Hemocromatose: silenciosa e perigosa
Acúmulo de ferro no sangue pode afetar órgãos e tecidos e até levar à morte
"Descobri a doença há um ano e, desde então, faço acompanhamento e sangrias quando recomendado pelo médico", conta Daniela Manzali
Ir até o hospital para retirar e descartar 400 ml de sangue pode parecer estranho, mas esta ação faz parte da rotina de Daniela Froehlich Manzali, de 31 anos. Tanto que ela já começou o ano de 2014 com quatro sangrias agendadas, uma por mês. Daniela precisa passar pelo procedimento porque tem hemocromatose, uma doença que se caracteriza pelo acúmulo de ferro nos órgãos e tecidos, o que é prejudicial à saúde. O descarte de sangue reduz o nível de ferro no organismo da jovem. "Descobri a doença há um ano e, desde então, faço acompanhamento e sangrias quando recomendado pelo médico", comenta.
Para Daniela, retirar o sangue é o menor dos problemas. Ela já teve leucemia e passou por um transplante de medula óssea. As duas doenças não possuem relação entre si, mas para ela isso significa mais cuidado e visitas frequentes ao médico. Ela conta que descobriu a hemocromatose por acaso. "Sempre que fazia exames meu sangue apresentava um determinado índice alterado. Ao investigar, foi identificado que eu tinha muito ferro e que ele estava se depositando nos órgãos".
Apesar de ter feito alguns exames, não foi possível identificar se a Daniela tem a forma primária (hereditária) ou secundária (derivada de outras doenças) da hemocromatose. A forma hereditária atinge uma a cada 200 pessoas brancas de origem celta ou caucasiana. Segundo pesquisas, esta é a doença de sangue hereditária mais comum entre as pessoas de pele branca. Apesar disso, no Brasil, por conta da miscigenação de raças, a hemocromatose primária é considerada rara.
O ferro é uma substância fundamental na formação da hemoglobina, molécula do sangue responsável pelo transporte de oxigênio no organismo. A falta dele pode provocar anemia e o excesso sobrecarrega o funcionamento de órgãos como o fígado, pâncreas, coração e pode levar à morte. O médico hematologista Luis Gabriel Fernandez Turkowski explica que a dieta é a única fonte de ferro que temos e que não há uma forma fisiológica de fazer a excreção desta substância. "Uma vez absorvido, ou o ferro vai formar as hemoglobinas ou é depositado em alguns tecidos como reserva", afirma.
As pessoas que possuem a forma primária da hemocromatose apresentam uma deficiência no mecanismo que regula a absorção de ferro pelo organismo, o que aumenta muito o depósito nos órgãos e traz prejuízos à saúde. A forma secundária da doença pode estar relacionada à presença de doenças inflamatórias crônicas, como as reumáticas, infecções crônicas, neoplasias e também pode ser desencadeada por transfusões de sangue e pelo uso excessivo de ferro no tratamento inadequado de anemias.
A forma primária – ou hereditária – da doença não tem cura e deve ser controlada durante toda a vida após a descoberta. Já a forma secundária pode ser curada se a pessoa conseguir reverter o processo que provoca o acúmulo de ferro nos órgãos e tecidos. "A anemia deve ser investigada já que nem sempre está relacionada à falta de ferro do organismo. Quando ela não desaparece após três meses de tratamento, o ideal é continuar investigando e fazendo exames porque o ferro pode estar se acumulando nos órgãos e tecidos", aponta o médico. Turkowski acrescenta que o diagnóstico de hemocromatose é difícil de ser feito e leva tempo.
Para Daniela, retirar o sangue é o menor dos problemas. Ela já teve leucemia e passou por um transplante de medula óssea. As duas doenças não possuem relação entre si, mas para ela isso significa mais cuidado e visitas frequentes ao médico. Ela conta que descobriu a hemocromatose por acaso. "Sempre que fazia exames meu sangue apresentava um determinado índice alterado. Ao investigar, foi identificado que eu tinha muito ferro e que ele estava se depositando nos órgãos".
Apesar de ter feito alguns exames, não foi possível identificar se a Daniela tem a forma primária (hereditária) ou secundária (derivada de outras doenças) da hemocromatose. A forma hereditária atinge uma a cada 200 pessoas brancas de origem celta ou caucasiana. Segundo pesquisas, esta é a doença de sangue hereditária mais comum entre as pessoas de pele branca. Apesar disso, no Brasil, por conta da miscigenação de raças, a hemocromatose primária é considerada rara.
O ferro é uma substância fundamental na formação da hemoglobina, molécula do sangue responsável pelo transporte de oxigênio no organismo. A falta dele pode provocar anemia e o excesso sobrecarrega o funcionamento de órgãos como o fígado, pâncreas, coração e pode levar à morte. O médico hematologista Luis Gabriel Fernandez Turkowski explica que a dieta é a única fonte de ferro que temos e que não há uma forma fisiológica de fazer a excreção desta substância. "Uma vez absorvido, ou o ferro vai formar as hemoglobinas ou é depositado em alguns tecidos como reserva", afirma.
As pessoas que possuem a forma primária da hemocromatose apresentam uma deficiência no mecanismo que regula a absorção de ferro pelo organismo, o que aumenta muito o depósito nos órgãos e traz prejuízos à saúde. A forma secundária da doença pode estar relacionada à presença de doenças inflamatórias crônicas, como as reumáticas, infecções crônicas, neoplasias e também pode ser desencadeada por transfusões de sangue e pelo uso excessivo de ferro no tratamento inadequado de anemias.
A forma primária – ou hereditária – da doença não tem cura e deve ser controlada durante toda a vida após a descoberta. Já a forma secundária pode ser curada se a pessoa conseguir reverter o processo que provoca o acúmulo de ferro nos órgãos e tecidos. "A anemia deve ser investigada já que nem sempre está relacionada à falta de ferro do organismo. Quando ela não desaparece após três meses de tratamento, o ideal é continuar investigando e fazendo exames porque o ferro pode estar se acumulando nos órgãos e tecidos", aponta o médico. Turkowski acrescenta que o diagnóstico de hemocromatose é difícil de ser feito e leva tempo.
Michelle Aligleri
Reportagem Local-FOLHA DE LONDRINA
Reportagem Local-FOLHA DE LONDRINA

