Guardas municipais de Londrina são afastados por suspeita de desvio de dinheiro após apreensão
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Ao todo, 15 agentes são alvos de investigação. Polícia Civil cumpriu 11 mandados de busca e apreensão na casa de suspeitos nesta quinta-feira (20). |
Quinze guardas municipais de Londrina, no norte do Paraná, foram
afastados nesta quinta-feira (20) por suspeita de desvio de dinheiro
após uma apreensão de mais de R$ 850 mil
em dinheiro. A Polícia Civil acredita que o valor era bem maior que o
apresentado e que a diferença foi dividida entre os agentes.
Na manhã desta quinta, foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão
nas casas de guardas. Foram apreendidos telefones celulares e dinheiro.
A Polícia Civil chegou a pedir a prisão temporária dos agentes, mas não
teve autorização da Justiça.
“Houve o entendimento dos delegados de polícia da necessidade da
decretação de prisões temporárias, mas foi negado por parte do Poder
Judiciário. Foram autorizadas somente buscas nas residências desses
guardas municipais”, explicou o delegado-chefe de Londrina, Osmir
Ferreira Neves Júnior.
Ao todo, 15 guardas municipais participaram da ação e são investigados. Um deles disse à polícia que não participou do rateio.
Se o desvio for comprovado, os agentes envolvidos podem responder pelo
crime de peculato, que é desvio de dinheiro feito por funcionário
público.
As investigações
Segundo o delegado-chefe, após a apresentação dos R$ 857.670 pela
Guarda Municipal (GM), no plantão da Polícia Civil, em 13 de novembro,
surgiram indícios de que o valor apreendido era bem maior, ultrapassando
R$ 1,5 milhão, e que um grupo de guardas teria ficado com a diferença.
"Nós temos provas de que houve esse desvio de valores e que houve um
falseamente da realidade daquilo que foi apresentado ao plantão
policial. Agora estamos apurando a extensão desse desvio e também o
número de guardas que estariam envolvidos", detalhou Neves Júnior.
O secretário de Defesa Social, Evaristo Kuceki, informou que
inicialmente, um guarda se arrependeu e procurou a direção da
corporação.
“Teve um guarda que nos procurou, usou o instituto do arrependimento
eficaz. Nós imediatamente o trouxemos aqui até a Polícia Civil e foi
reduzido a termo as declarações dele”, afirmou.
Posteriormente, sete agentes acabaram colaborando com as investigações.
Além disso, três devolveram R$ 60 mil do valor desviado. Para Kuceki, a
devolução comprova o desvio do dinheiro.
“Isso prova cabalmente que houve desvio”, declarou o secretário.
Um procedimento disciplinar foi instaurado contra os guardas municipais, o que pode resultar em demissão.
Caso relacionado
A polícia também apura a relação entre o desvio e a morte de um policial militar,
que ocorreu quatro dias após a apreensão. Wagner da Silva Prado foi
morto em 17 de novembro, em frente a uma padaria no Conjunto São
Lourenço.
O soldado estava de folga no momento em que foi executado com vários
tiros por dois homens encapuzados que estavam em uma moto.
“Surgiram algumas informações de que a execução do policial militar
seria decorrente a uma represália por parte de criminosos, associada a
essa apreensão de valores”, explicou Neves Júnior.
FONTE G1 PR


