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Empresária diz que cúpula do governo de Beto Richa participou de suborno

Denunciante de um suposto esquema de corrupçãoem gestões do PDT no Ministério do Trabalho, a empresária do ramo de transportes Ana Cristina Aquino aponta a existência de uma conexão paranaense no caso, e cita integrantes da cúpula do governo de Beto Richa (PSDB-PR).
Aquino, cujos filhos são donos das transportadoras AG Log e AGX Log, diz que o advogado João Graça, assessor do ministro Manoel Dias (PDT), lhe propôs, em abril de 2012, uma parceria para transporte de veículos da Renault, que tem fábrica no PR.
O assunto foi abordado, afirma ela, em reunião com o então diretor-geral da Fazenda do PR Amauri Escudero, hoje chefe da representação do Paraná em Brasília.
Acordou-se, segundo a empresária, que criariam a AGX Log, com sede no PR, e que 20% das cotas ficariam com Graça. "Nesse acordo ficou que Graça daria 10% para Escudero, que não podia aparecer devido ao cargo público", disse Aquino, em declaração registrada em cartórios de MG em novembro de 2013.
À revista "Isto É", que publicou as primeiras informações sobre o caso, Aquino disse ter pago R$ 500 mil, como forma de viabilizar o acordo na Renault, ao secretário de Infraestrutura do PR, Pepe Richa, irmão do governador.
Na declaração registrada em cartório, Aquino não menciona o suposto pagamento a Pepe Richa, mas diz tê-lo conhecido por meio do empresário de transportes Sérgio Gabardo, a quem acusa de ser "sócio oculto" de suas empresas e mentor das supostas operações de corrupção.
O suposto acordo citado por Aquino não se concretizou – segundo a empresária, Graça e Gabardo perceberam que o "plano tinha dado errado" após as primeiras denúncias sobre as empresas dela virem à tona, em 2013. A Renault e as pessoas citadas pela empresária negaram as acusações (leia texto nesta página).
SUPOSTA PROPINA
A empresária disse ainda que repassou, também como forma de garantir o serviço de transporte, "mais de R$ 12,2 milhões" a Julio Barrionuevo, ex-gerente-geral de logística da Renault. Afirmou ter comprovantes de pagamento – que não mostrou à Folha.
O governo de Beto Richa atribui a denúncia a interesses eleitorais. Nos bastidores, governistas dizem que o caso irá "morrer por inanição". Já a oposição multiplicou as denúncias em redes sociais e pediu investigação contra o irmão do governador.
Após a veiculação da denúncia, o Ministério Público do Paraná abriu investigação para apurar os fatos.
OUTRO LADO
Em nota, os integrantes do governo do PR citados por Ana Aquino negaram todas as acusações. Pepe Richa disse que nunca teve influência em decisões da Renault e que irá processar a empresária. Pediu apuração sobre "uso indevido" de seu nome. "Temo que interesses políticos eleitoreiros estejam envolvidos."
Amauri Escudero negou ter tido reunião com Aquino e João Graça e também disse que acionará a Justiça. A Renault afirmou que nunca tratou com a AGX Log e que Julio Barrionuevo deixou a empresa em 2013 por motivos pessoais e não tinha "poder de decisão na contratação de fornecedores". O ex-funcionário não foi localizado pela reportagem.
Graça afirmou que foi Aquino, a quem prestava serviços como advogado, que o convidou a ser sócio diante da ªperspectiva de negócioº com a Renault. Confirmou ter integrado à AGX Log e deixado a firma no ano passado. "Do mesmo jeito que entrei, saí. Recebi minha saída, totalmente formal."
Graça disse ter buscado com Escudero "publicamente" dados sobre incentivos fiscais concedidos pelo PR à montadora. Negou conhecer Sérgio Gabardo.
Gabardo disse que Aquino é "corrupta confessa" que defende interesses de uma "máfia de transportes". Negou envolvimento em suposto acerto envolvendo a montadora e o governo do PR. "Não faço parte das falcatruas e crimes praticados pela organização criminosa de Ana Aquino", afirmou.

Colaboraram ESTELITA HASS CARAZZAI, de Curitiba, e PAULA REVERBEL
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