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MP instaura inquéritos contra Traiano e Plauto na Quadro Negro

Delator disse que fez entregas de dinheiro pessoalmente a Traiano, dentro da AL; deputado nega denúncias e diz que não foi intimado.

Curitiba – O MP (Ministério Público) do Paraná instaurou dois inquéritos criminais para investigar as eventuais participações do presidente da AL (Assembleia Legislativa), Ademar Traiano (PSDB), e do primeiro secretário da Casa, Plauto Miró Guimarães Filho (DEM), na Operação Quadro Negro.  


Os processos têm como base a colaboração premiada do dono da Construtora Valor, Eduardo Lopes de Souza, considerado o principal delator do esquema.

A abertura dos inquéritos foi confirmada ontem pela assessoria de imprensa do órgão, que não forneceu outras informações sobre o caso, alegando que as ações penais estão em sigilo. Conforme as investigações, mais de R$ 20 milhões foram desviados de obras de construção e ampliação de escolas estaduais. Cabe ao procurador-geral de Justiça, Ivonei Sfoggia, abrir investigação contra autoridades com prerrogativa de foro, caso de Plauto e Traiano, após autorização do TJ (Tribunal de Justiça) do Estado. 



Apesar do sigilo, trechos do depoimento de Souza à Justiça Estadual, prestado no começo de maio, foram divulgados pela RPC TV. Neles, o empresário afirma que políticos do alto escalão do Paraná, incluindo ainda a governadora Cida Borghetti (PP), o irmão dela, Juliano Borghetti, o marido, deputado federal Ricardo Barros (PP), o ex-governador Beto Richa (PSDB), seu irmão José Richa Filho (o Pepe), seu filho Marcello Richa (PSDB), o deputado federal Valdir Rossoni (PSDB), o deputado estadual Tiago Amaral (PSB) e o presidente do TC (Tribunal de Contas) do Estado, Durval Amaral. Todos negam as acusações.

Souza disse que fez entregas de dinheiro pessoalmente a Traiano, dentro da Assembleia, e na casa do tucano. A verba ilícita seria destinada à campanha eleitoral. Ele também contou que pediu dinheiro a Plauto para tocar obras dos colégios. Segundo o delator, o parlamentar do DEM cobrou "pedágio" de 10% para liberar o dinheiro do aditivo. As declarações são as mesmas da delação que ele fez em Brasília e que foi homologada pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal Luiz Fux, relator da Quadro Negro na Corte. 



OUTRO LADO

 
Ambos negam participação nos crimes. Em nota, Plauto reforçou "que já fez todos os esclarecimentos necessários sobre o assunto ao Ministério Público. E que o inquérito servirá para mostrar a inexistência dos fatos que foram atribuídos a ele". Traiano também se manifestou por meio de nota: "o deputado repudia as denúncias, não foi intimado e está à disposição da Justiça para os esclarecimentos que forem necessários."



Mariana Franco Ramos
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA

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