VIOLÊNCIA - Homicídios do fim de semana têm ligação com tráfico de drogas, diz PM Os dois homens assassinados tinham passagem pela polícia



A Polícia Militar divulgou informações de que dois dos três mortos nos bairros Ouro Branco e Parque das Indústrias (zonas sul e leste) no último sábado (16) possuíam passagem pela polícia. "Um desses homens possuía passagem por roubo e por ter rendido um vigilante em uma cooperativa em 2015, em Santa Cecília do Pavão", diz o Tenente Emerson Castro, porta-voz da polícia Militar. Castro relata que na época, após negociação com a polícia, ele foi preso com uma espingarda calibre 12. Ele destaca que outra pessoa morta no episódio de sábado também tinha passagens por roubo e tráfico. 

Segundo ele, denúncias apontam que os homicídios estão ligados à disputa de grupos rivais de tráfico de drogas. "Há seis meses ocorreram várias mortes com desfecho em outros pontos da cidade. O fato começou em um ponto de tráfico na Rua Crisântemo, depois disso várias mortes ocorreram. A Rotam (Ronda Tático Motorizada) chegou a prender na época alguns indivíduos e várias armas, inclusive uma com calibre 12. Infelizmente os criminosos são movidos pelo ódio e pelo sentimento de vingança. Mesmo sendo presos eles resolvem fazer o acerto de contas quando saem do sistema prisional", aponta.

Castro destaca que a operação Retomada foi redirecionada para essas áreas de conflito e a PM está trabalhando também com a Polícia Civil a fim de prender esses criminosos, para que esses bandidos sejam responsabilizados. Ele ressalta que essas armas precisam ser localizadas e apreendidas antes que novas vítimas sejam feitas, nessa guerra por disputa de pontos de tráfico de drogas. "A polícia precisa da cooperação da comunidade, então, qualquer informação e denúncia pode ser repassada pelos telefones 181 ou 197", solicita.

No domingo (17), em entrevista à FOLHA, o delegado chefe da 10ª Subdivisão Policial de Londrina (10º SDP), Osmir Ferreira Neves Junior, disse que estava próximo da elucidação dos autores dos homicídios. "Na verdade, é uma desavença entre pessoas com passagens policiais. São moradores das zonas norte e sul da cidade e essas mortes são decorrentes de outras que aconteceram ao longo deste ano, no primeiro semestre."

O coordenador estadual do Movimento de Direitos Humanos, Carlos Enrique Santana, critica a omissão da sociedade londrinense sobre a onda de violência que tem ocorrido na periferia de Londrina. "Vamos convocar a sociedade para discutir políticas públicas, pois se não for para fazer isso vamos continuar criminalizando as pessoas. Sinto muito que cidadãos de periferia, como a senhora que vendia pães, sejam assassinados. É preciso dizer que tem dedo do poder público nesse episódio dos homicídios na zona sul, pois se sabiam que existia guerra entre gangues e se sabiam o que estava acontecendo, eles precisam ser responsabilizados", declara.

Santana destaca que em janeiro deste ano, ao completar um ano da chacina que resultou na morte de 11 pessoas em uma única noite, o MDH encaminhou um ofício questionando o Governo do Estado sobre a questão da segurança pública. "Recebemos como resposta a esse ofício que 17 inquéritos foram abertos, embora nenhum tenha sido concluído. O ofício dizia que estávamos enganados sobre a questão da insegurança no município e que Londrina estava tranquila. A resposta desse ofício é do dia 13 março de 2017. Estamos em setembro e continua a mesma situação. Até quando vai continuar essa onda de violência? Não adianta colocar polícia com carros blindados fazendo a agressão a pessoas que não fazem nada", aponta.

A estudante de pedagogia, Edna Maria Candoti da Silva, 53, durante muitos anos teve um comércio no Ouro Branco, mas desistiu do negócio em 2012 após ter sido vítima de um assalto, no qual acabou sendo baleada no pescoço. Desde então, ela decidiu trabalhar com crianças. "As pessoas que me assaltaram eram menores de 18 anos e não sabiam o que estavam fazendo. Eles querem dinheiro fácil e acabam praticando esse tipo de coisa. Mas ninguém nasce ruim nesse mundo. Será que alguém falou de amor com eles? Será que eles tiveram uma boa escola? Sou catequista e a gente tem que começar a fazer algo para que essas crianças não entrem para o crime."

Ela conhecia a vendedora de pães, Maria de Fátima Nascimento Moraes, que foi morta durante o confronto entre as duas facções rivais. "A Maria de Fátima era uma pessoa muito trabalhadora e honesta e que acabou perdendo a sua vida", lamenta.

MOBILIZAÇÃO
O presidente do Conselho de Segurança da Zona Sul, Roberto Silva, afirma que nesta terça-feira (19) será realizada uma reunião no antigo escritório da Pavilon com o objetivo de tentar levar parte do 5º Batalhão de Polícia Militar para o local. A intenção é implantar a Companhia de Guarda da Zona Sul, a Escola de Formação de Soldados e parte da Rádio Patrulha para o local. "Também queremos implantar uma espécie de Poupatempo (serviço que agiliza a retirada de documentos) no local", destaca.

Movimento contra genocídio quer dar visibilidade a essas mortes



Grupo usa a arte como estratégia de mobilização na luta contra mortes de jovens e negros da periferia


Recentemente, durante a passeata do Grito dos Excluídos, o movimento contra o genocídio da juventude das periferias de Londrina se pronunciou contra as mortes que têm sido registradas vitimando jovens, sobretudo de periferia e negros. Na ocasião um membro do movimento, Flávia Fernandes de Carvalhais, destacou que é preciso construir estratégias de enfrentamento a essa realidade. "O coletivo é formado por diversas representações. Temos pessoas da Universidade Estadual de Londrina, do Judiciário, do Ministério Público, da Defensoria Pública, de famílias que perderam seus entes assassinados, de artistas de rua, do movimento negro e de outros movimentos sociais", aponta.

Segundo a assistente social Sandra Coelho, também membro do movimento, o coletivo contra o genocídio da juventude tem como objetivo a mobilização da comunidade para fortalecer contra as mortes da juventude e por este motivo tem realizado encontros com pesquisadores e mães que perderam seus filhos em mortes violentas. "Esses encontros nas periferias são uma estratégia do coletivo para envolver as comunidades. Estamos realizando encontros nas cinco regiões de Londrina. A gente está utilizando a arte como estratégia de mobilização, com oficinas de poesia, arte e dança", ressalta.

A ideia é realizar um grande encontro em fevereiro, quando todas as regiões poderão se encontrar, já que os familiares daqueles que foram mortos sentem dor, isolamento. "Com isso podemos dar força para que eles lutem por seus direitos. Queremos criar um observatório contra essas mortes. A gente percebe que essas mortes acontecem a conta-gotas, mas precisamos evitar que mais mortes ocorram", aponta.
Vítor Ogawa
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA
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