Emprego é desafio para futuro prefeito de Primeiro de Maio



Temporariamente, prefeitura da cidade está sob comando do ex-presidente da Câmara, o Paulinho, que também é candidato


Gastando sola de sapato, com santinho na mão e alguns carros de som. É assim que os quatros candidatos a prefeito de Primeiro de Maio (Região Metropolitana de Londrina) tentam conquistar a preferência dos 8,7 mil eleitores aptos a votar no próximo dia 6 de agosto. O TRE (Tribunal Regional do Paraná) marcou a eleição suplementar depois que Mario Casanova (PP), eleito na urna em outubro de 2016, não pôde assumir a vaga por conta de um condenação por improbidade administrativa e também pela filiação fora do prazo previsto por lei. Após recurso da defesa, a decisão foi mantida pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Com a questão definida na Justiça, o futuro prefeito terá o desafio de administrar um orçamento de pouco mais de R$ 32 milhões para 2017. Cerca de 30% dos recursos (R$ 9 milhões) são oriundos do FPM (Fundo de Participações dos Municípios), repasse feito pela União para as cidades de acordo com o número de habitantes, uma realidade nos pequenos municípios. Outros 18% são do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e apenas 3,24% (R$ 1 milhão) são de fontes próprias como IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano).
Já os desafios exigidos pela população são na saúde, geração de empregos e habitação. Este último é uma demanda antiga para contornar um deficit de 600 moradias em Primeiro de Maio, segundo cadastro da prefeitura.

NA DISPUTA
O candidato Paulo Teodoro Fernandes Junior (PSDB), o Paulinho, tem como experiência dois mandatos como vereador e há seis meses ocupa o cargo de prefeito. Isso porque foi eleito presidente da Câmara Municipal e assumiu o mandato "tampão". "Eu fui dormir vereador e amanheci prefeito. Com cautela, fui montando a equipe e com ajuda dos servidores começamos a trabalhar pela cidade."

Ricardo Chicarelli
Ricardo Chicarelli - O tucano Paulinho tenta mandato definitivo
O tucano Paulinho tenta mandato definitivo


Segundo o tucano, um dos seus encaminhamentos neste primeiro semestre foi a construção de 96 casas num terreno adquirido pela prefeitura para execução do programa federal da Caixa Econômica. Já a promessa de campanha é acabar com problemas de buracos no asfalto e aumentar empregos com criação de uma nova zona industrial. Paulinho é do mesmo grupo político que comandou a cidade nos últimos oito anos.

A candidata Bruna Casanova (PP) entra na disputa pela primeira vez ao cargo de prefeita, mas o sobrenome é bastante conhecido do eleitor primaiense. O avô Fortunato Casanova foi duas vezes prefeito, e o pai Mario Casanova (Marinho) ocupou a cadeira outras três e foi impedido de assumir nessa última vez. É com aval dessa dinastia que a dona de casa, bacharel em direito passa de casa em casa pedindo os votos. "Meu nome foi escolhido por pesquisa, não foi imposição do meu pai ou do partido. Me sinto capacitada, nasci numa família de políticos experientes, conheço os problemas do município e tenho perfil técnico para administrar", respondeu Bruna. Para a candidata, a principal demanda é a saúde. "Precisamos de um ônibus em melhores condições para levar pacientes até Londrina, e reativar o centro cirúrgico do Hospital de Primeiro de Maio. Ninguém nasce aqui na cidade", explicou.

Divulgação
Divulgação - Bruna, do PP, segue passos do pai e do avô
Bruna, do PP, segue passos do pai e do avô


O único candidato remanescente da eleição de outubro passado é o bancário Eziquel Ferraz de Araújo (Podemos). "Queremos mostrar para a população que existe uma terceira via na cidade, por conta disso esperamos um crescimento de nossa candidatura." A falta de estrutura do hospital da cidade e a questão do emprego estão na pauta do candidato. "Nossos jovens estão sem opção, não adianta a gente implantar programa habitacional sem gerar renda. Alvorada do Sul, que é um município menor, tem atraído mais empregos", disse. Outra promessa é diminuir pela metade o número de cargos comissionados na prefeitura, que gira em torno de 20, segundo Araújo.

Ricardo Chicarelli
Ricardo Chicarelli - Eziquel, do Podemos, diz ser terceira via
Eziquel, do Podemos, diz ser terceira via


Outro candidato que tem batido de porta em porta para conquistar votos é o vereador, em segundo mandato, Eliseu de Souza (PPS), o "Ligeirinho". "Não falta dinheiro, o que falta para ao nosso município é honestidade, força de vontade de fazer as coisas porque cidade é rica, com agricultura forte. Temos que trabalhar para os 11 mil habitantes", disse Souza. Segundo ele, as prioridades no seu programa de governo serão saúde, educação e investimento em um Centro de Treinamento de Esporte na sede da Paranatur.

Ricardo Chicarelli
Ricardo Chicarelli - Ligeirinho, do PPS, é vereador em segundo mandato
Ligeirinho, do PPS, é vereador em segundo mandato


O limite de gastos estipulado pelo TSE para eleição de prefeito em Primeiro de para cada candidato é R$ 108 mil. Os candidatos afirmaram que trabalham com poucos recursos e não devem atingir o teto, mas ainda não foi publicado no site do TSE os custos de cada campanha.
A cidade de Nova Fátima (Norte Pioneiro) também vai escolher novo prefeito no dia 6 de agosto. No Paraná, as cidades de Quatiguá (Norte Pioneiro), Guaraqueçaba (Litoral), Piraí do Sul , Moreira Sales (Noroeste) e Nova Laranjeiras e Foz do Iguaçu (Oeste) também precisaram realizar eleições suplementares em 2017 por motivos semelhantes e os novos prefeitos já assumiram.

Eleitores seguem indiferentes
A descrença e a indiferença marcam a eleição em Primeiro de Maio neste pleito fora de época. "Enquanto não mudar a cabeça dos eleitores, não teremos bons governantes. O que o prefeito que assumir precisa entender é que não importa o partido político, ele precisa ser um líder e administrar nossa cidade segundo seus próprios princípios", afirmou a professora Josely Saita que está sem grandes expectativas com a eleição.
Também sem muito ânimo a vendedora Flávia Nicacio deve comparecer à urna para escolher o novo prefeito da cidade. Mesmo assim a eleitora aponta quais desafios o governante terá que enfrentar: "Temos uma região rica em agricultura, mas a cidade em si não gera muitos empregos, estamos parados no tempo".
Já o trabalhador rural Luverci Carlos Guerreiro reclamou como foi conduzido o processo que provocou a eleição suplementar. "Foi uma palhaçada. Fizeram a gente acreditar que não haveria problema na última eleição com o candidato que venceu, e temos que passar por isso de novo." Mesmo assim, cobra que o novo prefeito faça melhorias na cidade, no recapeamento asfáltico e iluminação pública. (G.M.)
Guilherme Marconi
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA
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