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Maioria dos municípios do Norte Pioneiro não atinge meta do Ideb

Sertaneja obteve a maior média entre os alunos dos anos iniciais da rede pública do Norte Pioneiro pela terceira vez consecutiva.

Apenas 14 dos 49 municípios do Norte Pioneiro atingiram as metas estabelecidas pelo MEC (Ministério da Educação) para o Ensino Fundamental. É o que mostra o resultado do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) de 2017, divulgado na semana passada (dia 3), pelo ministério e pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira). Outros 12 municípios não atingiram as metas e 23 municípios atingiram apenas as metas dos anos iniciais do Ensino Fundamental (1º a 5º ano).  


O Ideb é o principal indicador de qualidade da educação brasileira. O índice avalia o ensino fundamental e médio no País, com base em dados sobre aprovação nas escolas e desempenho dos estudantes no Saeb (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica). Desde a criação do indicador, em 2007, foram estabelecidas diferentes metas que devem ser atingidas a cada dois anos, quando o Ideb é calculado. O índice vai de 0 a 10.

Pela terceira vez consecutiva, Sertaneja obteve a maior média entre os alunos dos anos iniciais do Ensino Fundamental da rede pública do Norte Pioneiro. A nota 8,2 foi a segunda maior do Paraná, perdendo apenas para Serranópolis do Iguaçu, no Oeste do Estado, que obteve média 8,7. "Já superamos a meta estabelecida pelo MEC para 2021. Isso é resultado de um trabalho intenso realizado desde a educação infantil até o 5º ano e de muito comprometimento dos professores e da atual gestão com a educação", explica a secretária municipal de Educação, Josiane Maganha. Segundo ela, periodicamente, são feitas avaliações diagnósticas para detectar onde estão os problemas de aprendizagem dos alunos. "Assim, conseguimos perceber as dificuldades em cada disciplina e trabalhar preventivamente, antes que o problema cresça", conta.

Os alunos sertanejanos dos anos finais do Ensino Fundamental também tiveram uma das maiores médias da região, 5,3. Mas foi Quatiguá que mais se destacou nas médias do 6º ao 9º ano (5,7) e do Ensino Médio (4,5). O responsável por esse bom desempenho é o Colégio Estadual João Marques da Silveira, a única instituição pública da cidade que oferece essas séries. "É a competência e o comprometimento dos professores que fazem a diferença. Nós não fazemos nada de extraordinário, apenas cumprimos com seriedade as diretrizes e protocolos da Secretaria Estadual", argumenta pedagoga Marilei Tikle.

Para ela, a alta rotatividade de professores é atualmente um fator muito prejudicial para o desempenho dos alunos nas avaliações. "Nossos professores não faltam, não tiram licença, participam ativamente das reuniões pedagógicas e dos conselhos de classe. Nosso quadro de professores é o mesmo há anos", conta.




BAIXO DESEMPENHO
 
São Jerônimo da Serra foi o município com as menores médias, tanto nos anos iniciais (5,0) quantos nos anos finais (3,3) do Ensino Fundamental. Mesmo assim, há motivos para comemorar. "Comparando com a avaliação anterior, conseguimos subir a média dos anos iniciais, que são de competência da Prefeitura, e atingimos a meta estabelecida pelo MEC", pondera o secretário municipal de Educação, Wellington André Jaouiche.

Segundo ele, uma série de particularidades do município impedem grandes avanços na qualidade do ensino. "Infelizmente, somos um dos municípios mais pobres do Paraná, com baixo IDH [índice de desenvolvimento humano]. A extensão territorial é grande e muita gente vive na zona rural, incluindo assentamentos. Isso demanda muito do transporte escolar e o município não tem muitas condições", argumenta. 



FERRAMENTA
Mais do que apontar municípios melhores e piores, o Ideb serve fundamentalmente para que escolas, Estados e Municípios se orientem na busca de melhorias no ensino. "Estamos mapeando os dados do Ideb, fazendo um estudo mais apurado para nos reunir com os diretores e discutir os resultados, refletir sobre os números", conta Magda Souza Vargas, chefe do Núcleo Regional de Educação de Jacarezinho, que atende 12 municípios do Norte Pioneiro.

Segundo ela, o Ideb representa um raio-x da escola e serve como ferramenta confiável para análise sobre evasão, reprovação e a qualidade do ensino. Normalmente, os resultados coincidem com as notas do Saep (Sistema de Avaliação da Educação Básica do Paraná), feita pelo governo estadual."As questões trazidas pelo Ideb são questões que compõem o currículo, a base comum de cada série. Não retratam 100% da escola, mas trazem uma boa base sobre como ela está indo."

UM SALTO DE QUALIDADE
A média dos anos iniciais do Ensino Fundamental de Sapopema no Ideb de 2015 foi uma das mais baixas de todo o Norte Pioneiro (4,7). Com um salto de 1,5 pontos na média, o município chegou a 6,2 em 2017, enquanto a grande maioria dos outros municípios da região que aumentaram suas médias conseguiram três ou quatro décimos a mais que na avaliação anterior. 



"Quando eu assumi a secretaria, em 2013, nossa média era 5,2. Na avaliação de 2015, a nota caiu para 4,7. Até coloquei meu cargo à disposição na época", lembra a secretária de Educação de Sapopema, Josiane Luque. Como foi mantida no cargo, ela planejou, discutiu com os pedagogos, escolheu a dedo quem iria para a sala de aula. "Investimos em formação continuada, oficinas pedagógicas e capacitações para os professores, mexemos no número de alunos por sala, na distribuição das aulas, contratamos fonoaudióloga", elenca a secretária para explica o salto.



Juliana Gonçalves
Especial para a FOLHA DE LONDRINA

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