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Calor intenso dobra demanda por ‘produtos de verão’

Distribuidoras de água veem pedidos crescer até 100% e limitam entregas em Londrina
Anderson Coelho
Em uma distribuidora de água de Londrina, os galões descem do caminhão direto para a entrega
O calor acima da média vem aquecendo, também, os negócios de quem trabalha com produtos voltados para o verão. E um item básico, de consumo quase obrigatório, viu sua demanda galopar: a água mineral. Clientes que compravam um galão por semana nas distribuidoras, dobraram a quantidade no último mês; empresas que encomendavam a cada dois dias estão pedindo diariamente. Com isso, distribuidoras de Londrina precisaram limitar o número de entregas para não zerar seus estoques. 

Josiana Souza, da distribuidora Ouro Verde, conta que parou de aceitar pedidos ontem às 13 horas, para evitar o que havia ocorrido no dia anterior, quando cem entregas ficaram pendentes. Segundo ela, a intensidade do calor pegou a todos de surpresa. "Geralmente é quente nessa época do ano, mas não tanto. Nossa demanda aumentou cerca de 80% nesse início de ano", relata. 

A distribuidora Água Leve Pura está selecionando clientes de acordo com a proximidade, para evitar percalços. No mercado desde 2005, a proprietária Raquel Silveira afirma que está até "torcendo para chover", para harmonizar a relação com os clientes. "Está ruim para a gente, porque os clientes que temos que recusar ficam insatisfeitos e a gente fica estressado por tentar atender todo mundo", defende. 

Segundo Raquel, a demanda no seu estalebimento cresceu cerca de 40% desde a última semana de janeiro. Roberto Bueno, dono da distribuidora Água Fresca, atua nesse mercado há 15 anos e diz não se lembrar de ter vivido situação semelhante. "Tenho um estoque com capacidade para 5 mil galões que já chegou a ficar vazio. Os galões descem do caminhão direto para a entrega", relata. 

Bueno ressalta que, aliado ao contentamento com a alta da demanda, sente-se frustrado por não conseguir atender a todos os clientes que ligam. "Estou atendendo apenas clientes já cadastrados", pontua. O mesmo fez Cláudia Hishinuma, do Armazém das Águas, "por não ter condições de atender". A seleção dos clientes acontece no momento da chamada. 

"Temos um sistema que reconhece o endereço do telefone que está ligando, aí já sabemos se dá para atender ou não", revela Cláudia. De acordo com ela, esse esquema impede a pendência de entregas. "Vimos nossa demanda sair de 150 para 300 pedidos por dia, mas pusemos uma meta de fazer todas as entregas no mesmo dia", garante. 

Nos termômetros aparece a explicação para todo esse consumo. Segundo o Simepar, nos primeiros dez dias de fevereiro, a média de temperatura em Londrina está mais de 6ºC acima da média histórica - que é de 30,1ºC para o período – ficando em 36,5ºC. Há previsão de que o calor amenize até o fim de semana, com previsões máximas de 28ºC na sexta-feira e de 25ºC no próximo sábado. 

Piscina e sorvete 

E como nada melhor que água para refrescar, a venda de piscinas também teve um salto em Londrina neste início de ano. A proprietária da loja Igui, Andréia Cantaluppi, conta que precisou implantar um sistema de senhas para conseguir atender todos os clientes. "Começamos em janeiro já muito bem, mas em fevereiro, os pedidos triplicaram", relata. 

A empresária lembra que o período de outubro a março é a "alta temporada" para o setor, no entanto, diz que não há comparação entre o ano passado e este. "Estamos vendendo cerca de seis piscinas por semana; uma por dia é garantido", comemora. 

E quem não pode ir à piscina, se refresca com picolés e sorvetes – e também eleva as vendas do setor. Rafael Casagrande, dono do Atacadão dos Sorvetes, afirma que sua demanda cresceu 40% nos dois primeiros meses deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado. "Estamos conseguindo manter o estoque, mas acontece de um sabor ou outro faltar, porque alguns fabricantes estão com dificuldades de atender", diz. 

FOLHA DE LONDRINA
Cecília França
Reportagem Local
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