Poluição ameaça Vale da Pirambeira em Joaquim Távora



A Câmara Municipal aprovou projeto para revitalização da área, e a Prefeitura e o IAP demonstraram interesse em executar o projeto por meio de uma parceria, mas a discussão não avançou


O plano de transformar uma área com cerca de 20 hectares de mata nativa, conhecida como Vale da Pirambeira, localizada a aproximadamente 700 metros do centro de Joaquim Távora, em um parque ambiental para receber turistas do Norte Pioneiro e de todo o País, parece estar cada vez mais distante da realidade. Para o advogado André Tressoldi, um dos idealizadores do projeto, o que impede o andamento do processo não é a burocracia, mas "a falta de iniciativa do poder público em fazer a coisa acontecer". Se por um lado a proposta não evoluiu, por outro Tressoldi promete recorrer até a última instância para conquistar seu principal objetivo: despoluir a área remanescente de Mata Atlântica à margem da PR-092.
Em 2015, o grupo do advogado reuniu 1.162 assinaturas, quase 15% do eleitorado do município, e apresentou um Projeto de Lei na Câmara de Vereadores da cidade. A proposta foi aprovada pelos parlamentares, e no início do ano passado o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e a Prefeitura demonstraram interesse em executar o projeto por meio de uma parceria, mas a discussão não avançou.

André Tressoldi/Divulgação
André Tressoldi/Divulgação - O nível elevado de poluição do local pode ser observado na água e entre as trilhas
O nível elevado de poluição do local pode ser observado na água e entre as trilhas


"Ficou só na conversa. Pouco antes das eleições municipais em outubro falei pessoalmente com o prefeito (Gelson Mansur Nassar), que prometeu se empenhar no projeto caso fosse reeleito. Há pouco mais de um mês o encontrei pela última vez, e o cobrei novamente. Ele me disse que nomeou um de seus assessores para tratar do assunto, mas não apresentou nenhuma proposta para a criação do parque ou para recuperação ambiental da área", disse Tressoldi.
Na semana passada, o advogado pretendia realizar uma expedição no Vale da Pirambeira. O passeio oferecia caminhada por trilhas que levam os turistas a um paredão rochoso com esculturas naturais, e a três belas cachoeiras que desaguam no Rio Peroba, que em tese deveria levar água limpa a uma aldeia indígena em Guapirama, onde não há água tratada. No entanto, a aventura precisou ser cancelada por conta do nível elevado de poluição no local.
Diante das circunstâncias, Tressoldi decidiu ingressar com duas ações de iniciativa popular para responsabilizar a Prefeitura de Joaquim Távora e o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) por omissão na fiscalização dos danos ambientais causados por pelos menos quatro empresas do município, que segundo ele, também deverão responder judicialmente pelos respectivos crimes cometidos.
"Solicitei ao IAP e à Prefeitura o relatório dos trabalhos de fiscalização realizados até hoje no Vale da Pirambeira. Até pouco tempo atrás existia um lixão da Prefeitura próximo ao penhasco e, conforme os servidores compactavam o material depositado, os resíduos se espalhavam pela vegetação. Basta caminhar pelas trilhas para se deparar com um grande volume de lixo por todo lado", denuncia. "Já em relação às empresas, caso sejam comprovados os danos, que elas sejam obrigadas a revitalizar o espaço e que o dinheiro das multas aplicadas seja revertido em investimentos no município na área ambiental."

Fiscalização
Em contato com a Polícia Ambiental, o comandante do 4º Pelotão de Jacarezinho, subtenente Cláudio Henrique Cavazzani, informou que estaria deslocando duas equipes ao local nesta semana para verificar as denúncias.
Luiz Guilherme Bannwart
Especial para a FOLHA DE LONDRINA
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