Mercado aquecido para a melhor idade



Número de idosos que conquistaram uma vaga de trabalho cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2017, segundo o IBGE


Crise econômica, reforma da Previdência prestes a ser aprovada no Congresso e aumento no número de idosos responsáveis pelas contas dos lares brasileiros. Diante desta necessidade em prolongar a fonte de renda, o número de pessoas com mais de 60 anos que buscam recolocação no mercado de trabalho é cada vez maior. A busca tem dado resultado. De acordo com o último estudo da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mesmo diante da taxa de desemprego recorde no Brasil, o número de idosos que conquistaram uma vaga de trabalho cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2017, comparado ao mesmo período do ano passado.

"As empresas já perceberam que investir em profissionais mais maduros pode ser muito interessante para os seus negócios. É inovador contratar alguém mais experiente, já que esta pessoa tem muito a ensinar aos profissionais que estão começando", ressalta Mórris Litvak, fundador da Maturi Jobs, uma plataforma destinada a conectar esses profissionais às empresas de todo o Brasil. Com um ano de atuação, a tecnologia tem em seu banco de dados mais de 35 mil idosos em busca de recolocação. "As milhares de empresas que utilizam nossos serviços entendem que esses profissionais têm características importantes como o comprometimento e a preocupação em oferecer um bom atendimento aos clientes. Isso os torna interessantes para áreas de vendas e cargos administrativos, por exemplo."

Foram exatamente essas as características que ajudaram Vilma de Oliveira, de 56 anos, a conquistar recentemente a vaga de recepcionista em uma rádio de Londrina. "Eu consegui esse emprego por indicação de conhecidos que me falavam que o pessoal da rádio procurava alguém mais maduro, com experiência em atendimento ao público. Acho que graças à minha idade, consegui desenvolver esse perfil que eles procuravam."

Formada em Serviço Social, Vilma seguiu carreira na área de cobranças, setor no qual trabalhou por mais de 20 anos. Em agosto de 2016, ficou sem emprego porque a empresa onde trabalhava encerrou as atividades devido à crise econômica. "Logo que isso aconteceu, decidi ficar sem trabalhar porque queria ter tempo para organizar algumas coisas da minha vida pessoal que eu deixava de lado há anos. Mas com o passar dos meses, a necessidade financeira foi apertando e a vontade de voltar a me sentir útil me impulsionou a querer voltar ao mercado de trabalho."

Transição 
O fundador da plataforma especializada em empregos para terceira idade lembra que a melhoria na qualidade e o aumento na expectativa de vida ampliaram o tempo de atividade dos trabalhadores brasileiros. Além disso, com as possíveis mudanças na idade para aposentadoria, ele ressalta que as empresas terão que manter os profissionais ativos por mais tempo. "Apesar de já ser uma realidade, ainda vivemos um momento de transição desta cultura de tempo de serviço. Com o país envelhecendo, este é um caminho sem volta."

Litvak afirma que além da necessidade financeira, as boas condições físicas e mentais estimulam os idosos a se manterem ativos. Jovem e com 34 anos de idade, o fundador da Maturi Jobs diz que sempre observou essa necessidade nas pessoas mais velhas de sua família. "Minha avó trabalhou até os 82 anos como tradutora e secretária em uma empresa de transportes. Pouco antes de morrer, ela sofreu um acidente e ficou sem trabalhar, o que comprometeu muita a sua saúde. Vejo que estar ativo é fundamental para manter uma vida saudável, principalmente para os idosos."
Tatiane Salvatico
especial para Folha de Londrina
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