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Ratinho cogita mudança no Iapar e preocupa lideranças

A equipe de transição do governador eleito, Ratinho Júnior (PSD), estuda aglutinar em uma única empresa os serviços prestados pelo Iapar (Instituto Agronômico do Paraná), Emater (Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural), Codapar (Companhia de Desenvolvimento Agropecuário do Paraná) e CPRA (Centro Paranaense de Referência em Agroecologia). A proposta será estudada numa segunda fase da reforma administrativa do novo governo. Na primeira, as 28 secretarias atuais serão reduzidas para 15.

"A ideia é otimizar também as administrações de autarquias, fundações e empresas públicas", conta o futuro secretário da Agricultura, Norberto Ortigara. Ele garante que a decisão de fundir as quatro instituições voltadas ao agronegócio ainda não foi tomada e que essa possibilidade vai ser melhor discutida com a Fundação Dom Cabral, que presta consultoria à equipe de transição.

Questionado sobre a preocupação manifestada por lideranças londrinenses quanto ao futuro do Iapar, Ortigara diz que a fusão, se ocorrer, será benéfica ao instituto. "Ajudaria a gente a resolver o problema mais grave do Iapar", alega ele, em referência à falta de pessoal. "Tem muita gente aposentando e o Estado não tem capacidade de prover mais pesquisadores", complementa. A proposta é fazer um plano de desligamento voluntário na Emater e, com a folga financeira decorrente dessa medida, contratar pesquisadores.
Outra vantagem seria a de unificar estruturas comuns como as de recursos humanos e de finanças. "E também fazer o planejamento conjunto da pesquisa (hoje a cargo do Iapar), da assistência técnica (Emater), do desenvolvimento rural (Codapar) e da agroecologia (CPRA)", diz o futuro secretário.

Ortigara alega entender a importância da marca Iapar para Londrina e região, mas afirma que, se continuar como está, o instituto vai "morrer à míngua". "Vai ter de fechar polos de pesquisa e continuar improvisando porque o Estado hoje não tem como contratar", alega.
Por enquanto, a equipe de Ratinho não pensa em nomear todos os cargos de diretoria dos quatro órgãos. "Se a gente nomear todas, a gente não consegue mais fazer a mudança", justifica. O pesquisador Natalino Avance de Souza vai comandar todos os institutos. Para o Iapar, foram designados dois diretores, Rafael Fuentes e Altair Dorico. Mas o cargo de presidente não será preenchido por enquanto.

REPERCUSSÃO

Antes de ser comunicada oficialmente, a proposta de fusão já é vista com restrições em Londrina. O receio é que a cidade perca a sede do Iapar. "Vimos com bons olhos as reformas administrativas que resultam em economia. Mas levar a administração do órgão para Curitiba seria impensável. O Iapar foi uma conquista importante da nossa região. Lutamos muito por ele", afirma o presidente da SRP (Sociedade Rural do Paraná), Antonio Sampaio.
O deputado estadual reeleito Tercílio Turini (PPS) é outro que está preocupado. "Não temos clareza de como isso seria feito, temos muitas informações desencontradas. Mas acho um equívoco o governo mexer no Iapar, que é uma marca, um símbolo para nossa região. Ele deve ser reforçado e jamais diminuído", declara.
Turini conta que os deputados estaduais serão convocados para votar a reforma administrativa nos dias 21 e 22 de janeiro. E que tem receio de que a fusão dos institutos também esteja na pauta da Assembleia. "Não se pode mexer numa instituição tão importante sem discutir antes com a sociedade."
Ortigara garante que o debate será feito.


Nelson Bortolin - Reportagem Local-FOLHA DE LONDRINA


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