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Só em 2014, 40 mil paranaenses terão câncer

Estudos apontam que incidência vai aumentar nas próximas décadas em todo o mundo. Falhas na prevenção e subfinanciamento geram mortalidade maior na América Latina
 
A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou este ano dados que intensificaram um alerta que já havia sido acionado: em 20 anos, o número de novos casos de câncer registrados anualmente em todo o mundo deve passar dos 14 milhões de 2012 para 22 milhões, um crescimento de 57%. As mortes pela doença, hoje em 8,2 milhões por ano, podem chegar a 13 milhões de óbitos a cada 365 dias. No Paraná, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima que 40 mil paranaenses descobrirão em 2014 que estão com câncer. 

O alerta é maior nos países em desenvolvimento. Segundo um estudo divulgado no ano passado pela revista Lancet Oncology, a mortalidade por câncer na América Latina era de 59 óbitos para cada 100 casos registrados, enquanto na União Europeia era de 43 e nos Estados Unidos, 35. 

O estudo aponta duas explicações principais para essa diferença. Em primeiro lugar, a prevenção é melhor nos países ricos. Nos Estados Unidos, 60% dos casos de câncer de mama são diagnosticados em estágios iniciais, quando as chances de cura são maiores, enquanto no Brasil apenas 20% são descobertos nessa condição. 

Outra razão é a discrepância no investimento para combater a doença. Segundo a mesma pesquisa, em 2009 o gasto médio por paciente de novos casos de câncer no Brasil foi de 8,04 dólares. Nos Estados Unidos, foi de 460,17 dólares, no Reino Unido, 182,73, e no Japão, 243,70. 

A Lancet calcula que entre 2009 e 2020 a incidência da doença no Brasil vai atingir um crescimento de 38,1%, diante de 26,2% nos Estados Unidos, 15,5% no Reino Unido e 15,4% no Japão. 

De acordo com o Inca, a estimativa é de que este ano sejam registrados 576,6 mil novos casos da doença no Brasil. Entre 1991 e 2011, a mortalidade por câncer cresceu vertiginosamente no País. Entre mulheres, houve avanço nos óbitos pela doença por cada 100 mil habitantes em todas as 27 unidades federativas brasileiras (veja gráfico); entre os homens, as mortes cresceram em 26 – o Amapá foi a exceção. Em 14 Estados, a taxa de mortes por câncer na população feminina mais do que dobrou em 20 anos. Na população masculina, o mesmo fenômeno ocorreu em 16 Estados. 

O Paraná registrou um dos menores aumentos. Com aproximadamente 67% de crescimento da mortalidade por câncer em ambos os sexos, ficou em 19º em aumento da taxa entre as mulheres e em 20º entre os homens. 

Porém, em taxas brutas, o Paraná teve a quarta maior mortalidade por câncer na população feminina em 2011, com 97,27 mortes para cada 100 mil habitantes mulheres (atrás de Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e São Paulo), e em segundo entre os homens, com 131,46 óbitos por 100 mil componentes da população masculina local (índice inferior apenas ao registrado entre os gaúchos). Em 1991, o Paraná também havia sido o quarto entre as mulheres. Entre os homens, passou de quarto para segundo colocado em 20 anos.
Fábio Galão
Reportagem Local-FOLHA DE LONDRINA
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