América Latina joga 145 mil toneladas de lixo orgânico por dia em aterros



Embora terreno tenha sido impermeabilizado, segundo a CMTU, o aterro de Londrina ainda recebe todo tipo de lixo, em vez de apenas rejeito


Todo dia, 145 mil toneladas de resíduos orgânicos são jogadas em lixões e aterros controlados na América Latina e no Caribe. Este e outros números sobre o lixo estão no Atlas de Resíduos da América Latina, elaborado pelo setor de meio ambiente da ONU (Organização das Nações Unidas), que será lançado em breve. O problema do lixo, em âmbito mundial, é um dos temas da 3ª Assembleia do Meio Ambiente da ONU, que começou nesta segunda-feira (4) em Nairóbi, no Quênia, e segue até quarta. No Paraná, municípios buscam soluções, mas ainda há gargalos a enfrentar.

Segundo Jordi Pon, coordenador regional de resíduos e químicos das Nações Unidas, o atlas mostra um cenário preocupante, já que a tendência é de crescimento da geração de resíduos. Se, de um lado, há avanços na coleta, que na média supera 90% do lixo urbano, o processamento fica abaixo dos 70%. O restante, formado essencialmente por dejetos orgânicos, vai para locais inadequados, produzindo poluição do ar, do solo e da água.
O lixo orgânico representa mais da metade de todo o resíduo descartado. Esse índice varia de acordo com o potencial econômico do país. "Em nações de baixa renda, 75% do lixo descartado são provenientes de matéria orgânica, enquanto em países com renda mais elevada esse índice é de 36%", comentou Pon. A diferença é reflexo da maior ou menor atividade industrial e comercial.
Para Laila Menechino, ambientalista e consultora ambiental, esses números são otimistas. "Esses dados são subestimados, porque não temos um sistema eficiente de informações sobre o assunto", reclamou. Estima-se que uma pessoa gera cerca de um quilograma de RSU (resíduo sólido urbano) por dia, que é dividido em orgânico, rejeito e reciclável. "Em Londrina cerca de 30% do peso desse RSU é reciclável, 50% é só matéria orgânica e 20% é rejeito mesmo", ressaltou.

NO PARANÁ
Relatório sobre a situação da disposição final de resíduos sólidos urbanos no Paraná, elaborado pelo IAP (Instituto Ambiental), aponta que 75% dos 399 municípios do Estado destinam os RSU a áreas de aterro sanitário; 19% a aterros controlados; e 6% a lixões. Os aterros sanitários são aqueles com solo impermeabilizado e sistema de drenagem e tratamento de chorume e captação dos gases liberados. Já os aterros controlados não recebem impermeabilização nem sistemas para os gases e chorume, ou seja, os aterros controlados são uma categoria intermediária entre o lixão e o aterro sanitário. Os lixões são depósitos de lixo a céu aberto e não fornecem nenhum tratamento adequado para o lixo.

Segundo o estudo, a CTR (Central de Tratamento de Resíduos) de Londrina está no grupo intermediário, sobretudo pela ausência de separação adequada do lixo: para lá vão desde dejetos orgânicos, que poderiam ser compostados, até materiais recicláveis. A proposta seria que a CTR recebe apenas rejeitos, ou seja, o que não pode ser compostado nem reciclado.

A engenheira química do IAP, Alessandra Nakamura, que participou da elaboração do relatório, disse que houve diminuição significativa dos lixões. Conforme o relatório, em 2012, a quantidade de RSU destinada para locais inadequados representava 30% da geração total de lixo no Paraná e, atualmente,corresponde a 18%, o que perfaz redução de 60%. "Pelo que temos observado, o Paraná está em melhor situação que de outros Estados, mas está no mesmo nível brasileiro. Existem regiões mais críticas, em que os lixões não foram erradicados, e temos que trabalhar para acabar com eles", afirmou a servidora.

DIFICULDADES
Desde março a Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos está elaborando o Plano Estadual de Resíduos Sólidos. O coordenador de resíduos sólidos da pasta, Vinício Bruni, disse que o problema para a implantação da compostagem é que muitos municípios pequenos produzem pouca quantidade para fazer compostagem adequadamente. "Quando feita na natureza, acontece naturalmente e vira adubo, mas quando se trabalha com certas quantidades é preciso mão de obra especializada e equipamentos. Se não for feita adequadamente, pode atrair vetores de doenças", comentou.
Bruni ressaltou que o Paraná está testando tecnologias de destinação como a compostagem ou como a utilização do material para a geração de energia. "A Sanepar está construindo em parceria com a iniciativa privada, a CS Bioenergia, para o processamento de 300 toneladas de matéria orgânica por dia, com objetivo de gerar energia elétrica, mas essa iniciativa só existe em Curitiba."(com Décio Trujilo/Agência Brasil)
Vítor Ogawa
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA
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