As marmitas estão em alta



Para Polyana Cristina de Souza não bastam as opções de pratos: "Temos que ter um rigoroso controle de qualidade e segurança nos alimentos que produzimos"


Aproveitar a experiência adquirida na comercialização de verduras no Ceasa e transformá-la em um novo modelo de negócio com potencial de mais rentabilidade. Foi essa a aposta da Akko Saladas, que há dois anos com a nova atividade já contabiliza aumento de 70% do faturamento e a abertura de novos postos de trabalho, como revela o empresário Helder Kaneji Kasuya, sócio da empresa.
Empresas como a Akko começam a dominar o mercado de alimentos prontos e congelados. Uma pesquisa rápida no Facebook e aparecem várias páginas oferecendo os serviços de marmitas e alimentos, principalmente produtos na linha saudável.
Segundo o diretor da Associação Brasileira de Bares, Restaurantes e Empresas de Alimentação Fora do Lar (Abrasel), Luciano Bartolomeu, esse crescimento, apesar de ainda não haver dados numéricos, é ascendente e, para a entidade, é uma tendência natural. "O mercado está se adaptando ao comportamento da população. E as marmitas são uma opção para o consumidor, assim como o delivery também é uma serviço muito bom", disse Bartolomeu.
Ele enfatizou que a com a crise, as pessoas tiveram de reavaliar o seu hábito de consumo fora de casa e incorporar mudanças que resultem em mais economia. Comportamento esse, que deve permanecer por um longo período e leva para os restaurantes a necessidade de oferecer novos serviços para este novo estilo de consumo para continuarem no mercado. "Quem está se adaptando vai sobreviver", afirmou.
A mudança de hábito do consumidor foi percebida pela pesquisa Crest, realizada pelo GS&MD - Gouvêa de Souza, que faz um mapeamento do foodservice no Brasil. "Entrevistamos 72 mil pessoas no país e a percepção é que a quantidade de pessoas que se alimenta fora do lar não mudou, mas elas têm dado preferência para o almoço e lanche da tarde e estão buscando alternativas mais baratas", afirmou Eduardo Yamashita, diretor de Inteligência de Mercado da GS&MD.
De acordo com Yamashita, as classes A, B e C continuam comendo fora de casa, mas, enquanto a classe A está gastando 12% a mais com refeições, as B e C gastam apenas 3% a mais. "Levando em conta que a inflação foi de 6%, isso demonstra que as pessoas estão procurando canais mais baratos", afirmou.
O consumo de marmitas, segundo o diretor da GS&MD, não é algo novo, mas é um segmento que os empreendedores estão apostando e reinventado. "O hábito já existia, mas tem uma vertical nova que é a conveniência. Há cada vez mais mulheres presentes no mercado de trabalho, há a variável da saudabilidade e também da comodidade de não precisar se deslocar até um restaurante", disse. Segundo ele, esse mercado ainda carece de dados, mas é um segmento que está crescendo.
A secretária Virginia Penatti Gil, de 58 anos, encontrou no serviço de marmitas especializadas a solução para mudar a dieta alimentar. Diabética, ela precisa de uma alimentação balanceada. "Fica mais fácil pegar os kits deles porque trabalho e não tenho tempo de preparar uma alimentação equilibrada. Ter alguém que entrega fora dos meus horários foi a alternativa mais viável que encontrei para conseguir essa reeducação alimentar", contou Vigínia.
Ela começou comprando apenas saladas e sucos detox, agora adquire as marmitas e caldos. "As porções são na medida para a quantidade que eu posso comer. Gasto um pouco mais, mas para mim é mais viável. É Tudo fresco e balanceado", afirmou.

CRESCIMENTO
A Akko Saladas pretende crescer em torno de 30% em 2017. A empresa está aumentando a linha de produtos. Hoje, são oferecidos 17 tipos de saladas e três tipos de sucos funcionais. O cardápio vai ganhar linhas de caldos, legumes e salada de fruta. "Com a criação das novas linhas teremos um crescimento imediato de 20%", disse Helder Kaneji Kasuya, sócio da empresa.
Em abril do ano passado, a Dona Marmita, empresa que oferece refeição congelada, passou a focar no público fit e vem conquistando clientes fiéis. "Hoje, já trabalhamos com estoque", comentou a proprietária Polyana Cristina de Souza.
Ela não fala em percentuais de faturamento e crescimento, mas afirma que a empresa, criada há dois anos, tem potencial para se transformar futuramente em uma franquia. "É algo que não descartamos, mas queremos um crescimento sustentável", disse.
Para Polyana o sucesso da empresa está, além do sabor e preço, nas boas práticas no preparo do alimento. "Uma empresa de refeição vai além de só colocar a comida na marmita. Tem que ter um rigoroso controle de qualidade e segurança", afirmou ela revelando que a marca está preparando novidades para o cardápio.

DELIVERY 
Apesar de registrar importante crescimento nos últimos dois ou três anos, o mercado de marmitas e refeições prontas ainda está engatinhando no sistema delivery - um setor que movimentou no ano passado R$ 567 milhões no Brasil. "Os estabelecimentos de comidas prontas e congeladas ainda não estão especializados na entrega. A atividade ainda está baseada naquele modelo antigo em que o cliente busca a marmita no restaurante", comentou o consultor Marcus Rizzo, da Rizzo Franchise.
De acordo com Luciano Bartolomeu, apostar na entrega em domicílio ajuda na redução do custo operacional dos restaurantes, mas é preciso investir na logística e atendimento. A Abrasel está apoiando o uso de aplicativo Abrafood que concorre com outros aplicativos de delivery.
O diretor da associação afirmou que nos últimos dois anos custos com entregadores e o percentual cobrado por aplicativos aumentaram os valores da entrega. Uma das vantagens do aplicativo Abrafood, de acordo com Bartolomeu, é que ele tem uma taxa fixa mensal e não por pedido como nos demais aplicativos.
Aline Machado Parodi
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA
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