Deputado Cabo Júlio tem prisão determinada em processo da Máfia dos Sanguessugas
O deputado
estadual mineiro Cabo Júlio (MDB) teve a prisão determinada pelo Tribunal
Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) em um processo referente à Operação
Sanguessuga. A investigação, de 2006, apurou esquema de desvio de dinheiro
público com pagamento de propina a parlamentares a partir da compra de
ambulâncias superfaturadas.
A defesa
confirmou a ordem de execução de prisão e disse que já prepara um recurso. De
acordo com a assessoria do TRF-1, em Brasília, um despacho do desembargador Ney
Bello determinou a guia de execução da pena, com base no entendimento do
Supremo Tribunal Federal (STF) que possibilita a prisão após esgotamento dos
recursos na segunda instância. O tribunal informou que o parlamentar foi
condenado por improbidade administrativa a quatro anos de reclusão e 40 dias
multa.
Ainda
segundo o TRF-1, o despacho agora é enviado ao juízo de origem. Procurada, a
Justiça Federal em Minas Gerais disse que ainda não há confirmação sobre o
recebimento do documento. A Procuradora Regional da República da 1º Região
(PRR-1) informou que o caso está sob sigilo.
A
assessoria do deputado estadual informou que ele está fora de Belo Horizonte,
em agenda externa no Norte de Minas. Em nota, o advogado dele, Frederico
Savassi, informou que cabo Júlio estará à disposição da Justiça assim que for
notificado.
Conforme
o advogado, em 2002, o deputado recebeu cerca de R$ 100 mil de doação de
campanha de um empresário de Mato Grosso, do ramo de ambulâncias. Essa doação
não foi declarada e se tornou ilegal. Em 2006, o empresário foi preso por
envolvimento na "Máfia dos Sanguessugas”.
“Em
nenhum dos mais de dez processos e mais de mil audições nenhuma pessoa ouvida
declarou ter dado ou recebido R$ 1 sequer do deputado Cabo Júlio. Em todos os
processos, o parlamentar não tinha envolvimento político com nenhuma das
cidades”, diz trecho da nota.
A defesa
também declarou que, ainda assim, a Justiça Federal entendeu ser corrupção
receber recursos de fraudadores de licitações mesmo sem comprovar a
participação de quem recebeu.
O
advogado de Cabo Júlio também argumenta que esta é a primeira condenação, pois
a ação originária é do TRF, por se tratar de prerrogativa de foro. E que, dessa
forma, não foi assegurado o duplo grau de jurisdição, isto é, a confirmação ou
não de uma sentença.
'Máfia dos Sanguessugas'
Segundo
as investigações da Polícia Federal, deflagrada em 2006, a empresa com sede no
Mato Grosso superfaturava o preço de ambulâncias em até 110%. Além disso, a
empresa entregava muitas vezes veículos com defeitos ou sem todos os
equipamentos.
O
primeiro passo da quadrilha era contatar prefeitos. Em muitos casos,
parlamentares ajudavam a cooptar prefeitos para direcionar as licitações em
favor da empresa de Mato Grosso e outras firmas envolvidas no esquema. À época,
o parlamentar era deputado federal.
FONTE - G1 PARANA


