verificar a gravidade da situação e definir os encaminhamentos necessários e para que sejam tomadas providências legais. "As escolas devem realizar ações junto aos estudantes para garantir a tranquilidade no ambiente escolar e coibir qualquer tipo de violência".

ARMAS
Mais de 2,3 mil professores afirmaram que estudantes frequentaram as aulas com armas de fogo e mais de 12 mil disseram que havia alunos com armas brancas, como facas e canivetes. Muitas vezes havia nas aulas estudantes que tinham bebido, segundo 13 mil professores, ou usado drogas, de acordo com 29,7 mil.
Segundo o pesquisador da Fundação Lemann, Ernesto Faria, muitos desses conflitos vêm de fora da escola. "O desafio não é tão simples porque a violência, muitas vezes, não está ligada à escola, mas a problemas locais na região. É importante não pensar a escola como uma caixinha sozinha. A escola vai ter que envolver a comunidade e pensar que tipo de parceria deve haver", diz.
Ao todo, 262,4 mil professores responderam aos questionários. Embora, percentualmente, os índices de violência não sejam tão altos, quando olhados em números, segundo o pesquisador, são preocupantes. "Temos que olhar o quanto o ambiente escolar é agradável, a relação de professores e alunos. Temos que pensar em gestão em sala de aula, disciplina, o trabalho com habilidades socioemocionais", diz. (Com Agência Brasil)
Celso Felizardo
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA
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