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Confira relatos de dez pessoas que venceram o coronavírus e estão curadas

Enquanto a ciência não chega a um tratamento certeiro ou a uma vacina específica para evitar a Covid-19, profissionais da saúde cuidam dos pacientes com o que a medicina oferece. Não há uma resposta única e tudo depende da evolução da doença em cada um. Dez pessoas de diferentes idades, profissões e bairros do Rio de Janeiro, que foram contaminadas e conseguiram vencer o coronavírus, contaram ao EXTRA como foi o processo de cura. Medicadas com antivirais, antibióticos, cloroquina, antitérmicos ou outros remédios, elas têm em comum, em seus relatos, o destaque para o apoio de amigos e parentes e a dor do isolamento absoluto imposto ao doente.

— Como tratamento, me receitaram azitromicina e ceftriaxona, mas o que mais fez a diferença foi falar com a minha filha e neta por video-chamada, no celular de uma médica — assegura a aposentada Idalzina Santos de Souza, que mesmo com seus 91 anos, conseguiu levar o novo coronavírus a nocaute: — Quero retomar as atividades diárias e voltar a praticar meus exercícios físicos. Sempre fui ativa.
No estado, até este sábado, a Secretaria de Saúde contabilizava 6.828 casos, com 615 mortos. Desse total, 3.144 se recuperaram. Na capital, dos 4.481 infectados, 2.394 já estão curados. Os bairros cariocas com mais pacientes recuperados são Barra (157), Copacabana (129) e Leblon (96).
Segundo o Ministério da Saúde, no Brasil, dos 58.509 pacientes diagnosticados (um aumento de 10,4% de sexta para sábado), quase 28 mil já se recuperaram. Até este sábado, no país, 4.016 pessoas haviam morrido pela Covid-19.
De quinta-feira até sábado, foram notificadas 1.110 mortes no país, mais de um quarto do total registrado, o que mostra uma tendência de aceleração da doença no Brasil.
Bárbara Bittencourt, advogada de 35 anos
Bárbara Bittencourt, advogada de 35 anos Foto: Arquivo pessoal
Bárbara Bittencourt, advogada de 35 anos: “A doença atingiu o sistema neurológico”
A mineira, que mora no Rio há 12 anos, conta que seu caso foi raro, pois o vírus se alojou no cérebro. De 14 até 21 de março, ela teve sintomas brandos da doença, como leve dificuldade de respirar, febre e tosse. No dia 21, foi a um hospital privado e liberada. No dia seguinte, perdeu paladar e olfato, e passou a ter muita dor no corpo e enxaqueca. No dia 29, foi para outra unidade de saúde com febre, mas de novo a mandaram para casa.
— No dia 30, acordei com confusão mental, e meu marido me levou ao hospital. Fui direto para a UTI, ficando inconsciente até dia 2. A doença deu positivo no sistema neurológico. Para melhorar, foi feito tratamento com aciclovir (antiviral) — diz a advogada, que teve alta no dia 6 e, no dia 16, recebeu o resultado do exame apontando que estava curada.
Grata, ela quer ajudar. Por isso, participa de estudo do Hospital Albert Einstein sobre impactos neurológicos da doença.
Idalzina Santos de Souza, aposentada de 91 anos
Idalzina Santos de Souza, aposentada de 91 anos Foto: Arquivo pessoal
Idalzina Santos de Souza, aposentada de 91 anos: “O que fez diferença foi falar com filha e neta”
A aposentada baiana de 91 anos teve alta no último dia 16, após 10 dias internada num hospital particular da Barra da Tijuca. Moradora de Botafogo, a idosa conta que, em 28 de março desmaiou em casa e foi levada pela família a um pronto-atendimento em Copacabana, mas no mesmo dia foi liberada. Uma semana depois, passou a sentir cansaço, dificuldade para respirar e enjoo, quando foi levada para o hospital:
— Lá constataram a pneumonia e o novo coronavírus. Como tratamento, me receitaram azitromicina e ceftriaxona, mas o que mais fez a diferença foi falar com a minha filha e neta por videochamada, no celular de uma médica — diz.
Idalzina conta que o momento é de esperança:
— Quero retomar as atividades diárias e voltar a praticar meus exercícios físicos. Sempre fui ativa.
Camila Pereira, bióloga de 31 anos
Camila Pereira, bióloga de 31 anos Foto: Arquivo pessoal
Camila Pereira, bióloga de 31 anos: “Com união, podemos vencer essa doença”
A moradora da Barra Camila Pereira admite que subestimou a doença quando, no dia 3 de abril, começaram os primeiros sintomas: indisposição, dor no corpo e febre. A jovem, que tem asma e obesidade, conta que, no domingo de Páscoa, perdeu o olfato e o paladar, além de ter começado a ter náusea e diarreia:
— Pedi o exame para Covid-19 num laboratório particular e deu positivo. Minha experiência com a doença foi complicada, pois tive diversos sintomas, como conjuntivite e urticária. Para melhorar, tomei antibiótico — ressalta.
Da doença, tirou lições:
— É um momento para ter atitudes colaborativas e de solidariedade. Não é uma doença simples, mas com união podemos vencê-la — diz.
José Alexandre Araújo, médico urologista de 42 anos
José Alexandre Araújo, médico urologista de 42 anos Foto: Arquivo pessoal
José Alexandre Araújo, médico urologista de 42 anos: “Agradeço por voltar a abraçar quem eu amo”
Sem histórico de doenças e com rotina diária de exercício físico e alimentação saudável, José Alexandre passou a ter sintomas da doença no dia 18 de março.
— Cinco dias depois, fui acometido por uma falta de ar intensa, mas não fui internado. De forma empírica, tomei azitromicina, cloroquina e dipirona, e 14 dias depois, estava melhor — relata o médico, que passou para olhar para a vida de outra forma: — Fiquei preso no meu quarto, de máscara, sem encostar em minha esposa e meus filhos. O pior da doença é ter a noção da piora, perdi 5kg em menos de uma semana. Hoje agradeço por voltar a abraçar quem eu amo.
E concluiu:
— Penso em como a vida é frágil e que precisamos dar valor para quem está do nosso lado.
Rafael Maiolino Bloise, músico de 33 anos
Rafael Maiolino Bloise, músico de 33 anos Foto: Arquivo pessoal
Rafael Maiolino Bloise, músico de 33 anos: “Eu me sinto ofegante mesmo 43 dias depois”
O morador de Niterói voltou de uma viagem a trabalho para a Bahia no dia 8 de março, e começou sentir sintomas brandos no dia 10. No dia 12, Rafael foi fez o teste para a Covid-19 e, dois dias depois, o resultado veio positivo.
— Antes de apresentar os sintomas, visitei meus pais e avós. O resultado foi que a família inteira pegou, sendo o meu pai o caso mais grave, pois passou três dias no CTI. Para melhorarmos, a recomendação foi o uso de um antigripal e antibiótico — relata.
Rafael alerta para a importância de encarar o vírus com seriedade:
— Estou focado na recuperação, pois ainda me sinto ofegante, mesmo 43 dias após o primeiro sintoma. O alívio é que meus familiares estão saudáveis — conta.
José Bernardo Neto, microempresário de 54 anos: “Sem apoio da famílía, a trajetória seria diferente”
Sem doenças pré-existentes, o assessor de imprensa e microempresário José Bernardo Neto passou 20 dias com a doença, oito deles hospitalizado:
— Em menos de dez dias, adquiri pneumonia, os médicos diagnosticaram que 20% dos meus pulmões estavam infectados A sensação de falta de ar era intensa, fui direto para o oxigênio no CTI. Meus sinais vitais estavam baixos, fiquei oito dias internados, três no oxigênio. Para melhorar, foi feito o tratamento com cloroquina, azitromicina e amoxicilina — conta.
Além do tratamento médico, ele diz que o apoio da família foi fundamental:
— Sem o apoio da minha família, essa trajetória seria diferente.
Ana Giulia Ricciardi, estudante de 18 anos
Ana Giulia Ricciardi, estudante de 18 anos Foto: Arquivo pessoal
Ana Giulia Ricciardi, estudante de 18 anos: “Precisei de ajuda de amigos e familiares”
A moradora do Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio, começou a sentir os primeiros sintomas da Covid-19 no dia que as universidades decidiram suspender as aulas, em 13 de março.
— Eu passei o vírus para minha mãe, que tem 50 anos. Eu nunca a vi tão doente, foi bem difícil vê-la no CTI, incomunicável. Fiquei sozinha em casa, precisei de ajuda dos meus amigos e familiares para conseguir receber comida e apoio, pois eu não podia sair de casa — lembra.
A mãe ficou em estado mais grave e passou por tratamento à base de antibiótico, mas Ana não foi hospitalizada:
— Por recomendação de um médico, tomei pastilha de garganta e analgésico — diz.
Mônica Henriques França, médica intensivista de 46 anos
Mônica Henriques França, médica intensivista de 46 anos Foto: Arquivo pessoal
Mônica Henriques França, médica intensivista de 46 anos: “É uma sensação de renascimento”
Médica intensivista, a moradora da Vila da Penha se emociona ao lembrar do processo de cura. Conta que no dia 27 março saiu do trabalho para tomar vacina da gripe com a sua filha. Dois dias depois, ao acordar, sentiu uma severa dor no corpo. Até que surgiram novos sintomas, como febre e fadiga:
— Fiz o exame para Covid-19, cujo resultado positivo saiu uma semana depois. Em isolamento, fiquei muito sintomática. E me afastei do trabalho do dia 29 até o dia 12 de abril. Tomei dipirona e azitromicina.
Para ela, vencer a doença foi como ganhar na loteria:
— Meu maior medo era infectar minha mãe, que é idosa e tabagista, e minha filha, que tem 14 anos. Vencer essa guerra é uma sensação de renascimento. Falo que ganhei na loteria da vida. O que mexeu mais comigo era não tocar nelas.
Jhordana Ventura, atriz de 31 anos
Jhordana Ventura, atriz de 31 anos Foto: Arquivo pessoal
Jhordana Ventura, atriz de 31 anos: “Agradeci pelas pequenas coisas”
A goiana moradora do Flamengo conta que o primeiro sintoma foi uma forte dor de cabeça que durou dois dias. Logo, começou a sentir a falta de ar e perdeu olfato e paladar:
— Só liguei o alerta quando senti muita falta de ar e cansaço. Busquei atendimento no Hospital Miguel Couto e fui orientada a ficar em isolamento, tomar paracetamol e fazer nebulização, além de vitaminas para melhorar a imunidade.
A atriz conta que o apoio da família e dos amigos, por vídeo-chamada, foi o diferencial:
— Cheguei a pensar que não fosse mais encontrar minha família e amigos presencialmente, mas por vídeo eles me acalmaram e deram força. Me emocionei muito quando melhorei, agradeci pelas pequenas coisas, como sentir o cheiro do xampu e o gosto da comida.
Gabriela de Saboya, jornalista de 40 anos
Gabriela de Saboya, jornalista de 40 anos Foto: Arquivo pessoal
Gabriela de Saboya, jornalista de 40 anos: “Dormi por quase 23 horas seguidas”
Moradora de Ipanema, Gabriela conta que no começo, parecia estar apenas com uma gripe. Os primeiros sintomas vieram no dia 23 de março. No entanto, quando chegou ao um estado febril constante de 38 graus, começou a se preocupar:
— Busquei atendimento em um hospital e, quando fiz o teste, a ficha caiu. Fiquei com muita falta de ar, cansaço, dormi por quase 23 horas seguidas. Para melhorar, tomei remédios para febre e dor — conta.
Gabriela conta que mudou alguns comportamentos depois de ter a Covid-19:
— Estou cuidando mais da minha alimentação, faço exercícios pulmonares diariamente para recuperar a minha capacidade aeróbica — diz.
FONTE - EXTRA/GLOBO.COM

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