VIOLÊNCIA - Sombra das organizadas desafia futebol
Mesmo com tumultos e prejuízos gerados por punições, diretorias dos maiores clubes do Estado se mantêm próximas das torcidas uniformizadas
Quatro ficaram feridos e três foram presos após a briga entre torcedores de Atlético Paranaense e Vasco da Gama, há uma semana, em Joinville
A briga entre torcedores de Atlético Paranaense e Vasco da Gama, durante jogo da última rodada do Campeonato Brasileiro de futebol na Arena Joinville (SC) no domingo passado e que teve como saldo quatro feridos hospitalizados e três vascaínos presos, gerou enorme repercussão.
Além de manchetes em sites e jornais internacionais e intermináveis discursos na imprensa nacional condenando "marginais travestidos de torcedores", a presidente Dilma Rousseff (PT) sugeriu a criação de uma "delegacia do torcedor". Um grupo de trabalho formado por representantes do governo federal, Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e outras entidades prometeu definir novas medidas para aumentar as punições a clubes com torcidas violentas, entre elas a perda de pontos nos campeonatos.
O Ministério Público do Paraná (MP-PR) assinou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que impede a principal torcida organizada do Atlético, a Fanáticos, de frequentar estádios por seis meses. Dos torcedores atleticanos que participaram do tumulto em Joinville, vários usavam camisas da organizada. Mesmo assinando o TAC, membros da Fanáticos disseram que vão continuar indo aos jogos do time, mas sem materiais alusivos à uniformizada.
Na última sexta-feira, apenas cinco dias após o tumulto, o Atlético e o Vasco foram julgados na 4ª Comissão Disciplinar do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). Ambos foram multados e perderam, respectivamente, 12 e 8 mandos de campo na temporada de 2014. Cabe recurso no pleno do STJD.
Vale lembrar que o Atlético teve que jogar em Joinville porque havia sido punido com a perda de dois mandos de jogos por brigas entre duas uniformizadas do clube no clássico contra o Coritiba, realizado na Vila Capanema em outubro.
Apesar das reações indignadas, o futebol paranaense já viveu situação parecida antes e a violência continuou. Em dezembro de 2009, torcedores do Coritiba depredaram o estádio do clube, o Couto Pereira, após o jogo contra o Fluminense que rebaixou o Coxa para a Série B do Campeonato Brasileiro. Assim como ocorreu após o tumulto em Joinville, as cenas da selvageria percorreram o mundo. O Coritiba foi punido com a perda de 10 mandos de campo e teve que jogar em Joinville no ano seguinte.
Logo após a briga de domingo passado, o presidente do Atlético, Mario Celso Petraglia, criticou as uniformizadas. "Precisamos acabar com essa história das organizadas, prender essa gente, acabar com essa impunidade, de ir lá, (o torcedor) tomar uma carraspana e depois voltar", declarou.
Em nota, o clube informou que tomaria "todas as providências para identificar os envolvidos e puni-los, caso tenham ligações com a instituição, ou denunciar às autoridades competentes qualquer um que tenha tido participação nos lamentáveis incidentes". A Fanáticos alega que houve "descaso e despreparo das autoridades competentes" e que seus integrantes apenas reagiram após vascaínos invadirem a área da torcida atleticana na Arena Joinville.
Em todo o Brasil, é comum a proximidade das direções dos clubes com as organizadas. E, apesar do discurso, Petraglia é muito próximo da Fanáticos. Provas de cumplicidade entre clubes e organizadas também podem ser verificadas no Coritiba, Paraná Clube e Londrina (leia mais nesta edição). As relações privilegiadas vão desde elogios até vantagens para frequentar o estádio em comparação aos torcedores que não integram organizadas.
Na esteira do tumulto no Couto Pereira em 2009, o Ministério do Esporte criou o projeto Torcida Legal, para cadastrar integrantes de organizadas e que no Paraná tem apoio do MP-PR. O projeto, lançado em 2011, teve Curitiba como ponto de partida devido justamente à repercussão do quebra-quebra no Couto Pereira.
O promotor de Justiça Maximiliano Ribeiro Deliberador afirma que o projeto não foi levado adiante por Brasília. "Estamos cobrando a retomada do processo", afirma. Deliberador aponta que, apesar de ainda ocorrerem brigas de torcidas, hoje há mais mecanismos legais para punir torcedores violentos em relação a 2009. "O Estatuto do Torcedor foi alterado (em 2010). Até então, não existia previsão da existência de torcida organizada, de punições, por isso não havia muito o que fazer naquele momento", explica.
"A proximidade entre clubes e organizadas é inevitável, porque o torcedor, organizado ou não, constitui a torcida do clube. A partir do momento em que a lei reconhece a torcida organizada, o clube precisa ter uma relação com ela como com qualquer consumidor", diz o promotor. "Os clubes não têm poder para punir organizadas, apenas o poder público tem. Mas se o torcedor organizado também for sócio do clube, a instituição pode puni-lo administrativamente."
Além de mortos e feridos, o comportamento irracional dos torcedores gera impacto financeiro nos clubes. O tumulto de 2009 representou um prejuízo de R$ 12 milhões para o Coritiba, entre perdas relativas à interdição do Couto Pereira durante dois meses, diminuição do número de sócios e de receitas de placas de publicidade e custos de logística para cumprir a pena de mandar 10 jogos em Joinville. folha de londrina
Além de manchetes em sites e jornais internacionais e intermináveis discursos na imprensa nacional condenando "marginais travestidos de torcedores", a presidente Dilma Rousseff (PT) sugeriu a criação de uma "delegacia do torcedor". Um grupo de trabalho formado por representantes do governo federal, Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e outras entidades prometeu definir novas medidas para aumentar as punições a clubes com torcidas violentas, entre elas a perda de pontos nos campeonatos.
O Ministério Público do Paraná (MP-PR) assinou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que impede a principal torcida organizada do Atlético, a Fanáticos, de frequentar estádios por seis meses. Dos torcedores atleticanos que participaram do tumulto em Joinville, vários usavam camisas da organizada. Mesmo assinando o TAC, membros da Fanáticos disseram que vão continuar indo aos jogos do time, mas sem materiais alusivos à uniformizada.
Na última sexta-feira, apenas cinco dias após o tumulto, o Atlético e o Vasco foram julgados na 4ª Comissão Disciplinar do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). Ambos foram multados e perderam, respectivamente, 12 e 8 mandos de campo na temporada de 2014. Cabe recurso no pleno do STJD.
Vale lembrar que o Atlético teve que jogar em Joinville porque havia sido punido com a perda de dois mandos de jogos por brigas entre duas uniformizadas do clube no clássico contra o Coritiba, realizado na Vila Capanema em outubro.
Apesar das reações indignadas, o futebol paranaense já viveu situação parecida antes e a violência continuou. Em dezembro de 2009, torcedores do Coritiba depredaram o estádio do clube, o Couto Pereira, após o jogo contra o Fluminense que rebaixou o Coxa para a Série B do Campeonato Brasileiro. Assim como ocorreu após o tumulto em Joinville, as cenas da selvageria percorreram o mundo. O Coritiba foi punido com a perda de 10 mandos de campo e teve que jogar em Joinville no ano seguinte.
Logo após a briga de domingo passado, o presidente do Atlético, Mario Celso Petraglia, criticou as uniformizadas. "Precisamos acabar com essa história das organizadas, prender essa gente, acabar com essa impunidade, de ir lá, (o torcedor) tomar uma carraspana e depois voltar", declarou.
Em nota, o clube informou que tomaria "todas as providências para identificar os envolvidos e puni-los, caso tenham ligações com a instituição, ou denunciar às autoridades competentes qualquer um que tenha tido participação nos lamentáveis incidentes". A Fanáticos alega que houve "descaso e despreparo das autoridades competentes" e que seus integrantes apenas reagiram após vascaínos invadirem a área da torcida atleticana na Arena Joinville.
Em todo o Brasil, é comum a proximidade das direções dos clubes com as organizadas. E, apesar do discurso, Petraglia é muito próximo da Fanáticos. Provas de cumplicidade entre clubes e organizadas também podem ser verificadas no Coritiba, Paraná Clube e Londrina (leia mais nesta edição). As relações privilegiadas vão desde elogios até vantagens para frequentar o estádio em comparação aos torcedores que não integram organizadas.
Na esteira do tumulto no Couto Pereira em 2009, o Ministério do Esporte criou o projeto Torcida Legal, para cadastrar integrantes de organizadas e que no Paraná tem apoio do MP-PR. O projeto, lançado em 2011, teve Curitiba como ponto de partida devido justamente à repercussão do quebra-quebra no Couto Pereira.
O promotor de Justiça Maximiliano Ribeiro Deliberador afirma que o projeto não foi levado adiante por Brasília. "Estamos cobrando a retomada do processo", afirma. Deliberador aponta que, apesar de ainda ocorrerem brigas de torcidas, hoje há mais mecanismos legais para punir torcedores violentos em relação a 2009. "O Estatuto do Torcedor foi alterado (em 2010). Até então, não existia previsão da existência de torcida organizada, de punições, por isso não havia muito o que fazer naquele momento", explica.
"A proximidade entre clubes e organizadas é inevitável, porque o torcedor, organizado ou não, constitui a torcida do clube. A partir do momento em que a lei reconhece a torcida organizada, o clube precisa ter uma relação com ela como com qualquer consumidor", diz o promotor. "Os clubes não têm poder para punir organizadas, apenas o poder público tem. Mas se o torcedor organizado também for sócio do clube, a instituição pode puni-lo administrativamente."
Além de mortos e feridos, o comportamento irracional dos torcedores gera impacto financeiro nos clubes. O tumulto de 2009 representou um prejuízo de R$ 12 milhões para o Coritiba, entre perdas relativas à interdição do Couto Pereira durante dois meses, diminuição do número de sócios e de receitas de placas de publicidade e custos de logística para cumprir a pena de mandar 10 jogos em Joinville. folha de londrina

