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NA REGIÃO - Precariedade de estrada rural obriga família a transportar morto em trator

Caso aconteceu no sábado (24) no bairro Santa Joana; prefeitura será denunciada ao Ministério Público

Não bastasse a morte precoce do trabalhador rural João Paulo da Silva, aos 39 anos, na manhã do último sábado (24) na zona rural de Santo Antônio da Platina, possivelmente em consequência de um infarto, parentes e amigos ainda foram obrigados a assistir a cena lastimável do corpo de Silva sendo transportado na carreta de um trator por falta de manutenção das estradas rurais do município. A denúncia foi feita pelo pedreiro Vando Passos Lipi, 28, primo da vítima, que na manhã desta terça-feira (27) vai formalizar a acusação junto ao Ministério Público Estadual (MPPR).

João Paulo da Silva (Arquivo da família)
 Conforme Lipi, o problema na localidade é antigo e atinge diretamente os moradores dos bairros Pavãozinho e Santa Joana, que já não sabem mais a quem recorrer em busca de solução para o impasse. “A prefeitura passa a máquina na estrada, mas não empedra. Basta uma ‘chuvinha’ para a situação ficar ainda pior do que antes”, explica. “Um problema tão simples de ser resolvido para evitar transtornos como o que tivemos no sábado com a morte do meu primo, mas parece que os responsáveis não estão nem aí com os moradores”, desabafa.

Vando Lipi vai denunciar a prefeitura ao Ministério Público Estadual (Antônio de Picolli)

O pedreiro conta que os pais moram no bairro Santa Joana há 16 anos, e que sua mãe sofre do mal de Alzheimer. “A minha mãe já se acidentou há alguns anos atrás perto de casa em razão das más condições da estrada. Hoje, por causa da doença (Alzheimer), ela precisa de atendimento médico, mas não consegue se deslocar até a cidade por não haver meio de passar de carro em alguns trechos da estrada. Vejam o que aconteceu no fim de semana com a nossa família. Precisamos pedir a um vizinho para ele transportar o corpo do nosso primo com seu trator, pois não havia outro meio da funerária realizar o serviço. Lastimável!”, pondera.
Lipi conclui salientando que o último contato que teve com a Secretaria de Obras ocorreu no fim de setembro, quando ele ouviu do secretário Everton José Panegada a promessa de solução para o problema assim que as máquinas da prefeitura concluíssem os serviços iniciados em outro trecho da zona rural do município. “Até agora, nem satisfação! Infelizmente somos obrigados a implorar por nossos direitos. Por isso vou denunciar o descaso à Justiça”, finaliza.
Estradas na comunidade estão intransitáveis (Divulgação)
Outro lado
 Procurado pela reportagem, o secretário de Obras Everton José Panegada reconheceu as acusações do pedreiro Vando Lipi e se comprometeu em fazer a manutenção do trecho em 30 dias. “Ele (Lipi) não mentiu! Realmente havia um planejamento para atendermos aquela comunidade no prazo informado. Ocorre que não temos mão de obra necessária nem maquinários suficientes para atender a demanda, sem contar os problemas climáticos que nos obrigam a mudar a programação para atendermos as estradas rurais”, explica o chefe da pasta acrescentando. “Além disso, estamos com dificuldades para conseguir cascalho junto aos fornecedores para empedrarmos as estradas rurais, o que também compromete o planejamento apresentado ao Ministério Público. Contudo, até o fim de dezembro faremos uma força-tarefa para atender a comunidade dos bairros Pavãozinho e Santa Joana”, assegura.

FONTE - tanosite.com

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