Risco de a produção ir para o buraco



Prosolo diz que há erosões em praticamente todas as propriedades do Paraná


A conservação do solo é determinante para a segurança alimentar de qualquer comunidade, mas perdeu importância na lista de afazeres dos produtores rurais paranaenses na última década, quando o setor deu o maior salto em produtividade. Foi então que problemas até então esquecidos, como a erosão, voltaram a aparecer e a preocupar entidades do setor agropecuário. Por isso, neste dia 5 de dezembro em que se comemora o Dia Mundial do Solo, a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, em tradução da sigla em inglês) alerta para a necessidade de retomada do caminho da preservação da principal matéria-prima para a cultura de alimentos.

A data foi escolhida em 2002 pela IUSS (União Internacional de Ciência do Solo, na tradução da sigla em inglês) para cultivar a semente da conservação do solo na cabeça não apenas dos agricultores, mas também dos moradores das cidades, que dependem do alimento e de um ambiente equilibrado para sobreviver. Neste ano a FAO adotou o tema "Cuidar do planeta começa a partir do solo", com objetivo de lembrar que a prática permite mitigar problemas atuais, como a migração forçada em busca de oportunidades, as mudanças climáticas, a desnutrição e a falta de água limpa, entre outros.
O Paraná já foi referência nacional em conservação do solo, mas a partir de 2015 foi possível ver que houve um relaxamento nocivo a todo o setor. Na ocasião, a forte incidência de chuvas provocadas pelo El Niño facilitou o aparecimento de erosão por todo o Estado. Porém, fenômeno climático apenas evidenciou que muitos dos agricultores haviam deixado de lado as boas práticas em troca de uma economia financeira momentânea, que não se sustenta nem mesmo em médio prazo pelas perdas em área plantada e produtividade.



Como resultado, são raras as propriedades que hoje não contam com algum tipo de degradação do solo. "É preciso aceitar que existe um problema, porque muitos dizem que não tem erosão, mas, quando fazemos um voo para observação, encontramos algum tipo de foco em praticamente todas as propriedades do Estado", diz o coordenador da Rede Paranaense de Agropesquisa e Formação Aplicada no programa estadual Prosolo, André Pellegrini, também professor da UTFPR.
Ele explica que a imensa maioria dos produtores rurais sabe o que é preciso fazer para controlar a vazão de águas na terra. Contudo, muitos escolheram manter somente o plantio direto sobre a palhada e abriram mão dos terraços e do plantio em nível, em troca de maior agilidade e facilidade do maquinário no plantio e colheita. "Agricultor bom não é o que faz mais rápido, mas quem faz melhor e tem melhores resultados econômicos", completa Pellegrini.
Diretor do núcleo do Paraná da SBCS (Sociedade Brasileira de Ciência do Solo) e coordenador do Programa de Manejo e Conservação do Solo em Microbacias do Emater, Oromar Bertol afirma que a FAO estima em um terço o total de áreas degradadas no mundo, mas que não há uma estimativa pronta sobre o Estado. "O que podemos dizer é que há regiões que são mais vulneráveis, assim como há também agricultores que fazem o trabalho corretamente mesmo nesses locais."
Bertol considera que o principal problema é o descuido, já que não há controle sobre o clima. "É a atitude individual que faz a diferença e se todos fizerem a sua parte, é possível ter uma melhoria substancial do quadro em pouco tempo", diz, ao lembrar que a população urbana também precisa estar consciente do problema.
Fábio Galiotto
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA
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